Vamos de história? #roteironainternet

 

Ana Luísa Lacombe é atriz e atua desde 1981. Por seu trabalho como atriz, ela já recebeu prêmios importantes, reconhecimento do público e da crítica especializada. faz mais de 15 anos que Analu, assim chamada pelas amizades, tem se dedicado à arte de contar histórias.

Neste sábado, junto com as aventuras de sua gatinha companheira, Aurora, Lacombe recuperou muitas histórias e poemas para homenagear os bichinhos de estimação que se tornaram companheiros essenciais para a vida de muitas pessoas, especialmente nesse tempo de isolamento social.

Ana Luísa Lacombe também é autora de livros, compositora de canções e intermediadora em cursos para narração de histórias. No site Faz e Conta, a artista mantém um site com informações sobre seu trabalho.

Agora, minha gente, ajeita a almofada, chama a família e os bichos que fazem parte da família, porque é hora de ouvir história com essa narradora muito especial:

 

E aí, vamos de história? #roteironainternet

Sem trilha sonora, não tem história. Desculpa lá, a gente precisa daquela música  embalando a emoção, preenchendo a imaginação com frases, imagens e melodias… E para sacudir e elevar o astral? Cantar uma canção é receita fatal! A música conta e faz a história, e quando a gente se dá conta está repetindo a letram, dançando pela casa: música é chiclete no asfalto quente, gruda com força na gente. Por isso, nada melhor do que escolher bem o que vamos escutar, aonde vamos nos “grudar”.

Nosso roteiro pela internet, começa com cantoria, na voz da cantora e narradora de histórias Mariana Per. Afasta a mesa da sala e aumenta o som!!

 

 

E depois de viajar com as canções que ecoam de Mariana Per, vamos dar um rolê pelo mundo do CANTO QUE CONTA de Cristiano Gouveia. Cristiano conta história com composições próprias misturando múltiplas linguagens. Eu nem preciso falar que essa nossa viagem tá pra lá de aconchegante…

Bora compartilhar com nossas amizades?

Ah, e não se esqueça de se inscrever nos canais dos artistas: Mariana Per e Cristiano Gouveia, ambos no Youtube. Aproveita para deixar lá um recadinho carinhoso, agradecendo pelos vídeos. Garanto que eles vão adorar.

E aí, vamos de história? #roteironainternet

Mochila nas costas, pé na estrada! É hora de seguir viagem conhecendo novos mundos. No nosso caso, a viagem é aí dentro da sua cachola com ajuda de um computador ou de um celular que acesse a internet.

Ixi, você não imagina como era viajar pela internet no tempo do guaraná de rolha, quando a linha telefônica discava e fazia um barulhão conectando. Eu ficava rindo de pensar na possibilidade, em algum momento, que aquele chiado falasse comigo, dizendo assim: “No momento não foi possível completarmos a sua navegação”. Pena que nunca falou. Se fosse hoje, garanto que falaria. A tecnologia vai de vento em popa. Sabe o que é popa? Bom, para bom navegador, essa palavra é pingo em letra bem fácil de decifrar. Mas e para quem navega pela internet sem nunca ter colocado os pés dentro de um barco de verdade?

Opa, por falar em verdade. Verdade mesmo é que as histórias, tantas que achamos por aí a cada porto que visitamos nessa viagem, podem nos colocar dentro de barcos, aviões, balões, ou até em cima de uma mula. Mas e se a mula der ré e falar com a gente, hein? Porque mula dá ré, não sei se você sabe…

Pois é, popa, vento, mula, história pra dedéu. Melhor a gente entrar na casa do compadre Giba Pedroza e passar uma temporada por lá, quem sabe aprendendo umas coisas novas com os causos que ele poderá nos contar.

