verdade! mentira!

Essa semana rolou uma brincadeira na rede social, toda gente escrevendo uma série de verdades que escondiam uma única mentira. Coisas esdrúxulas, difíceis de descobrir.

Eu, como gosto de uma minoria, fiz ao avesso a brincadeira, escrevi umas mentiras e perdi a conta porque a gente sempre se perde quando mente, quase num sobra nada mais do que a verdade nisso. Depois vieram alguns mau humores, gente que queria parar a brincadeira dos outros de publicar suas verdades engraçadas e mentiras imperceptíveis, e eu quis ser minoria de verdade.

Fiz um jogo novo, verdade e mentira:

” verdade!!! eu num gostava de jogar queimada. detestava brincadeiras com bola, tudo aquilo era agressivo demais pra minha falta de jeito. no entanto, na minha rua, na rua de cima, no quarteirão ao lado, no bairro todo, as crianças brincavam de queimada, os adolescentes brincavam de queimada, alguns pais entravam no rolo.

mentira!! que eu só ficava olhando, algumas vezes eu até arriscava. de toda forma, eu nunca negava minha alegria de ver gente se divertindo na brincadeira.

brincar é ser inteiro. é um refúgio e um ponto de partida.”

Curiosamente, ninguém veio comentar dizendo sobre a última parte do meu texto: brincar é um ponto de partida pra viver… Mas vieram alguns defensores da queimada. Eu dei risada com isso.

Curiosamente de novo, chegou pelo correio (eu adoro essa parte) um pacote com livros pra mim. Dentro, de cara, a capa dizendo MAIORIA Minoria. Corri ler e a história começou com algo que também me seduz: palavras.

Há uma palavra para cada coisa, uma palavra pesa extamente o seu significado e isso pode parecer engraçado já que não podemos dizer uma palavra na balança e ver o ponteiro se mexer… O ponteiro, ah… Essa balança é do tempo que eu era menina e visitava a farmácia do Seo Renato, bem na esquina do quarteirão onde minha mãe tinha sua loja de roupas e eu vou quase me perdendo em outro caso diferente do livro, sim o livro.

João Pedro é um garoto curioso que não é bom de bola, mas tem muito jeito com palavras. São elas que povoam o dia a dia desse menino, fazendo com que ele entenda (ou desconfie de entender) aquilo que acontece ao seu redor.

A primeira descoberta de João Pedro foi com Seo Antônio, que vezes demonstrada excelente humor, vezes ralhava até com as plantas.

“Acho que o seu Antônio devia ter muitos antônimos dentro dele, isso sim.”

Sim, quem não tem uma porção de antônimos dentro de si? Verdade ou mentira?

Mas a brincadeira é sempre o ponto de partida para a vida, como eu disse ali, ó, logo acima, sem querer tentar confundir você que ainda resiste lendo isto. João Pedro num era bom de bola, mas era bom de perceber os arredores botando palavra onde só tinha o vazio da ignorância.

Foi assim que ele reparou na minoria dele mesmo e de Rei, outro menino, que diferente de João queria o futebol, mas mesmo assim não se encaixava na maioria.

João descobre outra palavra no meio desse jogo: preconceito contra as minorias, e isso, senhoras e senhores, me faz pensar novamente em mentiras e verdades: quantos antônimos dentro de nós cultivam preconceitos?

O resto do livro eu não conto porque fica chato demais revelar o segredo da brincadeira. Leiam lá, no livro, mas voltem aqui para brincarmos mais um pouco…

 

MAIORIA minoria é um livro com texto de Tânia Alexandre Martinelli, ilustras de Veridiana Scarpelli, com selo da Editora do Brasil.

 

 

Os contos da noite

Michel Ocelot é escritor, animador e diretor de cinema. Francês, nascido em 1943, passou a infância na Guiné povoando seu imaginário com histórias fantásticas que certamente inspiram seus filmes.

Da filmografia do artista, Os contos da noite, lançado em 1992, é uma animação que retorna ao teatro de sombras. Delicado e profundo, Os contos provam que a animação é um feitiço sobre todas as idades…

Aproveitem.

