botão de rosa

Quando nos mudamos pra nova casa, a existência de um pequeno quintal realizou projetos antigos: ter uma rede pra descansar, ver o jasmim se enroscar no pergolado, cultivar pequenas árvores que pudessem crescer em vasos, sentir o aroma acolhedor da lavanda e da alfazema…

Passamos a colher manjericão, hortelã, cidreira e até morangos. Entre experiências botânicas, fomos desafiados a reconhecer a força da paciência e da perseverança.

Um pé de alface, por exemplo, demora três meses para crescer ao ponto de colheita. Os rabanetes, mesmo pequeninos, devem esperar debaixo da terra no mínimo de 60 dias.

A roseira do jardim vez em quando dá botão e floresce. Vez em quando é uma festa. O resto do tempo ficam lá folhas no caule espinhoso, carecendo atenção para poda, água, terra nutrida.

A nova casa com o pequeno quintalzinho se revelou um grande laboratório de sentimentos.

Uma vez, meu pai me disse para desistir de uma folhagem que estava muito feia mesmo. Tive pena de jogar fora a plantinha; ela estava minguada, mas ainda vivia, resistindo à sua própria decadência. Deixei o vaso e a folha única. Demorou um ano para voltar a ser um espetáculo de novos brotos e folhas cada vez mais largas…

Entre plantas, temperos e livros, paixões que se assemelham na forma de cultivar e usar, amigos observadores também contribuem para reflexões que nos fazem viver melhor.

Manuel Filho, recentemente lançou um novo livro, Meu pequeno botão de rosa, uma fábula contemporânea que conta a história de uma abelha doceira fascinada pelo broto de uma rosa. A abelhinha faria o melhor mel com pólen da rosa, mas era preciso paciência até o ponto em que a rosa crescesse, amadurecesse e se abrisse. Não seria necessário arrancar da roseira, nem despetalar a rosa; bastava um cocegar de patinhas no pólen pra colher o necessário. E os dias da confeiteira se sucederam na ardente espera: ver nascer a flor ao pé de sua janela. Acontece que o grande dia chegou e a rosa? Sumiu…Image result for meu pequeno botão de rosa vicente mendonça

Não vou me estender e nem vou revelar toda história, deixo apenas um convite: cultivem plantas e livros – duas ótimas maneiras de rever a narrativa da vida valorizando cada segundo de brava existência, ou melhor, resistência no existir. Sim, é certo que haverão espinhos, mas paciência… também se colhe muito mel.

* Meu pequeno botão de rosa, texto de Manuel Filho, ilustrações de Vicente Mendonça, selo editorial Panda Books, de São Paulo.

 

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3 comentários em “botão de rosa

  1. Lindo texto, Penélope. Muito boa introdução para o livro. A vida de uma planta é uma verdadeira saga, não é mesmo? Obrigado e um grande abraço.

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