o rato que roeu o rei

Ninguém sabe como ele entrou. Um dia, belo e pomposo, ele estava lá, exatamente no pé do rei: o rato. Tinha o tamanho exato de um rato. Roía como todo bom rato rói e faz qüiqüi (tanta falta nos faz o trema). Todavia (não cotovia), era um rato e só. Rato solitário, porém solidário, que pra não ser só um rato chamou o primo e o irmão do vizinho, o tio da avó e a comadre da dona rata sua amiga. Num piscar de olhos, o reino do rei era reino de rataiada.

Pra toda infestação, há de se ter uma solução!

Quem num sabe que pra se livrar de rato, nada melhor que um gato. Encantado por um flautista – que se chama Rudolfo e que em outra história já fez sucesso com sua notável habilidade de reunir bandos com sua música hipnotizante – a conta de três felinos para cada rato fez os roedores se escafederam.

Restaram os bigodudos, com aquele ar soberbo de quem reina até na almofada real.

Mas, pra toda infestação, há de se ter uma solução!

Por isso foi chamado Felisberto, o feiticeiro louco e tocador de rabeca. Foi ele quem agrupou cães e cadelas pra afugentar bichanos. E na caça não sobrou nenhum que pudesse contar história. Ficou a raça canina e uma infestação de pulgas que a acompanhava desde sempre…

Quando o rei os mandou embora, eles rosnaram, fincaram patas. A solução foi chamar Chico Lobo, pastor de todas as feras da floresta, para expulsar a cachorrada. Vieram lobos, raposas e hienas, que colocaram os cães para correr. Correu, até, Chico, esquecendo de dar o assovio de ordem contrária.

Será que pra toda infestação, há de se ter uma solução?

Uma cidade de bestas é uma cidade abestada. Cabe até atirar melancia pela janela por conta da instrução de um tal mágico das frutas que veio com a solução de invocar uma manada pra banir os invasores. Aquilo resultou bem se não fosse o incômodo enorme de uma cidade atolada em elefantes.

Mais infestação? E o que afugenta um elefante?

Ora, ora…

Neste conto circular, com humor inteligente que faz rir até um cão raivoso e escrita incontestavelmente impecável que faz aplaudir até rato de biblioteca, o premiado poeta paraibano André Ricardo Aguiar constrói, de forma muito original a divertida história O rato que roeu o rei, publicado pela Editora Rocco na seleção de Jovens Leitores.

Tô pra dizer que eu não perderia essa dica de leitura por nada desse mundo. Nem por um milhão de ratoeiras douradas. Nem por uma melancia cara melada. nem por um saquinho de amendoins.

Corram lá e infestem a livraria!

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s