 

 

 

quando você não está aqui

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Quando eu era pequena, não tão pequena, rabisquei a porta do quartinho de bagunças que ficava embaixo da escada. Não rabisquei, na verdade, fiz uma intervenção artística e assinei meu nome e tudo. Projeto completo. Quando meus pais chegaram, eu culpei meu irmão.
Meus pais nunca foram cães raivosos do tipo que mordem, espancam, babam por cima. Ao contrário, havia um sermão constante para que nos tornássemos responsáveis.
Fizeram com que eu ficasse na frente da porta junto com meu irmão que era mais novo do que eu; esticamos os braços pra ver quem conseguia escrever na parte de cima da porta. Eu ganhei a competição, desajeitadamente.
Ainda tentei argumentar que ele usou a escada…
Num foi tão péssima, assim, a infância toda. Meu irmão chorava demais, era chato e boboca, muitas vezes era feito de tonto pelos meninos que moravam na nossa rua.
Tínhamos lá muitas diferenças, é certo. Gênios distintos. Um pra ação, outro pra molenguice.
Minha mãe muitas vezes me dizia que eu era estúpida. Eu lembro disso. Lembro da mãe também achando meu irmão frágil, enquanto meu pai queria que ele reagisse, não fosse feito de tonto por causa de brinquedos ou coisas assim…
A vida muda a gente, a gente cresce, uns amolecem, outros endurecem. Eu fiquei mole, choro fácil. Meu irmão num sei por onde anda. Talvez ele ainda seja um menino magoado com as brigas de criança, por causa de portas rabiscadas, uns tapas aqui e ali, umas bandas de chocolate que lhe foram roubadas.
Fazer o quê?
Somos adultos e, hoje, a ausência parece um oco do qual não podemos fugir.
Apelar pra memória é a distração das perdas. Pelo menos temos as histórias que coleciamos no fundo esquisito da alma nossa e dos baús de outros…
“Quando você não está aqui, não tenho que dividir nada com ninguém.”
– María Hergueta – do livro, Quando você não está aqui, com tradução de Márcia Leite, Editora Pulo do Gato.
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Mais…
” Eu era bem pequena, uns seis anos, talvez, … tímida (como ainda sou, só que um pouco menos). Fui sorteada na escola pra ganhar um bolo, os cinco irmãos mais velhos, gritaram meu nome, e eu abri o maior berreiro de vergonha. Disparei disparei correndo, sem o bolo, sozinha por um quilômetro de estradinha da chão, direto pra casa. Os cinco foram lá, juntos, pegaram o bolo e trouxeram cuidadosamente pra nossa mãe.”
*
“Por falar em manteiga no pão, meu irmão, para não dividir comigo o pão com manteiga comigo, lambia ele inteiro. Era delícia quando os mais velhos me deixavam fazer as rabiolas das pipas. Eu amava.”
*
“Meu irmão corinthiano. Fim.”
*
“Eu brincava de boneca e de escola, ela andava de bicicleta e jogava bola. Eu acordo cedíssimo, ela é DJ. Eu namoro meninos, ela namora meninas. Somos diferentes em quase tudo… Quase, porque quando pequenas, a gente se juntava pra brigar, uma com a outra ou as duas contra alguém. Gostar de brigar é coisa em comum da gente. “
*
“Sou filha única :(“
*
“Eu sou filho do meio. Precisa falar mais?”
 *
PS. Os comentários foram cedidos por amigos na rede social depois de uma provocação minha sobre a irmandade.

quem conta um conto…

* Deu no Blog da Letrinhas; o texto reproduzido abaixo é para adoçar a palavra e preparar sua participação no Curso de Narração de História com Penélope Martins. Confira o link originário:  http://www.blogdaletrinhas.com.br/conteudos/visualizar/Quem-conta-um-conto-aumenta-um-ponto

Um bom contador de histórias é alguém que tece narrativas com destreza, cena após cena. Não perde jamais o fôlego, a pulsação da vida que proporciona o encantamento. É que, ao narrar uma história, “esticamos o fio no labirinto da memória”, diz a escritora Penélope Martins, que ministra um curso sobre o tema no dia 27 de maio, na Casa Vermelha, na zona oeste da cidade de São Paulo.

