uma mulher negra

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O que pretende essa autora que reúne quinze histórias de mulheres negras, todas destinadas ao esquecimento por força de um flagrante racismo que dilacera nossa cultura?

O que pretende essa autora ao contar as histórias em versos, como se para nós cantasse a ancestralidade,  e encerrar cada uma delas com uma breve e precisa biografia que corporifica a experiência de leitura?

O que pretende essa autora que, ao final do livro, convida sua leitora e seu leitor a escrever nas linhas vazias uma história de uma heroína negra que tenha marcado sua  vida?

Jarid Arraes é essa autora. Uma escritora que pensa o seu tempo à luz da história e que não deixa esvaziar as palavras capazes de registrar os signos e os significados de cada episódio.

Heroínas Negras Brasileiras é meu primeiro encontro com Jarid. Primeiro eu tomei o livro num único gole, sedenta de saber quem, onde e os inúmeros porquês. Um sentimento de orgulho me envolve. Nem eu mesma sei a razão disso. Jarid é uma mulher, eu também sou uma mulher, e isso me comove com uma simplicidade pueril de quem reconhece na outra algo de si. Depois afasto o livro, sem esquecer dele. Deixo por perto,  vou lá de vez em quando e leio uma história, leio as biografias. Fecho o livro e um golpe me acerta o meio do peito. Já não vejo Jarid. São dezesseis mulheres me olhando pelas páginas do livro. Na verdade, o dia de hoje, são dezessete mulheres, porque também vejo escrito em vermelho o nome de Marielle.

Ontem, hoje. Voltei ao livro de Jarid não por acaso.  Li, disse em voz alta, escutei as vozes, como descreveu Cecília Bajour em seu livro Ouvir nas Entrelinhas*, deixei vir lágrimas, sorri de satisfação, refleti profundamente sobre quem, onde e inúmeros porquês.

Ao final do livro, a maturidade da escritora Jarid Arraes nos atravessa. Um convite ao reconto – linhas vazias para que completemos ali com uma história de uma mulher negra que tenha marcado a nossa vida.

Sim, talvez eu não tenha mencionado até agora, Jarid é uma mulher negra. Uma escritora mulher e negra. E foi a escritora que é essa mulher negra que me fez encolher os ombros na poltrona e voltar ao lugar originário de mim mesma, lá no colo de Zinha, ou nas broncas que eu ouvia de Zezé.

O que Jarid pretende com esse livro talvez somente ela possa responder. Para mim, mulher branca, mãe de um garoto negro mas ainda mulher branca, que ontem foi menina criada pelas mãos de duas mulheres negras, mas que ainda assim era uma menina branca – e agora, mulher branca cada vez mais consciente do que essa condição representa, Jarid quis recontar a história ressignificando as nossas trajetórias.

Fica sempre a pergunta pairando no ar, quem são nossas heroínas, nossos heróis…

E eu não vou falar da importância desse livro para meninas porque é explícita. E eu não posso falar da relevância dessa voz para as meninas negras porque eu, embora tenha empatia, não vivencio o lugar dessas meninas. Mas fica aqui, até a última letra do meu texto, a generosa partilha que vem da voz narrativa dessa escritora, Jarid Arraes, a convicção de que essas histórias não serão esquecidas.

 

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Serviço:

Para comprar Heroínas Negras, de Jarid Arraes, visite: https://polenlivros.lojavirtualnuvem.com.br/

* Ouvir nas Entrelinhas, de Cecília Bajour, está disponível com selo da Editora Pulo do Gato: https://editorapulodogato.lojaintegrada.com.br/

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