a vida, o tempo…

A vida são deveres, que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas…
Quando se vê, já é sexta-feira
Quando se vê, já é Natal ….
Quando se vê, já terminou o ano .
Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida .
Quando se vê, passaram-se 50 anos !
Agora, é tarde demais para ser reprovado …
Se me fosse dado, um dia, outra oportunidade,
eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho,
a casca dourada e inútil das horas …
Eu seguraria todos os meus amigos, que já não sei como e onde eles estão e diria: vocês são extremamente importantes para mim.
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo…
Dessa forma eu digo, não deixe de fazer algo que gosta devido a falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.

– Mário Quintana –

menina mal amada, por Cora Coralina

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“(…)
Menina atrasada da escola da mestra Silvina…

(…)

Vamos ver, agora, como faz a Coralina…
Nesse tempo, já não era inzoneira. Recebi denominação maior, alto lá! Francesa.
Passei a ser detraquê, devo dizer, isto na família.
A família limitava, Jamais um pequeno estímulo.

(…)

Fui menina chorona, enjoada, moleirona.
Depois inzoneira, malina.
Depois, exibida. Detraquê.
Até em francês eu fui marcada.
Sim, que aquela gente do passado,
tinha sempre à mão o seu francês. ”

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* Cora Coralina, pseudônimo de Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas. Nascida em Goiás, aos 20 de agosto de 1889, morreu em 1985, depois de somar os anos como doceira e escritora rica em motivos cotidianos. Alheia aos modismos literários, Cora atingiu o máximo da liberdade sendo ela mesma na sua obra.