quero ler meu livro

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“PSSSIU! Silêncio.”

Eu sei que ela gosta de correr pela casa e ficar me perguntando uma coisa – e outra coisa – e bater a bolinha no chão para brincar com a cachorrinha e aumentar o som da música e, e, e… Enquanto eu, eu só preciso de um pouco de silêncio.

Note bem você, pessoa distinta que me lê neste humilde desabafo, eu peço pouco, um pouco de silêncio, embora eu tenho certeza de que não me faria mal uma parcela inteira do dia, ou da noite.

O pior dos meus avessos é a bolinha – TUM, TUM, TUM – como um bumbo ressoando pela casa. Então, meu pensamento se enche de devaneios, ‘ah, que saudade do tempo em que não existiam bolinhas ou que elas eram feitas de silêncio’.

– Pssiu! Você não está vendo que eu estou lendo? Eu estou lendo um livro.

Isso também não adianta. Logo é um rosnado pela casa atrás da bolinha, um mar de risadas, uma correria.

– Ai, minha santa paciência que não é pouca!

Depois, a menina canta. Depois, a menina dança. Depois, a menina descarrega uma caixa de brinquedos. Depois, a menina arranja mais alguma coisa que faça barulho.

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– Psiu! Por favor, por favorzinho, você não vê que eu estou… Hei, você quer ler comigo?

De repente, um silêncio que só se interrompe quando a menina diz pertinho do meu ouvido:

– Podemos ler mais um?

 

* Essa história se repetiu na casa do meu vizinho. Ele lia. Ele lia um livro. Mas a criança que mora no apartamento ao lado do meu vizinho, não ajudava em nada na leitura dele: aquilo não cedia em ruído, uns estrondos incabíveis para um alguém que lê (ou tenta) um livro. Felizmente, meu vizinho teve uma ideia… O pulo do gato! Quer saber qual foi? É fácil, leio – leia – lemos, QUERO LER MEU LIVRO (de Koen Van Biesen, com tradução de Cristiano Zwiesele do Amaral, selo da Editora Pulo do Gato).

 

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os cinco esquisitos

 

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– Sim, de perto ninguém é normal.

– Como?

– Come!

– Você é mesmo uma pessoa esquisita, uma coisa esquisita, sei lá, muita esquisitice.

– Olha aí quem tá falando, justo você que nem sabe se a pessoa é ou se é só uma coisa que dá e que escapa da vontade da pessoa.

– Mas que papo furado!

– Melhor papo furado do que papo quadrado, né não?

– Quadrado é uma coisa que parece pontuda, pode furar o papo.

– Rá Rá Rá, tá vendo como você não é nada normal com esse papo?

– É que me desdobrei na sua doidice, e é claro que guardo muitas lembranças absurdas, surreais, pouco sensatas, também, dentro da minha cabeça…

– Isso me deixa mole.

– Tédio?

– Não, ao contrário, uma moleza aconchegante com vontade de dormir nas nossas vozes.

– Porque a gente tá vendo tudo de ponta cabeça, né?

– E isso dá tontura.

– Rá Rá Rá Rá Rá! Como somos cheios de esquisitices.

– Somos um erro da cabeça ao cotovelo!

– Pra que querer ser normal e perfeito e tal, se é no desdobrado papo furado que a gente se amolece e se reconhece tão mais perto do coração, né?

– Ah… S2

– ESSE DOIS?

– rÁ rÁ RÁ RÁ!! Agora tem emoticon desenhado na palavra que você fala.

– Desatinada palavra.

– Uma catástrofe.

– Completamente.

 

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Ps. Fui à Livraria e voltei com um livro muito esquisito. ‘Os cinco esquisito’, que eram seis, ou mais, porque eu pensei em mim e em você (que é um absurdo). O livro foi escrito e desenhado por Beatrice Alemagna, que é italiana apesar do nome que me confundiu. Não sei se Beatrice é esquisita, mas me parece que sim, desde o princípio.