 

 

Giba Pedroza é narrador de histórias e escritor. Entre seus livros já publicados, estão: A lenda do preguiçoso e outras histórias; Alecrim dourado e outros cheirinhos de amor, em parceria com Lenice Gomes; e outros mais. Procure saber. Ah, e o mais importante: divirta-se também com o Cafuné (no canal Giba Contos, youtube), uma série de vídeos em que Giba conta histórias mediando a leitura com sua filha Olívia.

livro: Lenda do preguiçoso e outras histórias, A, de Giba Pedroza

E aí, vamos de história? #roteironainternet

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A nossa viagem pela internet encontra caminhos cruzados o tempo todo, é um jogo de esquinas paralelas e sobrepostas, parece coisa de outro mundo, e no final da rua tem uma placa com convites variados. O desafio da escolha no clique: para onde eu vou agora? Aconteça o que for, saiba: quanto mais você aprender, mais ainda terá por conhecer. Por isso, é importante correr o risco, encarar a emoção da aventura por terras nunca antes navegadas.

A imaginação é um terreno fértil com mágica de multiplicação. Na faz de conta não existe um mais um igual a dois, porque um nunca é um, e o dois por dentro tem milhares de pequenos pontos de luz que nos levam para outras viagens. Além disso, tem muito conhecimento que vem em história muito muito antiga, de muitos muitos povos. E você sabe, né, conhecimento é feito da mesma mágica da multiplicação que existe na imaginação.

Já reparou, quanto mais a gente lê e ouve histórias, mais histórias queremos conhecer.

Será que ficou confuso? Calma, calma, respira! Epa, não precisa fazer manha, nem chororô! Eu sei direitinho como ajudar a escolher um percurso especial em bem querência e imensa sabedoria.

Meu nome é Penélope Martins, eu sou escritora e narradora de histórias e, junto com você, estou a buscar mais e mais histórias para ver, ouvir e contar.

Prepara o fôlego para mergulhar pelas terras do youtube, onde existe o pequeno vilarejo chamado Agbalá. Mas não se engane, Agbalá tem como porta de entrada um cabaça que se abre para contar histórias, porém, por dentro dela é tem um continente inteiro!

 

 

Quem conta histórias no Agbalá é a narradora, atriz e pesquisadora Giselda Perê, Mestre em Mitos e Contos Tradicionais Africanos e Afro brasileiros, intermediadora em cursos para educadores com práticas em arte-educação de combate ao racismo e a intolerância religiosa.  Giselda já atuou como coordenadora e educadora de diversos espaços, como o Espaço de Leitura e o Museu Afro Brasil, além de oferecer formação para educadores da Fundação Casa. Diretora na empresa Perê Produções, Arte e Educação, atuante em ações artísticas de culturas tradicionais, Giselda é uma referência na arte narrativa.

Bom, agora tem história a beça pra gente na voz encantada da Giselda… Eu não disse que a imaginação multiplica, então…

Então, até o próximo roteiro!!

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E aí, vamos de história? #roteironainternet

 

1 tratado
Nívola Uyá, ilustração para o livro Que amores de sons, texto de Alexandre Honrado e Penélope Martins. Editora do Brasil.

Castelos com reis e rainhas e príncipes e princesas, e festas, muitas festas onde músicos mágicos conseguem tocar mais de um dia e uma noite, sem parar. Florestas densas onde a luz do sol não adentra, e há uma serpente misteriosa que se comunica com uma mulher feiticeira que mora lá naquela casinha que ninguém sabe onde fica. Cavernas esquecidas que levam para o outro do mundo, onde fantasmas de piratas guardam baús enormes de ouro e lavas incandescentes saltitam dentro de algum um buraco que vai dar bem no coração da terra.

Desertos, luas, planetas… Tudo isso cabe na história.

Mas quem sou eu, o bem ou o mal? Heroína, herói, bruxa, mago, amazona ou cavaleiro?

Ao contar histórias, voltamos ao começo de tudo e de nós mesmos, apuramos a escuta, compreendemos nossas emoções, estabelecemos confiança em nós mesmos, refletimos sobre outras possibilidades de trilhar a jornada, investigamos a razão, alguma espécie de virtude nos faz acreditar. Somos um pouco de cada personagem ou cada personagem simboliza um pouco do que somos, porque a história é feita desse diálogo de fora e de dentro da gente.