No curso Narração de história e livro em cena, ela aborda assuntos como as relações humanas apresentadas nas narrativas, o uso de objetos, músicas e jogos, a compreensão da linguagem, o aparelho vocal e os desdobramentos da leitura em voz alta, a memorização e a recomposição do enredo.

“Trabalho desconstruindo aquela visão comum de que a história precisa de aparatos, piadas prontas, chavões, objetos que ilustram cada cena”, diz a narradora, que colabora para o Blog da Letrinhas na seção Dois dedinhos de prosa. “A narração é algo dialógico, pessoas que escutam uma voz que conversa com suas vozes interiores”, completa.

Não há pré-requisitos para quem quer se aventurar a narrar. O curso é destinado a qualquer pessoa que queira desenvolver a sua habilidade de falar em público, de expor ideias sendo cativante. “Nem todo mundo vai contar histórias, mas tudo passa pela necessidade da capacidade de expressão, de discurso diante dos outros.”

Convidamos Penélope para um desafio brincante. Com a perspicácia de uma personagem mítica, ela desmancha narrativas óbvias e tece novas, a partir de inícios de frases, começos do que poderiam ser histórias. Ao contar um conto, tece outros pontos.

Confira as respostas da narradora-poeta (em negrito)!

Contar história é esticar o fio no labirinto da memória.

Se Sherazade não soubesse enredar o sultão com suas narrativas, ela teria que ter pernas muito boas para correr.

Quem conta um conto pode aumentar um ponto desde que não fique tonto.

Muriel Bloch, Toumani Kouyaté e meus avós, … excelentes narradores de histórias.

Se não era uma vez, lá vão duas pelas ruas.

Num reino não tão longe daqui…. uma história brotava num pé de voz.

Quando a memória enrosca, … a gente inventa!

A realidade é mais ou menos… uma pata de um elefante: melhor manter cautela.

Uma história cabeluda é… ambiente perfeito para piolhos.

Abre-te… corazón!

Anote na agenda

Curso Narração de história e livro em cena

Quando: dia 27 de maio, das 9h30 às 17h

Onde: Casa Vermelha (r. Tacito de Almeida, 147)

Mais informações: penelopemartins@uol.com.br

na tarde

Socorro Lira e Penélope Martins para ampliar nosso coração, na tarde de hoje, celebrando todas as mulheres poetas que fazem da palavra seu estar no mundo.

 

“Na tarde em que te beijei

Botei colibri no peito

Cresceu meu maior desejo

O que na boca calei.

Silêncio, olhos cerrados

Olhando por dentro de mim

Cheiro de mel e jasmim

Minha alma tinha tomado.

Um beijo mais fundo chorei

Sem pensar no que sentia

Sua boca tomando minha sina

Sua boca me assina, me ensina

O que já sei.

 

Amor, são meus olhos de chuva n’ocê

A principitar do céu a gentileza

De apagar essa brasa acesa

sem ter nem pra quê.

Amor são meus olhos chovendo manso

Brotar da terra entre nós

Rio passando vale, serra

Pedra da minha canção.

 

 

 

 

Outras formas de leitura, com a StoryMax

Você sabe o que é uma startup? Eu também não sabia muito bem o que era isso, achava a palavra até esquisita, talvez porque eu tenha nascido no tempo da enceradeira e do tocador de disco, e naquele tempo a gente não rodava com muita tecnologia…  Mas daí eu conheci a Samira e ela me contou sobre sua experiência com uma startup, uma empresa que começa no conhecimento das pessoas em desenvolverem produtos de alta tecnologia. Junto com Fernando, Samira fundou a StoryMax, uma startup de inovação editorial.

Aqui é preciso abrir parênteses para lembrar que já superamos aquela discussão sobre o livro digital acabar com o livro de papel, não é? Já vimos que as coisas convivem justamente porque ocupam participação distinta na nossa vida social.

