O trem

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“O trem passa – piuííííííí…

levando as pessoas para longe dali.

Leva a menina para ver a vovó.

Leva a mocinha para ver se xodó.

Leva o garoto que morre de medo.

E o moço tristonho que tem um segredo.

O trem passa ligeiro e esperto,

e na janelinha, de olhar aberto,

a moça atenta a tudo que passa

enquanto ela passa do lado de lá.”

 

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*Este é um poema do livro “Lie e o feitiço da palavra”, de Marília Moreira, com ilustrações de Maria da Betania Galas, Editora ÔZé.

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Céu menino

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“Céu de palavras, céu de aventura,

céu de solina, de vento, de chuva,

céu lua cheia, de neve e estrela,

céu de aguaceiro caindo na telha,

céu de relâmpago, céu trovoada,

céu de oceano, de terra molhada,

céu que circula e se achega pertinho,

céu de poeta, meu céu menino.”

 

*Este poema é encontrado no livro “Céu menino”, de Alessandro Riccioni, com ilustrações de Alicia Baladan, Editora Pulo do Gato.

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o gato

 

  • O gato é um poema que integra A Arca de Noé, de Vinícius de Moraes e foi musicado junto com a maior parte do livro para integrar um projeto grandioso para televisão, no princípio dos anos 80, com a participação de grandes artistas da música brasileira, como Elis Regina, Ney Matogrosso, Moraes Moreira, Toquinho e outros. A primeira gravação dO gato foi com a cantora Marina. Com nova versão, 30 anos depois, na voz de Mart’nália, O gato ganhou uma animação em ritmo acelerado.

a-ver-livros: 432

Já somos tão pouco
de repente menos ainda
um dia nada
meia dúzia de ossos presos
no tecido com que embrulhámos
a memória
um cheiro vago a terra
estrumada a dias vividos
meio litro de lágrimas
uma flor ou outra

O que fica de ti é isto que sou,
sal, pedra, fogo,
abençoada a nesga de sol
que me escondeu
o olhar

Ana Almeida

*este é um re-post da Ana Almeida, do blog de Portugal – Clube de Leitores. Esta conexão É giro!

Tenho mil irmãs para amar sem palavras – José Luís Peixoto

raquel

“Tenho mil irmãs para amar sem palavras.
Tenho aquela irmã que caminha encostada
às paredes e sem voz, tenho aquela irmã de
esperança, tenho aquela irmã que desfaz o
rosto quando chora. Tenho irmãs cobertas
pelo mármore de estátuas, reflectidas pela
água dos lagos. Tenho irmãs espalhadas por
jardins. Tenho mil irmãs que nasceram
antes de mim para que, quando eu nascesse,
tivesse uma cama de veludo. Agradeço com
amor a cada uma das minhas irmãs. São mil
e cada uma tem um rosto a envelhecer. As
minhas mil irmãs são mil mães que tenho.
Os olhos das minhas irmãs seguem-me com
bondade e, quando não me compreendem,
é porque eu próprio não me compreendo.
Tenho mil irmãs a esperar-me sempre, com
silêncio para ouvir-me e para proteger-me
no inverno. Tenho aquela irmã que é uma
menina que sai de casa cedo para chegar cedo
à escola e tenho aquela irmã que é uma
menina que sai de casa cedo para chegar cedo
à escola. Tenho irmãs como música, como
música. Tenho mil irmãs feitas de branco.
Eu sou o irmão de todas elas. Sou o guardião
permanente e incansável do seu sossego.
Eu tenho de ser feliz pelas minhas irmãs.
Eu tenho de ser feliz pelas minhas irmãs.”

José Luís Peixoto, in Gaveta de Papéis

Ana Hatherly, Saber

Saber
saber
é saber saber-te
sabermo-nos unir
unirmo-nos
é conhecermo-nos
sabermos ser
por fim sermos
é sabermos
sabermo-nos
conhecermos
a surda áspide

*Ana Hatherly, em “Um Calculador de Improbabilidades”
escolhido por Soraya Semenzato

*este é um re-post da Rodrigo Ferrão, do blog de Portugal – Clube de Leitores. Esta conexão É giro!

Dorme Sobre o Meu Seio, Pessoa

Caricatura: Hugo Enio Braz

Dorme Sobre o Meu Seio

Dorme sobre o meu seio,
Sonhando de sonhar…
No teu olhar eu leio
Um lúbrico vagar.
Dorme no sonho de existir
E na ilusão de amar.

Tudo é nada, e tudo
Um sonho finge ser.
O ‘spaço negro é mudo.
Dorme, e, ao adormecer,
Saibas do coração sorrir
Sorrisos de esquecer.

Dorme sobre o meu seio,
Sem mágoa nem amor…

No teu olhar eu leio
O íntimo torpor
De quem conhece o nada-ser
De vida e gozo e dor. 


*Fernando Pessoa, in Cancioneiro

Este é um post do Blog Clube de Leitores – de Portugal para o Toda Hora Tem História  -do Brasil, na conexão É giro!
Rodrigo Ferrão, correspondente do Clube de Leitores.