É através das histórias, contadas por muitas e muitas gerações, que poderemos viver eternamente…

Meu nome é Penélope Martins, eu sou escritora e narradora de histórias e, junto com você, estou a buscar mais e mais histórias para ver, ouvir e contar. Também podemos andar a relembrar brincadeiras, canções, visitar museus e exposições, saber de alguns filmes dignos de dose dupla de pipoca e gomas… Essa viagem não terá fim, já sei bem. Por isso, considere como dicas por um roteiro interminável na viagem pela imaginação.

Bora lá? Pra já, vamos explorar as terras férteis do Youtube, onde narradores de história do mundo inteiro perpetuam vozes antigas de todos os povos.

A primeira cidadela que eu escolhi pousar foi a de Dona Regina Machado, escritora, narradora, educadora, e mãe do Festival Internacional Boca do Céu. Mas lembre-se, essa é a primeira viagem, e com Regina Machado tem muita história boa para ouvir, por isso, a gente vai passar uns tempos por lá, de um vídeo para o outro, aproveitando cada segundin bem passado…

Mas não se esqueça que eu volto aqui para seguir viagem!

 

Regina Machado também é autora de diversos livros, como Nasrudin, O menino e o vento, O violino cigano, todos com contos ótimos para contar histórias por aí. Ela também é autora do livro “A arte da palavra e da escuta”, uma reedição da síntese teórico-poética a partir de sua experiência dentro e fora da Universidade de São Paulo desde 1984, uma obra que estabelece função cultural, social, estética e educativa para a arte da narração, além de refletir sobre a importância de se contar histórias atualmente.

Foto 1 - Livro - A arte da palavra e da escuta

Bom, por enquanto, estamos assim, em excelente companhia. E logo mais a gente volta para a estrada da internet à procura do próximo pouso.

Até lá!!

 

Tenho mil irmãs para amar sem palavras – José Luís Peixoto

raquel

“Tenho mil irmãs para amar sem palavras.
Tenho aquela irmã que caminha encostada
às paredes e sem voz, tenho aquela irmã de
esperança, tenho aquela irmã que desfaz o
rosto quando chora. Tenho irmãs cobertas
pelo mármore de estátuas, reflectidas pela
água dos lagos. Tenho irmãs espalhadas por
jardins. Tenho mil irmãs que nasceram
antes de mim para que, quando eu nascesse,
tivesse uma cama de veludo. Agradeço com
amor a cada uma das minhas irmãs. São mil
e cada uma tem um rosto a envelhecer. As
minhas mil irmãs são mil mães que tenho.
Os olhos das minhas irmãs seguem-me com
bondade e, quando não me compreendem,
é porque eu próprio não me compreendo.
Tenho mil irmãs a esperar-me sempre, com
silêncio para ouvir-me e para proteger-me
no inverno. Tenho aquela irmã que é uma
menina que sai de casa cedo para chegar cedo
à escola e tenho aquela irmã que é uma
menina que sai de casa cedo para chegar cedo
à escola. Tenho irmãs como música, como
música. Tenho mil irmãs feitas de branco.
Eu sou o irmão de todas elas. Sou o guardião
permanente e incansável do seu sossego.
Eu tenho de ser feliz pelas minhas irmãs.
Eu tenho de ser feliz pelas minhas irmãs.”

José Luís Peixoto, in Gaveta de Papéis

O tempo de ouvir, o tempo de ler, o tempo de contar nossas histórias

A convite do Clube de Leitura Quindim, Penélope Martins conta…

 

 

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Fernand Leger  (1881 – 1955)

 

Quando eu era pequena, minha avó, mãe de minha mãe, sentava ao meu lado para ensinar o tricô. Minha avó contava os pontos. Laçadas. Tranças. Dizia: “é matemática pura!”. Contava que ela mesma tinha feito casaquinho e manta para me vestir bebê. Eu enchia os ouvidos dela com as minhas perguntas. Ela não perdia o ritmo, alfinete, linha, agulha, tec tec tec, entre as histórias também vinha uma canção da casinha com varanda na beira da praia: só vendo que beleza. Minha avó se chamava Laura, como as folhas de louro. O nome dela era um presente para desejar boa sorte.