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Pois, então… O casal começou o trabalho por causa de uma trajetória pessoal, vivenciando de perto o processo de digitalização nas editoras, e o projeto foi nascendo a partir das observações que faziam em conjunto. “Já naquela época, nos desagradou muito o modo como estavam sendo pensados os livros para as crianças – na nossa opinião, bem menos atraentes que os de papel: estáticos, sem cores, tudo muito sem graça. Por outro lado, percebemos também que os jovens  e as crianças estavam trocando a leitura por conteúdo em outras linguagens e mídias, eles já tinham aparelhos tablets e smartphones em casa, mas só usavam isso tudo pra jogar e ver vídeo. Daí que começamos a pensar em como fazer esses leitores em formação se interessarem de fato por leitura, começarem a ler no digital e continuarem como leitores por toda a vida! Mergulhamos em experimentação e foi uma delícia!”

O primeiro experimento publicado pela StoryMax foi uma versão audiovisual interativa de Frankenstein chamada “Frankie for Kids”, que não só serviu para mostrar que havia interesse por parte dos leitores, como rendeu dois reconhecimentos bacanas: o ComKids Prix Jeunesse Iberoamericano e o Hipertexto de Tecnologias em Educação. O segundo app book foi o Via Láctea de Olavo Bilac, que recebeu o Prêmio Jabuti em 2015 – e logo depois, a empresa entrou num programa de aceleração em Minas Gerais.

Como diz Samira, foi como fazer um MBA na prática, enquanto na vida acadêmica ela seguia com pós-graduação na USP, na área de Educomunicação, que estuda precisamente as interfaces de mídia, tecnologia e espaços educativos.

Image result for storymax o rei do ouroDepois de tanta experiência e dedicação, o momento era buscar parceiros que pudessem oferecer mais sustentabilidade para esta fase inicial do nosso negócio e foi com o Goethe-Institut que isso se realizou, juntos criaram o app LiteraTour, que traz quatro mini contos baseados em histórias relevantes na cultura alemã – o leitor pode conhecer as quatro histórias e ainda formar suas próprias narrativas ao misturar as diferentes partes delas: é possível ler até 64 histórias, algumas engraçadas, outras encantadas. Esse projeto foi premiado com “Prêmio Brasil-Alemanha de Inovação”, o que tornou viabilizou outras parcerias, tais como a coleção Novozymes Nova Perspectiva, uma parceria da StoryMax com a empresa que dá nome à coleção e com o Sesi Paraná, tem como tema os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, indicados pela ONU como formas de tornar o mundo melhor até 2030, como o fim da fome, da pobreza e das diferenças entre os gêneros.

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Dessa coleção, os leitores podem buscar em aplicativos para android e ios,  o primeiro app book desta coleção, Frritt-Flacc, conto homônimo do Verne que ajuda a discutir o fim da pobreza (listado pela Cátedra Unesco de Leitura entre os dez melhores livros infantojuvenis publicados no Brasil em 2016 – sendo o único livro digital a receber este “Selo Distinção”). Também o segundo app book da coleção, sobre a erradicação da fome e, para isso, apresentado com o conto do Tchékhov chamado “Ostras”.

A história da StoryMax faz a gente compreender bem o que é essa startup: gente que é capaz de ajudar a estimular outras pessoas a despertar para a autonomia do pensamento. E eles não param de fazer isso; hoje é dia de festa StoryMax com novo lançamento para a coleção:  o conto “O Rei do Rio de Ouro”, de John Ruskin, para debater a questão do acesso à água.

Os meus dedinhos estão coçando para virar as páginas com um único toque.

branca de neve fuLL_gil!

Branca de Neve fugiu. Fugiu? FuLL_Gil, apaixonada pelo poeta que enxergou sua história pelo avesso, fez de gato e sapato e ainda botou o retrato da bruxa pendurado por cima de um par de sapatos.

Chuva e eu

Então, eu pergunto, qual anão é mais bacanudo?

“Os anões deste reconto são um bocado sem graça, a nenhum dou destaque. A Branca de Neve é bem mais interessante. Eles não têm nomes e agem todos da mesma forma. São apenas Os sete anões, como se fossem sete em um, vivendo uma rotina igualmente desinteressante; veja que são sete os dias da semana. A menina entra nestas rotinas e dá mais vida, como nas vezes todas que desobedece e corre perigos, morrendo e renascendo sempre. Ela é o encanto, a graça. Os anões, embora de estaturas pequenas, representam os adultos e suas limitações. Ela é a fada, eles o enfado.”

