o livro do palavrão

Que ela é uma poeta escrivinhadora imprescindível nas nossas cabeceiras, isso todo mundo já sabe (e se num sabe é bom correr pra saber).

Que ela é uma provocadora de marca maior que mexe com os miolos da gente batucando ideias novas e tirando o mofo da caxola pra deixar sair o que num vale nada, isso eu bem sei.

Que ela faz com a palavra imagem e com a imagem palavra e com as duas juntas ela canta, dança e sapateia, isso eu também sei, sim senhora e sim senhor.

Mas agora ela abusou! Ela tá falando palavrão pela boca do João!

É que “Joãozinho cismou que queria ser gente grande de verdade e, para sua ideia dar certo, ele começou a falar palavrão.

Isso virou uma confusão!”

Fico imaginando a mãe do Joãozinho horrorizada dizendo: “quanto palavrão cabe na boca desse menino?”

E a senhora doutora professora na escola correndo atrás de Joãzinho enquanto ele corre atrás da bola que ele chama de bolão.

“Joãozinho, não é nada disso não!”

Desatino sem desatenção, Selma Maria Kuasne botou Joãozinho para falar palavrão!

Isso acontece no seu novo livro, com ilustrações da  super poeta e texto da incrível artista plástica – ou seria o contrário?

Selma, Selma, sua sapeca.

Crescer não é tarefa fácil, por isso a brincadeira de João vem mesmo a calhar. Para ele, crescer foi falar palavrão. Ele começou a falar melão quando ia dizer mel, e usar balão para bola de sabão que deslizava lá no céu.

Mas o céu respondeu para João, num dia escuro feito noite: “trovão, trovão TROVÃO!”

Joãozinho foi parar debaixo da colcha, mas em cima do colchão.

Sorte que a mãe de Joãozinho sabe de trova e de rima. Acarinhou o menino, fez ele ficar quietinho, com pensamento bem sossegado.

Depois do bom colo, talvez crescer possa ser palavrinha mais fácil de dizer.

Palavrinha ou palavrão, certo é que não faltará imaginAÇÃO com Selma Maria por perto dos nossos leitores.

A paulistana Selma Maria, formada em Artes Plásticas pela FAAP, cedo se envolveu com o universo da arte-educação. Além de atuar como professora de artes em várias instituições culturais, Selma mantém dedicada pesquisa a Cultura da Infância, abordando as formas de brincar das crianças que vivem distantes de centros urbanos. Essa pesquisa a levou a viajar pelo interior do Brasil, especialmente à região onde Guimarães Rosa cresceu, em busca das raízes da infância do escritor. Lá realizou oficinas com apoio das prefeituras de Morro da Garça, Cordisburgo e Três Marias para crianças de diversas idades. O resultado desse trabalho gerou a exposição “Meninos quietos – um olhar sobre os brinquedos do sertão”, visitada por 50 mil pessoas durante dois meses do ano de 2006, no Sesc-Pinheiros, em São Paulo. Suas atividades junto às crianças geraram Um pequeno tratado de brinquedos para meninos quietos, seu primeiro livro de poemas. Depois vieram outros livros, como Isso Isso, Lesma Mesma, e outros mais como O LIVRO DO PALAVRÃO, com selo da Editora do Brasil.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s