a bailarina

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A profissão de bufarinheiro está regulamentada; contudo, ninguém mais a exerce, por falta de bufarinhas. Passaram a vender sorvetes e sucos de fruta, e são conhecidos como ambulantes.

Conheci o último bufarinheiro de verdade, e comprei dele um espelhinho que tinha no lado oposto uma bailarina nua. Que mulher! Sorria para mim como prometendo coisas, mas eu era pequeno, e não sabia que coisas fossem. Perturbava-me.

Um dia quebrei o espelho, mas a bailarina ficou intacta. Só que não sorria mais para mim. Era um cromo como outro qualquer. Procurei o bufarinheiro, que não estava mais na cidade, e provavelmente teria mudado de profissão. Até hoje não sei qual era o mágico: se o bufarinheiro, se o espelho.

– Carlos Drummond de Andrade –

* este texto está publicado em Conversa de Morango e outros textos cheios de graça, com ilustrações de Fido Nesti, selo da Editora Companhia das Letrinhas, de São Paulo, Brasil.

** esta publicação é uma contribuição semanal de Penélope Martins, direto do Brasil para a ponte com os irmãos portugueses, na rubrica É do Borogodó!

 

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