pouco é muito

Na floresta do querer, existem duas irmãs que não se dão muito bem. Na verdade, uma delas até tenta melhorar a relação, mas a outra é tão fechada e nunca se deixa afetar. Os nomes das irmãs são Generosidade e Avareza. Nasceram gêmeas, ambas da mesma mãe, a Dona Vontade – que é uma senhora muito voluntariosa, cheia de chiliques, mas também muito feliz e animada, só que esta não é a história da Vontade…

Generosidade é atrapalhada, mete os pés pelas mãos algumas vezes tentando ajudar pessoas que passam pelo seu caminho e que ainda nem pediram ajuda. Avareza nunca abre a porta da sala e se, eu disse SE, tiver que receber alguém em sua casa, por força de algum impositivo, será pela porta da cozinha, que tem capacho grosso e não tapete persa. Avareza acha muito arriscado gastar o tapete com pés alheios, mesmo os dela.

Pois bem, já ficou claro que as irmãs Generosidade e Avareza não conseguem se entender, acontece que algo pior segue a discórdia entre irmãs. Os tradicionais amigos das gêmeas também se dividiram: uns se tornaram íntimos da Avareza, ela sabe seduzir muito bem seus seguidores com promessas caras de ouro em pó; outros, mais sonhadores e desavisados, bobos e bocós, mesmo esfolando os joelhos nas calçadas com atropelos e fiascos, simpatizam demais com Generosidade, ela sempre acha um caminho para prosseguir sem abandonar ninguém.

Quase não dá pra acreditar que são irmãs, muito menos gêmeas! Não fosse o olhar e as mãos. O olhar brilhante e reluzente que se se estende por cobiça ou por empatia, dependendo do caso. E as mãos grandes das duas, prontas a apanhar qualquer, embora uma se apegue ao metal, outra ao humano.

E as histórias seguem. Em paralelo. Não há possibilidade nenhuma revermos um amistoso chá com biscoito entre as gêmeas. Uma grande pena. Avareza se recusa terminantemente a receber sua irmã, diz que ela é gastona, num sabe apreciar as boas coisas da vida, sempre andar com perdulários, vagabundos, farrapos…

Eu conheço uns amigos de uma e de outra. Estou mais para bocó, então já sabem quem mais me afeta…

Assim também o senhor alfaiate, avô do meu amigo Davi, que costurou um cobertor para o neto logo que ele nasceu, o que mais tarde era só farrapo gasto manchado de pudim, macarrão, caramelo… pra desespero do Davi! A triste sina de quem não quer ser avarento e leva consigo a coisa a gastar pelo caminho…

Felizmente o avô alfaiate é generoso nas prendas e sabe fazer muito de pouco. Do cobertor fez um casaco, e o neto, ah, o neto, ficou doido de contente para não poupar o casaco de visitas aos parques, museus, escorregas, jardins, jogos de peteca, pudins, molhos, caramelos…

– Ai, avô, e agora que meu casaco está roto, manchado, só farrapo gasto de tanto viver?

E a história segue.

Por sorte, o avô de Davi é convicto seguidor da irmã Generosidade.

E você, com quem se afina?

Sobre as irmãs, contei eu, aqui neste cantinho de generosidade com histórias, mas sobre Davi há muito mais a saber, com o pequenino grande livro POUCO É MUITO, história recontada por Ana Lasevicius (texto) e Ionit Zilberman (imagens). A editora é de São Paulo, Nós.

2016-11-10-11-50-22

 

 

 

 

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