quem conta um conto, aumenta um ponto

Era uma vez uma formiguinha que resolveu escalar uma imensa montanha. Acontece que já tinha chegado o inverno e, quanto mais subia a formiguinha, mais neve ela encontrava pelo caminho.

Com dificuldade, ela levantava seus pezinhos e os afundava novamente, até que ficou presa na neve, sem poder se mexer.

A formiguinha, pequena que era diante daquela neve tão poderosa, foi, então, pedir ajuda ao rei dos astros. Olhou para o céu, e disse:

– Sol, tu que és o mais poderoso dos astros, podes ajudar a soltar os pezinhos desta pobre formiguinha?

O Sol ao ouvir a formiguinha dizer que era ele o mais poderoso, imediatamente respondeu:

– Poderoso? Poderoso, eu? Nada disso; muito mais poderosa é a nuvem que vem me cobrir.

A formiguinha não recebendo a ajuda do Sol, foi então recorrer a nuvem, mas a nuvem também não aceitou ser descrita com tanto poder e deu incumbência ao vento que, por sua vez fez referência muro, e este se dobrava ao roer do rato e etc, etc etc…

Se depender de fim para a história, a formiguinha pode ficar na neve por muito tempo. Além disso, o narrador tem que ter boa memória para lembrar o caminho de ida e o caminho de volta deste conto.

Isso me faz lembrar aquela cantiga da árvore da montanha, ou, outra mais antiga, da velha a fiar com a mosca a incomodar, ou aquela outra…

Os contos acumulativos têm divertido várias gerações, não é por acaso que eles integram e não desgrudam da tradição oral narrativa.

Mas qual seria a importância de contarmos histórias infindáveis que acumulam partes e que desafiam o ouvinte a repetir tudo que se passou até aquele momento?

Primeiro, é de suma relevância que os ouvintes se divirtam com as histórias pois só o prazer é a chave mestra para despertar interesse pela narrativa que se pretende contar.

Para crianças de 6, 7 anos, a repetição é um instrumento imprescindível para seu relacionamento com o mundo e aprendizado de conteúdos. Redizer, recontar, repetir, é criar intimidade com o algo novo, é incorporar novos signos e significados a medida que se cria cumplicidade.

Além do vocabulário e das relações de causa e efeito, os contos acumulativos também aprensentam outra característica relevante para formar um bom ouvinte, futuro leitor autônomo e também indíviduo capaz de se expressar com palavras: o ritmo.

O pensamento precisa de ritmo para ter fluidez, assim também são as histórias.

Os contos acumulativos ajudam na construção desse ritmar de palavras, provocando no ouvinte uma percepção de tempo que se encaixa adequadamente aos acontecimentos narrados.

Esta construção composta por ritmo, vocabulário, desafio de percepção e diversão, embora seja muito apreciada por crianças em primeira fase de alfabetização, pode construir brincadeiras para rodas de leitura de todas as idades – porque o riso desperta desejo de viver e é para melhor viver que contamos histórias.

Aqui vai uma listinha de livros que brincam de repetir e acumular, indicado para todas as idades: O Grúfalo, de Julia Donaldson e Axel Scheffler, Editora Brinque-book; Bruxa, bruxa, venha a minha festa, de Druce Arde, Editora Brinque-book; A formiguinha e a neve, contado por Braguinha, Editora Moderna; Tinha uma velhinha que engoliu uma mosca, de Jeremy Holmes, Editora Amarilys; Pé-de-bicho, de Marcia Leite e Joãocaré, Editora Pulo do Gato; O macaco e a velha, de Braguinha, Editora Moderna.

E pra já um acumular de contos neste link de youtube para ouvir histórias com grandes intérpretes da nosso música.

Divirtam-se!

 

 

 

 

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