jogo da memória

Na última sexta-feira, sentada numa roda animada com crianças de 6 e 7 anos, brincamos de jogo da memória com um conto inventado que acumula informações à medida que passa para o próximo participante. O primeiro diz ‘esta é a mulher do homem que fez o vidro de remédio bom’, e o segundo é desafiado a somar ‘este é o cachorro da mulher do homem que fez o vidro de remédio bom’… Lá adiante, ‘este é o boi que bebeu a água que apagou o fogo que queimou o pau que feriu o cachorro da mulher do homem que fez o vidro de remédio bom’, e tudo mais que se conseguir somar à brincadeira até chegar ao último participante da roda.

O jogo seguiu  com o melhor dos maravilhamentos: as crianças não se comportaram como se estivessem em competição no desafio de memória, todos participaram incentivando, dando dicas e até ‘soprando’ as frases para que ninguém saísse da brincadeira.

Depois disso contei a  história ‘tinha uma velhinha que enguliu uma mosca’, de Jeremy Holmes (editora Manole), com artimanhas de horror e náusea. Também poderia ter cantado para eles aquela canção da velha a fiar, ainda o farei!

As crianças logo entraram na brincadeira, repetindo as rimas, somando as próximas etapas da brincadeira até alcançar o desfecho da história no livro de Jeremy.

A experiência tratou de valorizar o uso da palavra no seu melhor aspecto: prazer! A satisfação de brincar de contar histórias, interferindo com ideias novas, inclusive, cantando, instigando o outro a se lembrar…

Eu e as crianças  misturamos brincadeira de roda com leitura, dispensamos as formalidades e iniciamos uma pequena revolução.

Tenho trabalhado em ações com narração de história e mediação de leitura perseguindo como objetivo principal o prazer de ler, de ouvir, de descobrir novas referências, signos e significados.

Neste caminho, noto a importância de perceber o poder da leitura  afetuosa, mesmo com uso de algo simples como uma brincadeira divertida de trava-línguas. O intermediador da leitura pode usar o afeto  como sua ferramenta indispensável na sensibilização do ouvinte, um elo indestrutível que facilita o acesso aos elementos necessários para a formação novo leitor autônomo.

Obviamente, devemos buscar apresentar livros desafiadores, textos bem redigidos, livros construídos com harmonia de narrativa, mas o pulo do gato na formação do leitor é ligar a leitura diretamente ao prazer.

Por isso, recupero hoje o fôlego para brincar mais amanhã com as crianças (que me esperam). Comigo vou levar ninhos de mafagafos com sete mafagafinhos que serão desmafagafados por bons desmafagadores, ou, OU, OU, vou cantar a boa velha história da velha a fiar.

Fica a dica com o convite: venham para a roda!

 

 

 

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