a princesa de coiatimbora

A princesa de Coiatimbora é meu novo livro, com ilustrações do autor Flávio Fargas, selo da editora Dimensão, de Belo Horizonte, Minas Gerais.

Não é fácil escrever um texto para apresentar o próprio livro (fiquei pensando nisso hoje, debaixo do chuveiro). Pode parecer pretensioso falar do próprio trabalho e dar elogios pra isso ou aquilo; por isso, resolvi contar o porquê de existir esse livro, como surgiu a semente que fez brotar mais uma história na minha cabeça cheia de tralhimtibiras…

Tudo começou num reino não-tão-muito-perto-nem-distante, enquanto a Rainha Lenga-lenga conduzia a carruagem da família no caminho mesmo de sempre, da escola de volta pra casa.

Por vezes, as histórias começam sem aviso prévio, sem momento ideal, sem aquele charme que a gente vê nos filmes – quando a escritora busca um chá de jasmim e se recolhe num quarto com vista para o mar.

Avisei aos meus filhos que precisaria estacionar o carro para escrever a ideia, não deixar fugir da minha cabeça. Naquela altura, eu já tinha aprendido que, quando vem uma maluca, a gente tem que escrever antes que ela se ressinta e vá morar no próximo artista que encontrar. Ideias são ninfas metódicas.

No caderninho de bolsa anotei tudo enquanto ia dizendo em voz alta o que escrevia, e os meus filhos concordavam rindo.

Em casa, revisando o texto, pensei nas nossas brincadeiras cotidianas, inventando brinquedos e dando nome pra tudo. Para combinar com a gente, tinha que ter um cão amigo que soubesse atravessar a toalha de piquenique com maestria e fazer pipi onde não deve. Era esse meu Reino de Coiatimbora, uma das minhas palavras inventadas para dizer algum lugar de vir, ver, viver e não querer ir embora jamais…

A menina princesa de Coiatimbora não usa coroa, nem vestido bufante com mangas de cetim. É uma criança inventiva que reina a brincadeira no quintal de casa, transforma pedrinha em amuleto, folha em asa, batiza canteiros e recolhe sementes para cultivar florestas dentro e fora do pensamento.

Meu filho transformava os utensílios de cozinha em armadura e banda de rock. Minha filha, num período da primeira infância, adotou como mascote um monte de restos de lã que ela arrastava pra todo canto.

As brincadeiras não se limitam aos objetos, também as palavras são brinquedos para as crianças. Nunca vou me esquecer quando Cacá disse que o irmão a ‘estuniava’. O verbo criado por ela passou a integrar nosso dicionário familiar. Estuniar servia para dizer mais que incomodar, juntava chatear e cutucar, mas poderia ser outras coisas. Nenhuma palavra, já existente, poderia expressar melhor o sentimento da menina do que sua própria criação.

No meio disso tudo, eu como fiel observadora, intermediadora e brincante, leio o cotidiano para criar histórias. Assim, surgiu A princesa de Coiatimbora, um conto de fadas contemporâneo, sem beijo de sapo ou de príncipe, mas com um duende maldengoso chamado Roçacaxixa que pode ou não ficar seu amigo.

Pra minha sorte, o autor das imagens, Flávio Fargas, compôs uma narrativa visual bem humorada e muito elegante, com desenhos e colagens que garantem o brilho do livro. Bom, o elogio fica registrado para o trabalho de Fargas, também pelo cuidado da editora Dimensão que juntou a gente nessa obra.

No mais, meus amigos, vou ali catar uns firulás pra brincar com os meus duendes amorosos.

Beijo!

 

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