Ps2. O livro está publicado no Brasil com selo da wmf martins fontes.

 

 

 

por mais escuta pra leitura

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Muitas pessoas parecem preocupadas em incentivar e formar leitores. Ficam repetindo palavras de ordem, “LEIAM”, “LEIAM MAIS”, “LER É BOM”, e eu, que sou uma leitora em processo, fico sempre me perguntando de que tipo de leitura estamos falando.

No começo do ano, estive num colégio para falar com educadores do ensino fundamental, primeiro ao nono ano, e minha proposta era discutir o plano de leitura em sala de aula a partir das considerações iniciais de cada professor, discutindo títulos selecionados e a forma que se processa a leitura desde sua escolha. Em um segundo momento, a conversa seguiria pelas dialógicas com o conteúdo dos livros lidos.

Assim que entrei na sala para a exposição de ideias, senti a disposição do espaço como um problema aparente. Tradição na disciplina corretiva, linear, arrochada, enfileirada. Mesa maior para o professor, uma distância entre os corpos.

A proposta de reconfiguração foi recusada… Era mais prático assim.

Segui querendo saber quem gostava de ler, quem lia em casa costumeiramente. Perguntei qual o livro que indicavam para as crianças com mais entusiasmo.

De cara eu me deparei com “LEIO muito para a faculdade, para a pós, para o trabalho…”, sem contar que o livro imediato da lembrança era o pequeno garoto no planetinha com a rosa e o “TU te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”.

Fiz menção à alguns selos editoriais paulistas (para não ir muito longe) que mantêm um ativo catálogo apto ao debate. Nadinha.

Comecei, então, a flutuar pelas histórias da imaginação, pelas brincadeiras da infância, pela memória no cheiro a bolo assando na casa das avós, por tantos joelhos ralados em tombos de bicicleta, caça às pipas. Veio história, veio lágrima, veio riso.

Passamos a inventariar tudo isso como material imprescindível para lermo-nos e, a partir disso, temos material para afetar outros leitores.

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Tínhamos, enfim, salvação para nossas leituras, nossas percepções sobre a relevância de provocar reflexões através dos livros que são, sobretudo, instrumentos para futuras conversas (interiores e exteriores).

A sequência da minha intervenção foi para discutir a busca da re-significação da narrativa presente na oralidade, o indivíduo nas relações que permeiam a sua existência e o envolvimento na leitura – com a presença do livro – como brinquedo do sentir.

Parecia que tudo ia muitíssimo bem até que a coordenadora veio ter comigo uma conversa estranha cobrando um plano de trabalho de práticas mais efetivas para a sala de aula, o que fazer para cada criança gostar de ler e sair devorando com apetite inquestionável os títulos que lhe são indicados – uns com mais de 30 anos de história na escola, sem a menor conexão com sua infância…

Tive que repassar tudo o que fiz, ali de pé no corredor. E ficam reverberando para sempre as perguntas: como encantar uma criança a se tornar leitora sem escutá-la, sem saber de sua história, sem brincar com ela conduzindo as narrativas desse brincar? Como pode ser bom subjugar a capacidade de escolha do outro e empurrar atividades goela abaixo para que ele se exprema dentro de si e dê somente o que a gente quer?

Eu me aproximei da leitura pelas rodas de ciranda que brincava com minha avó, mãe e primos. Aqueles cantares ainda são lidos por mim. Minha formação como leitora passa pelos almoços que levavam violão de sobremesa, por canções da música popular, por canções da tradição oral. Meu afeto com a leitura nasceu lá no ponto do tricô escutando atenta a voz da avó falando sobre pereiras, roupas no tanque, casamento, batom vermelho, massa de pão, surra, travessias longas. Só me faz sentido a leitura porque viajei na memória de meu avô muitas e muitas vezes, de terras distantes à uma época que só posso viver na imaginação.