E no en_fado dos anões a fenecer, teria algo que Branca gostaria de esquecer?

“A Branca de Neve já é bastante esquecida, não parece saber que a rainha madrasta a quer matar, e todas as vezes que aparece alguém vendendo algo ela atende e nem desconfia que pode ser a morte que bate à sua porta. Este fato é interessante, pois assim são -ou deviam ser-  as crianças, não estão ligadas ao que passou e tampouco ao futuro, o momento presente é o que importa e predomina. Por isso comecei o texto com Era uma vez um inverno… O tempo é o mais importante. E também o espelho ganha brilho especular. O tempo, a vaidade e o espelho, todos os demais são coadjuvantes.”

Essa coisa de príncipe que surge e já beija, e se ele virasse sapo quem o suportaria?

“Alguém que gostasse de beijar sapos, a sapa, por exemplo; será que se chama sapa a criatura? E será que sapos se beijam? Sabemos que sapos coaxam e pulam, e certamente copulam. Não nesta ordem necessariamente. A propósito, quem é que já não dormiu com príncipes e acordou com sapos? Coaxo eu que muita gente!”

Muita gente vira sapo ou já é sapo e a gente fica esquecido que nem Branca de Neve, a cada coaxo… Mas se eu fosse bruxa e você fosse um feitiço, o que a gente botaria no tacho? Maçã envenenada ou sopa estragada?

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“Maçã é bem mais interessante simbolicamente, é tão romântica quanto a romã e tão antiga quanto o tal paraíso de Adão, Eva e a serpente. Você usou o adjetivo Estragado, que significa podre, inútil, deteriorado etc., mas também gosto de pensar nesta palavra como algo que não se pode tragar ou engolir. Note que eu disse O adjetivo estragado. Um adjetivo tem o poder de qualificar e também de estragar, sabemos. O espelho de Espelho, espelho meu… usa e abusa destas qualificações. Eu gosto mais de sopas, espero um dia ficar bem velhinho e sem dentes, tipo suavemente estragado, para viver somente de sopas e ensopados. Agora sim este nosso papo ficou cheio de sopas e sapos: Sopapos.”

Sopa de sopapos pode causar estrago, e isso na história é um clássico. Faz sentido ler clássicos no nosso mundo contemporâneo onde tudo é mais pra macarrão instantâneo?

“Parece-me que sim. Um clássico é um clássico é um clássico é um clássico…  Pertencem à classe daquilo que não estraga, constitui modelo, não sai de moda. Lê-los é importante nestes tempos difíceis de se lidar com o contemporâneo.”

E como foi escrever algo tão antigo e já tão escrito?

“Foi demais divertido, extremamente. Esqueci que a história era antiga, também sou como a De Neve, tenho a memória esquecida, suavemente estragada. Reconto-a como se fosse minha; de certo modo é. É de todo mundo e a ninguém pertence. E sobretudo é um texto sobre a vaidade, nada mais contemporâneo, não?

Já perguntei demais, eu sei, mas cabe mais uma? Se você fosse contar a história de outra princesa, qual seria?

“De nenhuma. Não tenho predileção por princesas, tampouco por príncipes, que me parecem sempre um tanto tolos, deslumbrados, distantes da realidade. O oposto disso deviam ser os reais atributos da realeza. Você não Penélopeperguntou, mas direi: Um dos meus livros preferidos é O Pequeno Príncipe, mas este está tão perfeitamente contado que não há porque recontar, nem nada para tirar ou por. Ele sim é um príncipe de verdade.”

E eu, eu nem te conto, Gil, eu quero ler FuLL_Gil, porque é uma delícia revisitar uma história ou conhecer uma nova trajetória nas palavras de um poeta que sabe misturar filosofia, humor e poesia.

Você também ficou com vontade de ler mais? Foge pra floresta e leva a Branca de Neve, com Gil Veloso, no selo enfeitiçado  da Editora Pulo do Gato.

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