A moça que dançou depois de morta

Curta de Animação 35mm – 2004 Vencedor de diversos prêmios na categoria Curta Metragem, incluindo 01 Kikito e 01 Candango.

 

 

Quem quiser mais terror em cordel, essas histórias de alma penada, cemitério, coisas de outro mundo além dos vivos, corre para a livraria procure pelo autor Marco Haurélio em “Noivo Defunto e outros contos de mal assombro”. A leitura desse livro é de arrepiar a espinhela!

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Ponte aérea literária

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A escritora capixaba Isa Colli está lançando este mês três livros para infância simultaneamente no Brasil e na Bélgica, onde mora atualmente. Duas histórias são inspiradas em reis, castelos e o universo das monarquias. “O Rei está no Trono” é uma aventura do rato monarca que desaparece dentro do próprio castelo. Já em “Ulisses no Reino das Letras Douradas”, o rei é um livro antigo que tem o sonho de chamar a atenção da menina Iná.
O outro livro que chega ao mercado é “O Elefante Mágico e a Lua”, título bilíngue português – inglês, com uma versão online em árabe. A fábula se passa em um reino nos Emirados Árabes. No enredo, o elefante mágico Aman resolve atender aos desejos do amigo Radi. Em retribuição, Radi ajuda o elefante a aproximar-se de seu grande amor, a Lua.
No fim do ano passado, a escritora abriu sua própria editora, a Colli Books. Além de escritora, Isa é também jornalista. Aos 50 anos, a autora vem conquistando espaço no mercado literário nacional e internacional com participações nas principais feiras do mundo, como as bienais de São Paulo e do Rio de Janeiro e as feiras internacionais do livro de Bruxelas, Bolonha, Lisboa e Frankfurt.
O talento literário surgiu na infância, mas a profissionalização chegou há poucos anos. Isa nasceu no Espírito Santo e adotou o Rio de Janeiro para começar sua carreira na área da comunicação. Trabalhou por mais de 20 anos em emissoras de TV. Após descobrir uma doença degenerativa, decidiu lutar pela vida e se reinventou. Inspirada nas histórias que ouvia da mãe quando criança e da experiência que acumulou na TV, decidiu mergulhar no mundo da literatura.
Desde o lançamento do primeiro livro, em 2011, Isa já publicou 14 títulos infantis, um romance e um livro de poesias. Seus livros abordam temas como sustentabilidade, respeito pelo próximo, tolerância às diferenças e valorização do consumo de alimentos saudáveis.

Edmundo, o cético

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Naquele tempo, nós não sabíamos o que fosse ceticismo. Mas Edmundo era cético. As pessoas aborreciam-se e chamavam-no de teimoso. Era uma grande injustiça e uma definição errada.

Ele queria quebrar com os dentes os caroços de ameixa, para chupar um melzinho que há lá dentro. As pessoas diziam-lhe que os caroços eram mais duros que os seus dentes. Ele quebrou os dentes com a verificação. Mas verificou. E nós todos aprendemos à sua custa. (O ceticismo também tem o seu valor!)

Disseram-lhe que, mergulhando de cabeça na pipa d’água do quintal, podia morrer afogado. Não se assustou com a ideia da morte: queria saber é se lhe diziam a verdade. E só não morreu porque o jardineiro andava perto.

Na lição de catecismo, quando lhe disseram que os sábios desprezam os bens deste mundo, ele perguntou lá do fundo da sala: “E o rei Salomão?” Foi preciso a professora fazer uma conferência sobre o assunto; e ele não saiu convencido. Dizia: “Só vendo.” E em certas ocasiões, depois de lhe mostrarem tudo o que queria ver, ainda duvidava. “Talvez eu não tenha visto direito. Eles sempre atrapalham.” (Eles eram os adultos.)

Edmundo foi aluno muito difícil. Até os colegas perdiam a paciência com as suas dúvidas. Alguém devia ter tentado enganá-lo, um dia, para que ele assim desconfiasse de tudo e de todos. Mas de si, não; pois foi a primeira pessoa que me disse estar a ponto de inventar o moto contínuo, invenção que naquele tempo andava muito em moda, mais ou menos como, hoje, as aventuras espaciais.

Edmundo estava sempre em guarda contra os adultos: eram os nossos permanentes adversários. Só diziam mentiras. Tinham a força ao seu dispor (representada por várias formas de agressão, da palmada ao quarto escuro, passando por várias etapas muito variadas). Edmundo reconhecia a sua inutilidade de lutar; mas tinha o brio de não se deixar vencer facilmente.