Ler é antes de tudo saber escutar e penetrar na escuta como quem sabe o bulbo ao ver a folha.

Aos educadores eu desejo toda coragem e fé para resgate das crianças que eles foram.

 

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*imagens de ciranda colhidas da internet

a alma secreta dos passarinhos

 

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Houve um dia, em Lisboa, que eu me aninharia numa conversa com um amigo tão querido quanto a beleza que aquela Cidade sempre me oferece. Falávamos muitos assuntos, histórias por nós inventadas e outras tantas ondas que nos vinham como grandes desafios para desvendarmos. E veio a dor e a perda e algumas lágrimas contidas num sorriso ora maroto, ora tímido. Foi naquela tarde que ele retirou as xícaras que repousavam nos pires, depois do café. Os dois pires idênticos.

– Pen, esses pires são muito parecidos, podemos dizer que são idênticos, não?

Respondi que sim, claro, obviamente. Eram dois pires sem tirar nem por de tão iguais. Um poderia substituir o outro plenamente.

Ele pôs a mão sobre um dos pires e me disse que aquele era o segredo que poderíamos compartilhar, falar sobre ele, elaborar nossas questões e questionar sobre sua importância.

Um silêncio pequenino se fez, ele ficou tranquilo como se tudo já tivesse sido dito.

– E o outro? – perguntei agitada como é sempre o meu estado de ser, como uma criança que quer saber.

A resposta me foi oferecida como ‘o mistério’, aquilo que pensamos, por ledo engano, ser idêntico a um segredo que podemos dissecar meticulosamente até conhecer sua causa e seus efeitos.

Albeto Caeiro me veio à cabeça. Um dia em casa, o pai me perguntava como eu aprendera a gostar de poesia já que na nossa casa não havia leitor de poesia, bem pouca coisa da literatura também. A par eu ter crescido numa casa onde a poesia entrava todos os dias com a canção e ainda assim meu pai pensava que não líamos poesia, ocupei-me de convidar o pai a ouvir.

– Se você não gostar desse poema, pai, não tem mais jeito e nunca mais insistirei com qualquer outro verso seja lá o que for.

Ele sorriu, permitiu, ouviu atentamente, e levantou as sobrancelhas quando eu lia “Não acredito em Deus porque nunca o vi”, nas linhas de ‘Há metafísica bastante em não pensar em nada”; mas, por fim, veio ter conosco a presença do mistério; “Que mais sei eu de Deus que Deus de si próprio?”, e os olhos de meu pai deixaram cair as lágrimas de maravilhamento e os meus olhos choraram os olhos de meu pai.

O segredo íntimo das coisas…

Meu pai,  aquele homem que nasceu num lugar de chão de pedras onde o inverno dura 9 meses. Meu pai, aquele homem que teve um pássaro que lhe pousava no ombro e aceitava carinho. Meu pai, aquele homem que dá jeito em telhados. Meu pai, aquele homem que me cozinha o almoço de domingo. Meu pai, quem chegava perto da meia-noite cansado pra sair ao trabalho antes das 5h, sem nunca deixar de ir à beira da cama para me dizer ‘eu te amo’.

O mistério que nos habita e nos oferece um olhar curioso sobre o que é o próprio mistério.

Talvez eu acredite em deus justamente porque eu o sinto como mistério, e porque eu não quero dissecar esse meu fio de inocência.

Alguns poemas nos trazem visão sutil do mistério, cito aqui o Guardador de Rebanhos, de Alberto Caeiro, heterônimo do meu poeta favorito (Fernando Pessoa), e A alma secreta dos passarinhos, de Paulo Venturelli, recentemente transformado em livro com ilustrações de Elisabeth Teixeira, inaugurando as edições da Olho de Vidro.

E que os pássaros nos venham visitar, para pousar nos nossos ombros e aceitar nossos carinhos como quem nos oferece carinho…

 

 

 

 

 

 

Leia-Mim

 

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Antes da roda já havia o movimento. O movimento é atávico, a roda é um meio.

