criança leitora

Outro dia, conversando sobre os filhos serem leitores, falamos sobre uma percepção sensível quanto ao hábito de ler nas crianças, razão pela qual, resolvi partilhar neste texto.

A criança leitora gera um sentimento de confiança em seus pais, um misto de orgulho e satisfação que pode ser traduzido pelo jargão ‘missão cumprida’; por conta disso, os pais muitas vezes se olvidam em saber mais sobre o que lê e como se dá a leitura do título que o filho escolheu (ou da série).

Antes que isso possa parecer com um ‘conselho baseado nas minhas próprias escolhas literárias’,  deixo registrado meu positivismo quanto ao hábito da leitura em si. Se hoje vemos mais crianças leitoras, mais pessoas lendo em transportes públicos, mais gente interessada em se posicionar como frequentador de livrarias, algum tipo de avanço existe.

Todavia… A criança que escolhe o que lê, revela uma predileção por um universo, uma linguagem, além da identificação com os tipos de conflitos tratados nas relações das personagens. O orientador desse leitor em formação não pode se esquecer de participar disso, lendo junto, inclusive.

Minha filha é leitora. Logo cedo, ela se revelou apta a ler com autonomia. Ela escolhia o livro, sentava no sofá ou na cama, lia tudo. Obviamente, isso me dava satisfação, mas não deixei que isso nos afastasse. Reservei um espaço para, juntas, descobrirmos outras narrativas, com a leitura compartilhada. Ela está com dez anos e aprecia ouvir a história, comentar durante a leitura, ler para mim, também.

Entre os livros que lemos juntas posso citar alguns muito divertidos, como os volumes da série Otolina, de Chris Riddell, com selo da editora Galera Record; também Operação Dragão Amarelo, de Julien Press, editado pela Companhia das Letrinhas; Os Risadinhas, de Roddy Doyle, editora Estação Liberdade.

Meu filho passou a infância com livros, depois adolesceu e resistiu bravamente ao hábito da leitura. Eu unca gostei de bancar a mãe bruxa, mas não me arrependo da insistência que mantive (e aquela pressão materna do mínimo de títulos por ano). Na época, ele estava interessado em roteiros de anime (animação japonesa). Aproveitamos o interesse em anime para vermos algumas séries juntos. Exploramos conteúdos com debates, filmes, e livros sobre mitologia, por exemplo.

Os animes continuem parte da rotina da casa, também o curso de língua japonesa que meu filho optou seguir. Os livros voltaram para o dia a dia com prazer na escolha. Em véspera de completar seus quinze anos, ele está lendo Capitães da Areia, de Jorge Amado.

A leitura é um processo contínuo de revelação do próprio indivíduo. Ler junto com nossos filhos, conversar sobre o que eles gostam ou deixam de gostar, contar histórias lidas ou vividas ou assistidas em algum bom filme, tudo isso é instrumento para construir uma relação com proximidade.

Costumo interromper a leitura dos livros para dizer aos meus filhos, ‘escutem isso aqui’. E eles me devolvem com o sempre presente convite, ‘mãe, venha ver’. Fazemos das nossas escolhas pessoais motivos para manter o diálogo aberto.

Creio que não podemos nos deixar levar pelas impressões que colhemos da imagem formada a partir de uma criança com um livro. Uma criança lendo é bom, saber o que ela pensa e sente ao ler o que lê, é ouro.

Essas considerações sobre a formação do leitor, ainda que sejam vagas, nos levam a pensar em outro aspecto da relação pais e filhos: nós, pais, também estamos em contínuo amadurecimento, também temos muito o que aprender…e não há tutor mais eficiente do que um filho.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  • as imagens que ilustram o texto foram colhidas da internet, por isso a falta de indicação de autoria.
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