Numa festa de aniversário, apareceu, entre números de piano e canto (ah! delícias dos saraus de outrora!), apareceu um mágico com a sua cartola, o seu lenço, bigodes retorcidos e flor na lapela. Nenhum de nós se importaria muito com a verdade: era tão engraçado ver saírem cinquenta fitas de dentro de uma só… e o copo d’água ficar cheio de vinho…

Edmundo resistiu um pouco. Depois, achou que todos estávamos ficando bobos demais. Disse: “Eu não acredito!” Foi mexer no arsenal do mágico e não pudemos ver mais as moedas entrarem por um ouvido e saírem pelo outro, nem da cartola vazia debandar um pombo voando… (Edmundo estragava tudo. Edmundo não admitia a mentira. Edmundo morreu cedo. E quem sabe, meu Deus, com que verdades?)

Cecília Meireles

Texto extraído do livro “Quadrante 2”, Editora do Autor – Rio de Janeiro, 1962, pág. 122.fonte

Coisas que não prestam

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Há uma candeia

que não alumia

há uma roca

que já num fia

há um coche

que já não roda

e no armário

há vestidos

fora de moda

há um triciclo

que pede escusa

e um chapéu

que já não se usa

 

e aquilo que já não fia

nem alumia

nem roda

nem se veste

nem se usa

nem corre

 

– tem a beleza

do que já não presta

e esta

nunca morre.

 

 

– Alice Vieira, poema recolhido da obra RIMAS PERFEITAS, IMPERFEITAS E MAIS-QUE-PERFEITAS, da Editora Texto, Portugal.

 

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se eu fosse um grande gigante

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Eu me lembro de muitos formigueiros na minha infância. Uma vez, na praia, catei uma pedaço de cano para brincar. Achei tão divertido aquele objeto furado que deixava escorrer a areia de dentro que nem me dei conta da colônia de formiguinhas vermelhas subindo pelo meu braço. Fiquei uns dias me coçando. Pele ardida, vermelha que nem formiga. Agora me dei conta, difícil achar daquelas formiguinhas vermelhas. Nunca mais vi.

Outra vez, era eu regando as plantas do jardim de casa quando descobri uma montanha entre bromélias. O formigueiro era tão grande, mas tão grande, que eu supus ter uma rainha do tamanho de uma centopeia. Foi só por isso que eu espichei a água da mangueira dentro do formigueiro até desmanchar tudo. Pura curiosidade. Inocência. Procurando a rainha, esqueci que o exército caminhava entre os meus dedos dos pés.

Aprendi na vidinha prática de criança que as formigas sabem lutar de maneira silenciosa. Atacam seus inimigos sem que eles percebam. Quando o agressor dá conta, tá todo picado. Foi assim comigo, várias vezes.

Quando eu era pequena tinha verdadeiro fascínio por formigas e formigueiros. Ficava pensando o que elas comiam, se tinha um quarto pra dormirem, se haviam escadas para andar de um lugar para outro, como funcionava aquele condomínio de milhares de seres inquietos, tudo sem desmoronar.

Detalhe, depois de aguar o formigueiro, acordei o dia seguinte com um formigueiro novinho em folha. Elas, as incansáveis. Nenhuma desistiu. Todas juntas. Ninguém soltou a mão de ninguém.

A sorte de observar essas coisas quando se é pequeno, criança inocente e fatalmente alvo de picadas em resposta da abusada curiosidade, é que a gente cresce consciente que somos mínimos na imensidão que é o mundo.

Se eu era, para aquelas formigas do passado, uma grande gigante, aos meus 5, 6, 7 anos, hoje, por contemplá-las de tão perto, tenho convicção que a natureza é absolutamente maior e mais inteligente. Já reparou samambaia brotando no meio do asfalto? Como consegue sobreviver a semente fincada sem terra, sem água, sem uma sombra…

É, feliz a pessoa que segue a vida plena de sua ‘pequenitude’. Uma formiguinha que abraça as outras pessoas, que não abre mão de ninguém por menor que pareça, e assim se faz imenso gigante…

* Uma dica sobre formigas, gigantes, gente pequena e dose generosa de carinho, Se eu fosse um grande gigante,  de Guridi, com selo da Editora Pulo do Gato.

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