argumento inquestionável; croninquieta de Penélope Martins

Ao pé da janela, meu avô chamava minha avó com pedrinhas. Atirava uma, duas, talvez três. Esperava um pouquinho, escondido entre as árvores. Não tardava chegar a rapariga. Teatral romance. Dentro de casa, ela dizia aos pais que ia ao celeiro. Pois, se a casa não tem banheiro, o melhor remédio é ir ao celeiro. O argumento era inquestionável e os pais continuavam ali, quietos de frio e inocentes de tudo. Só que era o meu avô quem esperava a namorada no celeiro, e eram os beijos e os amassos que construiam melhor argumento para a fuga noturna. Teatral romance que reinventa o velho ditado: ” uma andorinha só não faz verão, já duas…”. A sapequice, afinal, pode vir no sangue? Fico imaginando o que ela dizia aos pais quando voltava para casa com as bochechas coradas e ainda a vontade de fazer pipi.

– Penélope Martins –

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