A fotografia da praia não é a praia. Colocar os pés no mar transborda a sensação da iluminação do sol na água capturada num clique, por mais íntegra que seja a imagem. A vantagem de desenvolver o olhar sobre a fotografia, a pintura, o poema, é justamente recuperar em si a experiência, ainda que esta não tenha sido de fato vivida.

É preciso compreender isso para falarmos de leitura, porque a história é muito anterior à escrita e sobre isso não há a menor ponta de dúvida, ou há?

A leitura é um conjunto de ações coordenadas para compreender o próprio movimento do leitor no mundo. Quem é o leitor? O leitor é alguém que nasceu para o movimento e, por isso, ele representa a própria história do que vive, viveu, além das suas potências ancestrais e culturais, compreendidas mesmo que de forma inconsciente.

Quando eu digo de forma imperiosa ‘leia, porque ler vai transformar você em algo melhor’, é como se eu estivesse deitando fora o próprio livro que é o leitor, um livro interminável e com pontos cegos a descobrir.

A aproximação com a leitura se dá pela escuta desse leitor. Leia-me, o leitor repete de forma silenciosa e constante, como uma busca de si mesmo nas narrativas que lhe são apresentadas.Image result for dois passarinhos dipacho

Não podemos falar em literatura antes de falar de escuta, de leitura de mundo e de pessoas, e isso pressupõe aceitar a oralidade como nosso recurso originário, o lugar onde pertencemos e para o qual fomos feitos humanos, o diálogo.

Eu não acredito numa promessa de formação de leitor pelo objeto pedante de um discurso que despreza a linguagem em sua complexidade, a percepção de cada indivíduo a cerca das coisas do mundo e do além mundo.

Já faz quase um ano que atendo uma organização destinada a apoiar pessoas com deficiência intelectual, na sua maioria não-alfabetizados na escrita e com muita probabilidade de nunca possuirem tal instrumento como veículo de manifestação e compreensão de ideias. Cada menina, cada menino – digo isso de forma absolutamente carinhosa com relação aos deficientes intelectuais que resguardam em si uma porção generosa de infância – que eu atendo com minhas oficinas de narrativa, são bibliotecas infindáveis de histórias que permeiam a minha percepção das relações humanas, da vida social.

A cada novo encontro, lanço no ar a frase, que a turma já identifica como oportunidade de narrar a si mesmo, ‘era uma vez uma pessoinha bem pequenininha que vivia…’, e eles se entusiasmam em contar episódios cotidianos que revelam muito sobre a árdua perseverança de ser diferente do que a sociedade dita como ‘normal’.

A experiência de estar com eles exige que eu desloque meu pensamento para além da minha deficiência de normalidade, faz com que eu procure caminhos com uma lamparina revelando meus próprios anseios, talvez, até, meu desapego com a vaidade de ventilar a hipótese formadora de leitores.

Pessoas vivem histórias e re-significam suas histórias com outras narrativas, por isso a importância dos livros, eles podem ser novas sementes em terra fértil.

A oralidade dentro desse processo é a porta de entrada para retomarmos nossa principal tarefa na vida em grupo: saber escutar atentamente e ter a palavra medida, fielmente elaborada, para cada circunstância.

Talvez o meu texto possa parecer equivocado, talvez ele de fato seja equivocado visto que eu tenho absoluta certeza sobre minhas incertezas, mas o que é importante ressaltar aqui, neste nicho de leitura, é que cada um de nós carrega na testa um chamado único: Leia-mim, esteja em mim por um segundo.

Eu amo os livros porque eles são um meio para registrar a narrativa, levá-la para outros cantos, mas jamais poderia supor que a história do meu leitor diz menos ou é desimportante frente ao texto, isto seria como acreditar que a roda é o próprio movimento.

