o homem que calculava

Bagdá, século XIII. Beremiz Samir, um calculista persa, narra suas aventuras matemáticas.

O livro foi publicado pela primeira vez em 1938. O autor, conhecido como Malba Tahan, pode inspirar uma biografia do Oriente Médio, mas, na verdade, é o professor brasileiro Júlio César de Mello e Souza.

Júlio César nasceu no Rio de Janeiro em 1895. Passou a infância na paulistana Queluz, cidade limite de fronteira entre Rio e São Paulo. Foi conferecista, professor, educador, matemático e escritor do modernismo brasileiro.

Na sua  biografia, os relatos da mente imaginativa, que acompanhava sua personalidade singular, incluem a capacidade para criação de nomes e personagens absurdos.

Malba Tahan, portanto, é uma invenção absurdamente perfeita.

O livro ultrapassou a 80ª edição, foi traduzido para espanhol, inglês, alemão, italiano, francês.

A narrativa segue o caminho percorrido pela voz das ‘Mil e uma noites’, na mística paisagem do mundo islâmico medieval, só que, nessa feita, com peripécias matemáticas do protagonista que percorre problemas decifrando enigmas.

É possível fazer a leitura em documento digital disponível na internet, o que não chega aos pés de mergulhar nas páginas de um livro.

Por tudo isso (e mais o que se descobre com a leitura), a editora Reccord reeditou O homem que calculava, com um novo projeto gráfico, atraente e moderno. Quem assina as ilustrações é Thais Linhares, e o faz com tanto envolvimento estético que quase nem se percebe a distância temporal que a separa do autor do texto. Uma beleza.

A matemática recreativa apresentada no livro é, certamente, menos dolorosa que a fria e doutoral ensinada nos colégios. Malba Tahan conseguiu realizar quase que um milagre, uma mágica: unir ciência e ficção e acertar. Seu talento e sua prodigiosa imaginação são capazes de criar personagens e situações de grande apelo popular, o que explica seu imenso sucesso

O homem que calculava é uma oportunidade para os aficcionados dos algarismos e jogos matemáticos se deliciarem com os vários capítulos lúdicos da obra. Tahan narra a história de Bereniz Samir, um viajante com o dom intuitivo da matemática, manejando os números com a facilidade de um ilusionista. Problemas aparentemente sem solução tornam-se de uma transparente simplicidade quando expostos a ele. Gráficos facilitam ainda mais a leitura do livro. Uma pequena obra-prima da literatura infanto-juvenil.

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