os gatos

O poeta T.S. Eliot nasceu em 1888, no Estado Norte-americano do Missouri, mas acabou se mudando para Inglaterra, onde se naturalizou cidadão, em 1927. Depois da guerra, nos anos 20, Eliot passou um bom tempo com outros amigos artistas em Paris, entre os tais, Man Ray, que fotografou o poeta.

A obra do poeta do simbolismo francês, Charles Baudelaire (1821-1867), exerceu grande influência sobre este poeta americano naturalizado inglês. Curiosamente, Baudelaire sofreu influências de um grande escritor americando, Edgar Allan Poe (1809-1849). Espetacularmente fantástico perceber elos estreitos entre escritores cujas obras marcam perídos distintos da Literatura.

A inquietação de Eliot também pode ser percebida em seu interesse no estudo do sânscrito e das religiões orientais; ele teve um grande mestre armênio para orientar essa parte de sua educação.  Mais tarde, convertido ao cristianismo pela Igreja Anglicana, reconduziria sua produção literária.

– fotografia de Man Ray –

Uma produção diversificada não escaparia de T.S.Eliot escrever algo destinado ao público jovem. Se não diretamente com este propósito, na década de 1930, o poeta deu de presente a seus afilhados e amigos uma série de poemas de gatos. Enviados por carta – que ele assinava como “o velho gambá”, apelido cunhado por Ezra Pound -, esses poemas narravam a vida de um grupo de gatos, do temível Mac Anália (o “Napoleão do crime”) ao mágico Sr. Mistófelis, passando pelo velho Deuteronômio e pelo teimoso Rin Tim Tan Tam.

Àquela altura, Eliot já se consagrara um dos grandes nomes da literatura do século XX. Com seu épico Terra devastada ajudara a redefinir a poesia inglesa e, no papel de crítico, revelou e defendeu escritores como James Joyce e outros modernistas. Os poemas infantis, no entanto, surpreenderam seus amigos pela graça e sensibilidade para com a psicologia felina, e em 1939 ele foi convencido a publicá-los. O que era para ser uma brincadeira acabou por se tornar um de seus trabalhos mais conhecidos.

Eliot recebeu o Nobel de literatura, em 1948. Após sua morte, os poemas dos gatos serviram de base para o musical Cats, um dos mais longevos do West End londrino e da Broadway.

Em original, Old Possum´s Book of Practical Cats, reúne versos de precioso humor e musicalidade imbatível. Seria difícil, portanto, uma tradução a contento.

Mas, nem todos os leitores estão aptos para o original em inglês e, pelo bem de se fazer conhecer notável literatura, a tradução vem bem a calhar…

Na versão em português, editada pela Cia das Letrinhas, o poeta Ivo Barroso atravessa o desafio de transmitir ao leitor a magia dos gatos de T.S. Eliot. O livro vem muito bem acompanhado pelas ilustrações de Axel Scheffler.

O leitor desvendará a arte de dar nome aos gatos, mesmo que a tarefa faça-o parecer ‘doido igual a um chapeleiro’; mergulhará num mundo de tigelas de leite roubadas; gatos que desaparecem misteriosamente. Gatos atores, gatos pobres, ricos e de todas as espécies. E aprenderá também uma daquelas verdades que só os grandes poetas sabem nos dizer: um gato não é um cachorro.

A impressão que tenho é que Os Gatos de Eliot é o livro-vitrine que desfila a construção minuciosa desse poeta que conhece a velha poção mítica de versos, folhas de Baudelaire, pó cintilante de Krishna, passos sombrios de Poe e luzes maravilhosas de Lewis Carrol.

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