Cresci perto de meu avô. Ele veio para o Brasil por causa de uma ditadura. Saiu de lá com seis filhos e ainda teve uma última aqui, brasileirinha. Meu avô era um homem de aldeia, arado, enxada, semente. Tinha jeito com as plantas. Um dia  eu perguntei: “avô, porque não plantamos flores nos canteiros?”; ele só repetia “flores não se comem, flores não se comem”. Depois ele virou pescador. Suas mãos eram magras e fortes, sua disposição para fazer e fazer e fazer. Além do mais, o avô tinha força na palavra, e o mesmo sotaque que eu escutava timidamente cantar na boca do meu pai. O nome de meu avô era Valentim, uma dádiva de bravura.

Minha mãe era brasileira, meu pai é português. Fui batizada com nome de rainha, Penélope, história de espera antiga, lá de antes da Grécia. Meu pai não queria esse nome, mas achou bonito porque foi minha mãe quem tinha escolhido. Cresci ouvindo as histórias daquela Penélope distante de mim e perdida numa história de mil fios. Os fios que minha avó tricotava enquanto meu avô, este mineiro, aumentava o volume do rádio para escutar a tristeza do Jeca.

Não tínhamos muitos livros para crianças quando eu era pequena. Minha família não lia livros. Eram todos trabalhadores braçais, feirantes, tricoteiras, caminhoneiros, agricultores… No entanto, todos eles me contavam histórias e ouviam com muita atenção o que eu tinha a dizer.

Hoje eu não tenho mais meus avós, faz imensa falta o cheiro do feijão na panela de minha avó, eu poderia comer sardinhas fritas na manhã de domingo, e nem minha mãe pode mais me telefonar para dizer que me ama. Todos eles me enchem de saudades. Acho injusto, inclusive, porque eu continuo tendo um monte de perguntas para fazer sobre as nossas histórias. O tempo passa depressa.

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Revisito minhas memórias para contar… A história da história é o encontro, uma trama que se tece aproximando nossa ancestralidade com os dias de hoje, numa composição múltipla que traduz nossas vidas. Cada palavra é um pequeno fio de linha, um botão, um elemento preciso. Quem ama sua história reconhece o peso de cada palavra dita, ouvida, guardada.

Crescer numa família que conta histórias não nos torna leitores de livros, mas faz com que possamos ler o mundo e suas gentes, vozes, formas, cores, movimentos. As histórias podem desenvolver em nós a sensibilidade para enxergar a narrativa de todo ser vivo e sua composição com o todo do qual também fazemos parte.

Mas é essencial não esquecer: o tempo é ágil e as histórias são muitas. Precisamos aproveitar cada segundo cultuando a experiência de trocar boa palavra por palavra de bem querer.

 

 


A imagem pode conter: uma ou mais pessoasPenélope Martins, escritora e narradora de histórias, pensa a história com desdobramentos para melhorar a vida cotidiana, transcendendo a obra para um fazer coletivo de leitores, uma possibilidade de reunirmo-nos com nossas memórias e características culturais para prática de empatia. Entre seus livros publicados estão A incrível história do menino que não queria cortar o cabelo, pela Editora Folia das Letras; Poemas do jardim, pela Editora Cortez, Quintalzinho, pela Editora Bolacha Maria; Princesa de Coiatimbora, pela Editora Dimensão; e Que amores de sons, pela Editora do Brasil.

Histórias da Cazumbinha

Cazumbinha nasceu em uma comunidade quilombola no interior da Bahia. Às margens do rio São Francisco viveu a sua infância a brincar, cantar, comer fruta no pé e mergulhar naquelas águas. Tinha inclusive um cavalo de nome Pensamento, a quem vivia a provar seu amor, pulando sobre ele sem dó. Quando aprendeu a ler e a escrever, decidiu, então, contar o seu universo ao mundo. Daí surge o livro Histórias da Cazumbinha, de Meire Cazumbá e Marie Ange Bordas, fruto de um projeto com as crianças do quilombo baiano Rio das Rãs. Ouça um trechinho da história na voz de Penélope Martins.

 

Essa publicação é originária do Blog das Letrinhas. Acompanhe também essa leitura:

http://www.blogdaletrinhas.com.br/conteudos/visualizar/Historias-de-uma-infancia-quilombola