Lia e o feitiço das palavras

 

A imagem pode conter: 1 pessoa, sorrindo, sentado e área interna
– fotografia Carla Bea, na Livraria NoveSete –

” Sou atriz e já escrevi algumas peças teatrais para crianças. Fiz muita contação de histórias, a maioria com textos meus. Um dia me peguei contando para crianças de cinco seis anos uma história muito triste e decidi mudar o rumo da narrativa, mas junto com isso mudei o meu rumo também.”

 

Nos primeiros segundos de prosa, descubro que Marília Moreira tem vocação pra brincadeira – ih, rimou. Eu soube de Marília depois da leitura de seu livro “Lia e o feitiço das palavras”, um conjunto de pequenas histórias e poemas que são servidos por uma feiticeira para uma princesa tristíssima.

– Mas de onde vem uma princesa tristíssima pra começar essa história?

“Mora ainda em meu peito

na ala nobre da memória,

a doce menina Lia.

Conto, a você, sua história.”

“Depois daquele dia em que mudei o rumo da história por conta da angústia que trazia, fui dar aula de inglês e tive uma aluna que era incrível, espivitada, um furacão, não parava quieta, e eu adorava ela!!! Um dia eu a encontrei jororô, não pulou no meu pescoço como de costume, mas me recebeu sentadinha na beira da cama com o rostinho enterrado nos joelhos. Daí escrevi para ela ‘A Lágrima e o sorriso’. Este foi o primeiro dos poemas que compõem a história de Lia.”
“Eu já tinha a ideia da história para conduzir o aparecimento dos poemas, já tinha usado recurso parecido no teatro alinhavando poemas de Cecília Meireles, Cora Coralina, Patativa do Assaré e outros. Depois desse começo com o poema “A lágrima e o sorriso”,  comecei a fazer meus próprios poemas para rechear a história da Lia.”
Marília brinca com métricas variadas, explora as possibilidades de ritmo das rimas, conta a história sem deixar o leitor desgrudar do virar de página até ele construa a sua própria travessia junto com os sentimentos despertados pela Feiticeira em Lia. Aliás, o preâmbulo do livro já anuncia o propósito da história quando pergunta ‘Onde começa o começo?’, numa oferta generosa de diálogo entre a escritora e seus leitores.
Pela força da conversa presente no livro, Marília seduz, lança um feitiço, e conquista. Pergunto pra ela se é isso mesmo, se a narrativa é pra acalentar as crianças num papo sobre o medo de enfrentar a vida e seus desafios. Sinto que ela dá uma risada de bruxa, hehehehe, e eu rio junto: “É isso mesmo, um diálogo constante entre a feiticeira e a criança que habitam em mim ( em todos).”
Claro que dessa prosa poética não podemos deixar de saudar o trabalho de Maria de Betania Galas que trouxe pra narrativa o mistério do teatro de sombras e a minuciosa revelação da relação que vai se desenvolvendo entre a feiticeira e a menina.
Por fim, ou desde o começo, tem Zeco Montes na edição, bordando gente que antes não se conhecia para fazer uma história num pequeno formato de grande delizadeza.
Eu fui pega pela poção mágica e por isso espalho as palavras mágicas, Lia e o feitiço da palavra, de Marília Moreira e Maria da Betania Galas, com selo da Ozé Editora (São Paulo), vem pra morar entre os livros prediletos.
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