a volta ao mundo em 80 dias e o balão imaginário

Na sessão de filmes durante o voo, selecionei ‘Cantinflas’ para me fazer companhia. Eu sou daquelas pessoas que não pregam os olhos durante uma viagem de avião. Pior ainda minha vontade de dormir aparecer quando tenho à disposição uma seleção de filmes que ainda não vi.

Cantinflas, nome artístico de Mario Moreno, nasceu em família extremamente humilde, no ano de 1911, no Estado do México e se tornou um premiado ator e humorista. Começou sua vida artística como ajudante no teatro popular, brilhando como apresentador quando o dono do espetáculo adoeceu e teve de ser substituído às pressas.

O ator teve dois filmes em Hollywood, Pepe, que foi um fracasso de crítica e público, e A volta ao mundo em oitenta dias, que rendeu Globo de Ouro para o ator e Oscar de Melhor Filme, em 1956.  A crítica destaca que seus melhores filmes foram Os Três Mosqueteiros (1942), O Circo (1943), El Supersabio, O Mágico (1948), O Bombeito Atômico (1950) e Se eu fosse Deputado, todos escritos para ele em conjunto com o Jaime Salvador.

Particularmente, espanta um ator mexicano premiado com a interpretação da personagem Passepartout, o empregado francês de Phileas Fogg, na aventura de A Volta ao Mundo em Oitenta Dias. E por falar em particularidades – inclusive com pitada surreal – a presença de um balão de ar quente no filme cutuca a memória leitora.

Coincidência; acabo de reler o genial Júlio Verne em sua aposta aventureira para a volta ao mundo e, dias depois, tenho o filme sobre o ator mexicano Mario Moreno com cenas de filmagem em um balão para a mesma travessia…

Balão. Sim, balão. Mas durante a viagem de Phileas Fogg não há balão. Não? Não.

Embora muitos cartazes utilizem essa referência, na narrativa de Verne, Phileas Fogg pode cogitar, mas ele nunca utilizou tal transporte para sua aventura. A presença do balão como ícone desta travessia provavelmente se deu pela façanha do balonista Bertrand, que realizou a volta ao mundo nos anos 90.

Para quem nunca leu a obra (e deve fazê-lo porque é mesmo das melhores), A Volta ao Mundo em Oitenta Dias trata de uma aposta pactuada entre cavalheiros ingleses, membros de um clube respeitado, sobre a possibilidade do senhor Phileas Fogg fazer o percurso de volta ao mundo no tempo impossível de oitenta dias, correndo junto disso, aos costumes de uma competente investigação britânica, a persistência de um detetive a perseguir um larápio ladrão de banco que pode ser o mesmo cavalheiro Phileas! No meio disso, um rapto, um elefante, um sequestro de trem, um navio incendiado…

Bom, com balão não, o livro é incrível como os outros que Júlio Verne escreveu. A gente lê sem querer parar, correndo do começo ao último parágrafo para lamentar que chegou ao fim.

Descobri no youtube um áudio-book em francês para quem compreende e aprecia a língua; na internet igualmente possível conseguir o texto em pdf para leitura por se tratar de obra em domínio público.

O filme premiado de Cantinflas ainda não procurei na internet, mas é possível que esteja disponível.

De toda forma, a viagem de leitura vale para Verne e para o cinema, com reinvenções e balões imaginários para saudar a arte, ficando aqui a minha sugestão de incorporar um bocado do espírito Scotland Yard e investigar esses fantásticos sedutores: o ator Cantinflas e o escritor Júlio Verne – dois cavalheiros especialistas em ludibriar a razão abusando de sensibilidade.

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