os nada-a-ver

2015-07-23 13.50.12

Ela é a-que-fala-alto-com-as-mãos. Ele é o-que-fica-quieto-e-sorri. Eles são diferentes, mas também muito iguais por tanta singularidade.

Eu a conheci no ateliê d’ o-faz-tudo-com-precisão, e é claro que ele estava fazendo tudo com imensa precisão enquanto ela falava alto com as mãos e eu, bem, eu sabia exatamente o que eu deveria fazer.

Já o-que-fica-quieto-e-sorri, faço um pouco de esforço para recordar o ponto exato que eu o conheci… e logo vem a memória, ele sentado escrevendo algo para alguém, muito quieto com aquele sorriso no rosto.

Fiz com ele exatamente o que faço sempre, porque eu sou a-que-beija-e-abraça.

Que loucura essa minha apresentação. Tudo muito nada a ver, exatamente como somos nós, seres especiais, todos ao seu modo nada-a-ver!

Jean-Claude R. Alphen e Juliana Bollini convidam os leitores para conhecer o primeiro livro que fizeram em dupla: Os nada-a-ver.

Uma cidade de seres especiais, onde ninguém se parece com ninguém e cada um é único à sua maneira, também se organiza por grupos que espelham um tipo de ser, com mais ou menos felicidade, com mais ou menos normalidade.

Acontece que um grupo não pode se misturar com o outro porque são de tipos diferentes, o que geraria muitos inconvenientes…

E o que é uma história sem tropeços e inconvenientes?

A confusão começou quando o-que-olha-o-espelho olhou um pouco para o lado e se deu conta de que existia outro tipo de beleza além da sua própria. Pior ainda, foi o melhor amigo dele, o-que-olha-o-relógio, ter dado de cara com o-que-tem-sono e já querer saber de dormir.

O-que-fala-sozinho, o-que-come-pastel-de-vento, o-que-conta-dinheiro, o-que-rói-as-unhas, o-que-sorri e todos os outros habitantes singulares daquela cidade meticulosamente organizada, parece que misturaram as ideias e colocaram tudo de pernas pro ar!

Imaginei eu, a-que-beija-e-abraça, andando de mãos dadas com o-que-é-zangado?

Não, não, isso não pode. Ou pode?

Dizem que o amor é uma flor roxa e bobo quem não experimenta, também digo que a inteligência depende do ponto de vista, por isso até nosso tipo merece outra percepção a partir da observação dos nossos vizinhos de cidade, de escola, de casa.

Os nada-a-ver, de Jean-Claude R. Alphen e Juliana Bollini, com edição da Companhia das Letrinhas, é livro precioso para pensarmos como as relações humanas podem ser mais leves e divertidas quando entendemos que cada um é único, mas a gente pode se misturar e ver beleza em outras formas de vida.

Livro - Os Nada-a-Ver

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