vento forte…

O livro Vento forte de sul e norte, de Manuel Filho (Editora do Brasil), foi, recentemente, indicado ao prêmio Jabuti de melhor livro juvenil.

No dia em que foi anunciada a lista dos livros indicados ao prêmio, numa feliz coincidência, eu estava ao lado de Manuel numa festa de literatura… Entre uma história e outra, um poema, uma canção, antes que eu entrasse em cena para me apresentar, Manuel me disse que tinha acabado de chegar uma mensagem no celular com a notícia.

Vi nos olhos de Manuel que aquele livro era muito importante pra ele…

A sinopse anuncia: “Desde criança, em alguns momentos da vida, Luísa teve de enfrentar várias situações de preconceito e aceitação. Quando chamou Henrique para sua casa a fim de ajudá-lo com as aulas de Matemática, jamais pensou que ele agiria como tantas outras pessoas. Mas e aquela repentina aproximação de Gabriel? Será que ele realmente era um idiota como seu amigo Henrique? Uma história envolvente que lida com assuntos como homofobia, racismo e preconceito, mas na qual a amizade e o amor farão Luísa, protagonista deste sensível texto, tornar-se forte para aguentar os ventos do sul e do norte.”

VENTO FORTE, DE SUL E NORTE

Mas eu não poderia me contentar com a sinopse sendo amiga do autor… Quis saber e pedi pro Manuel dizer aqui um pouco mais sobre o sentimento que o impulsinou a escrever esta história com tantas questões sobre preconceito e intolerância.

“Quando escrevo um livro, eu pesquiso, leio, procuro ouvir pessoas. Para criar o VENTO FORTE, DE SUL E NORTE, Editora do Brasil, não foi diferente o processo.  Assim, fiquei sabendo que um jovem passou todo o seu período escolar, a infância, apanhando dos amiguinhos porque “parecia gay”. Outro, foi expulso de casa pela própria mãe ao se assumir e um pai teve a orelha cortada ao andar de mãos dadas na rua com o próprio filho porque foram confundidos com um casal homossexual.

Diante de tanta violência, eu decidi que contaria essas histórias para os jovens, pais e, quem dera, para o mundo.”

E eu perguntei como foi ver o livro indicado ao prêmio…

” Ao descobrir que esse meu livro se tornou finalista do Prêmio Jabuti de Literatura, um dos mais prestigiados do país, fiquei extremamente contente, pois a história de Luísa e seus pais, Otávio e Walmir, ganhariam uma visibilidade permanente que é e sempre será muito importante.

Ninguém nasce com tanto ódio, disposto a querer a morte de quem é diferente, meramente por esse motivo. O preconceito, o medo e a covardia apresentam um papel predominante para estimular o ódio, fundamentá-lo e dar razões a ele.

O consumo também exerce sua parte. Basta verificar que nas TVs abertas a programação infantil desapareceu, pois se tornou muito difícil colocar anúncios nos intervalos. Assim, oferece-se ao público assassinatos, assaltos, mortes violentas e roubos em qualquer horário do dia. Essas coisas terríveis não irão desaparecer caso deixem de ser veiculadas, mas elas tomaram o espaço que havia para a fantasia. Crianças pobres, que não possuem acesso aos programas da TV fechada, são alijadas de algo que os livros oferecem há milênios: cultura, desenvolvimento. Mas os livros também estão distantes desses jovens, pois a educação está sendo igualmente dizimada em nossos dias.

Há muito o que se fazer. As famílias possuem diversas configurações, não é somente aquela apresentada nos comerciais de margarina, de gente feliz usando internet rápida.

Não é possível que nossas vidas tenham que ser esse eterno “comprar e vender”. Quando sairmos desse círculo vicioso, do parecer, do ostentar de uma roupa até nossos corpos, talvez a empatia com o sofrimento alheio torne o mundo um lugar melhor para se viver.”

Sim, Manuel Filho, a gente tem que quebrar esse sistema alimentado por generosas porções de ódio, e nada melhor do que uma história colhida das mãos de um escritor que também sabe cultivar flores…

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