um viaduto chamado minhocão

A editora Dedo de Prosa vai de poesia! O lançamento recente é o novo livro de Gil Veloso, Um viaduto chamado minhocão, com ilustras de Paulo Von Poser.

O livro apresenta um novo olhar sobre o grande viaduto que corta o centro de São Paulo. Lançando mão de sua escrita enganadoramente simples, Gil Veloso cria versos em que o espaço ora é personagem, ora é cenário, e nos fazem refletir sobre como uma grande edificação urbana criada à força e de maneira inadequada pode ser ensejo de encontros, contemplações e transmutações. Já o traço ao mesmo tempo livre e seguro de Paulo von Poser cria ilustrações que multiplicam as camadas de entendimento da obra. No que se refere à questão educacional, poemas e desenhos possibilitam reflexões a respeito de urbanismo e cidadania.

Pra além de um novo olhar sobre a Cidade de São Paulo, Gil Veloso consegue tramar um manifesto poético reunindo haicai, poesia visual, rimas e trocadilhos, até mesmo o assovio de uma canção do Maestro Antônio Brasileiro pode ser visto nas páginas do livro.

De cara, Gil Veloso desperta a empatia no leitor, com o poema Drummondiando:

“tem um MINHOCÃO no meio do caminho

no meio do caminho tem um MINHOCÃO”

 As imagens criadas por Paulo também seguem a mesma cumplicidade, entre cidadãos e a  grande cidade concreta. Há uma possibilidade de intervenção que se revela a cada nova página, um convite ao grafite e ao plantio de palavras no próprio livro, esse muro branco.

O que mais me impressionou foi a afirmação de uma pluralidade na cidade que se faz presente nas formas poéticas escolhidas por Gil e comunicadas em desenhos por Paulo.

Em tempos atuais, a gente precisava mesmo de autores que lembrassem ser a cidade nosso espelho. E que há um pedido coletivo de vivacidade. Ou viva_cidade.

“Vamos cuidar da metrópole

e deixar tudo mais lindo!

Que tal vestir os lugares

com roupas de domingo?”

Parafraseando Caetano Veloso, ‘alguma coisa acontece no meu coração, que só quando eu cruzo Gil Veloso pedalando no Minhocão’.

Fica a dica desse livro que já é favorito na minha estante.

Gil Veloso é paranaense e reside em São Paulo há mais de 30 anos. Por dez anos foi assistente do escritor gaúcho Caio Fernando Abreu. Editou o livro Pequenas Epifanias, de Caio Fernando Abreu (Sulina, 1996). Trabalhou também com Lygia Fagundes Telles e João Silvério Trevisan. Publicou Fábulas Farsas (2009) e Travessuras, histórias para anjos e marmanjos (2010), pela editora Opera Prima, ambos premiados pelo PROAC. Fábulas Farsas, ilustrado por Vanderlei Lopes, e Pois ia brincando… (Dedo de Prosa, 2013), imagens de Alex Cerveny, foram selecionados pela FNLIJ para os Catálogos de Bolonha (2010 e 2014). Também publicou pela Dedo de Prosa A pedra encantada (2011), ilustrado por Nara Amelia; O menino arteiro (2011), artes de Guto Lacaz.

Paulo von Poser iniciou-se em artes plásticas desenhando retratos e paisagens, antes de se formar em arquitetura pela FAU-USP. Desde 2007, exerce a função de professor. Ficou conhecido por suas rosas e, também, pelos desenhos retratando museus, praças e espaços públicos da cidade de São Paulo. Publicou o livro A Cidade e a Rosa (Luste, 2010). Comemorou 30 anos de exposições com as retrospectivas “Trajetória” (MUBE) e “Floração” (MAS). Participou de mostras nacionais e internacionais e seus trabalhos integram acervos de museus como a Pinacoteca (SP), MASP e Museu da Casa Brasileira (SP). Atualmente vive na cidade de São Paulo, produzindo, lecionando e envolvido em causas sociais e urbanas como o Parque Minhocão e o projeto Rios e Ruas.

 

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