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Ah, e antes que eu me esqueça, para quem trabalha com crianças, jovens e adultos em situação de não-alfabetização, reforço uso dos livros ilustrados e as narrativas com imagens, entre eles, Dois Passarinhos, de Dipacho (Editora Pulo do Gato), A Onda, de Suzy Lee (Editora Cosacnaify, já extinta), Haicais Visuais, de Nelson Cruz (Editora Positivo). E permitam que a história aconteça com protagonismo dos leitores.

 

 

 

sobre minha mãe

Minha mãe levava uma bolsa pequena. O dia que desfiz a bolsa juro que pensei em como era simples a vida da minha mãe, de uma simplicidade que chega a assustar a gente, sem batom e sem rímel, sem papéis amassados, sem um doce qualquer. Na carteira, no lugar dos documentos e cartões de banco que não se viam, uma foto minha da época em que saí da casa dela para viver a minha vida… Sozinha.

Esse estar só é um estado de quem se percebe sem ter com quem repartir o peso do mundo, talvez seja até mais egoísta, pode ser o pesar de não ter quem nos ampare com um ‘tudo vai ficar bem porque estou aqui ao seu lado, e assim ficarei’. A gente se dá conta de como as pequenas coisas são grandes.

“Assim como um trovão. Tanta coisa pra lembrar e fui me lembrar do beijo. ‘Eu não beijiei mamãe esta manhã, Artur, e não vou beijá-la nunca mais’, choraminguei, mordida de remorso. Ele não me respondeu, perdido que estava em algum lugar onde eu não podia penetrar.”

Como prosseguir a vida sem estar com quem desejamos estar, como avançar projetos e concluir pequenas alegrias tendo coragem para sorrir e brincar e seguir em frente?

Quando minha mãe perdeu a mãe dela, a desorientação foi tamanha que ela me disse que desejava morrer. Fiquei muito revoltada com aquela frase, não compreendi nada e nem queria porque era a minha mãe dizendo que não queria estar viva ao meu lado. Pobre de mim, não pude perceber a metáfora pra dor que ela sentia.

Poucos anos depois, eu chorava a morte de minha mãe. Atordoada entre pessoas que me diziam que eu deveria ser ‘forte’, e outras que me lembravam ‘você tem os seus filhos’, meu desejo era desfalecer, cair no chão frio daquele lugar frio em que nada fazia o menor sentido.

Eu tinha 42 anos quando perdi minha mãe, ela aos 63. Minha mãe tinha 60 quando perdeu minha avó com mais de 80…

Não sei por qual razão, pensar que eu ao menos tinha vivido com minha mãe durante a infância e a adolescência, assim como grande parte da vida adulta, aos poucos me confortava.Image result for sozinha edelbra editora

Sozinha, obra de Márcia Leite, conta a história de Júlia, uma adolescente que é surpreendida com a notícia de um acidente de automóvel que coloca fim à vida de sua mãe. Naquela manhã, ao se despedir da mãe e entrar na escola, como tantas outras manhãs iguais, Júlia não dá um beijo que seria o último.  A partir daquilo, com o mundo de cabeça pra baixo, Júlia tem que superar a dor na sua trajetória de autoconhecimento, tomando decisões e escolhendo caminhos para tornar sua vida possível.

Numa narrativa que começa por resgatar a tristeza profunda que Júlia, a personagem, vivencia durante sua perda – e que muitos de nós já conhece, a autora consegue transcender o sofrimento para alcançar diálogos que a menina teria com sua mãe e que, agora, acontecem dentro dela a partir das memórias dos dias em que as duas viviam juntas…

Aos poucos, Júlia e nós, como leitores de nossas próprias jornadas, restabelece um eixo de harmonia para os seus dias, assimilando a falta da presença da mãe no amor que resiste dentro dela, compreendendo a solidão como um estado e não a própria existência.

“Coragem, Júlia, vai dar tudo certo!”.

Sempre é bom ter alguém que não tenha receio de nos dizer isso no meio de um abraço.