Vovô não gosta de Gelatina (Será?)

“Acho que pisei em terreno fértil. Ainda bem criança, eu vivia na Biblioteca Pública Monteiro Lobato em São Bernardo do Campo, minha cidade natal. Cedo, conheci Alice, de Lewis Carroll, e o mundo brasileiro e fantástico de Francisco Marins. Cuidei da minha semente com mais livros, música, filmes e arte. No colégio Maria Iracema Munhoz, no coração da Praça Lauro Gomes, comecei a inventar minhas primeiras histórias. Fui para o mundo e fiz um montão de coisas: atuei e cantei. Passei a amar o teatro. Criei algumas peças e programas de TV. Trabalhei em rádio e, pelos caminhos da vida, acabei encontrando a escritora Eliana Martins, que me convidou para escrever um livro com ela. Aceitei e, desde então, meu ofício principal passou a ser o de contador de histórias.”

Compartilho com Manuel Filho não só o amor pelas histórias, como as aventuras na Biblioteca Pública Monteiro Lobato, em São Bernardo do Campo.

Eu tive a sorte de ter a Tia Maria no Colégio São José, dona de uma livraria simpática de nome Corujinha que, entre outros carinhos, me adotou como leitora experimental. Aquilo que eu não podia comprar, eu lia na loja, antes de voltar pra casa. Eu era pequena para caminhar sozinha pela Cidade, tinha por volta de uns sete anos, mas Tia Maria já me contava sobre a Biblioteca Municipal, um lugar onde se pode ler tudo que quiser, sem precisar comprar os livros. Eu achava a ideia muito revolucionária.

Tal e qual, Manuel Filho, me tornei frequentadora da Biblioteca. Faz muitos anos que não coloco meus pés lá…

Talvez nos falte disciplina para cultivar amor pela nossa gente, nas nossas cidades, nossas histórias.

“Produzir um livro exige bastante disciplina e boa dose de paciência. É uma luta entre o prazer e o grande esforço. Já ganhei alguns prêmios, entre eles, o Jabuti, em 2008 (NO CORAÇÃO DA AMAZÔNIA). Escrever é reescrever e reescrever.”

Escrever e reescrever. A vida nos convida a este exercício. Em algum momento a gente assiste a uma cena que, no futuro, estaremos aptos a protagonizar. Aptos? Nem sempre com aptidão no sentido de habilidade, mas como encontro, uma escola contínua de aprender a ser na presença do outro.

Um dia convidei Manuel para um café em minha casa. Trocamos segredinhos simpáticos e livros. Presenteei Manuel com meu menino que não queria cortar o cabelo e, sem piolhos, Manuel me deu seu Vovô.

Vovô não gosta de gelatina começa com um grupo de amigos que se reunem para abraçar o cinema que vai fechar. Logo na porta do imóvel abandonado, um dos avôs expressa o longo tempo que ficou sem visitar o lugar. “Sim, foi por isso que faliu”, o outro comenta.

Isso me fez lembrar minhas poucas visitas às Bibliotecas Públicas. Tudo bem, elas não precisam do meu dinheiro para comprar os livros que ali são de graça. Mas não existe uma Biblioteca sem gente, sem leitores, sem encontros…

“Várias coisas legais acontecem na vida de um escritor, uma delas é o encontro com os leitores. É um momento de troca, de aprendizagem e de escutar todos os comentários com carinho. Frequentemente me perguntam qual é o meu favorito dentre os mais de quarenta que já escrevi. A resposta é sempre a mesma: não sei. Todos são, de fato, filhos desejados. De qualquer forma, vou citar um caso.  Quando eu era menino, lia frequentemente os títulos da série Vaga-lume, editora Ática. Se alguém me contasse que, um dia, um exemplar criado por mim faria parte dela, eu daria uma grande risada. E isso aconteceu logo na minha primeira publicação individual: O OURO DO FANTASMA. Tenho muito orgulho disso.”

Vovô não gosta de gelatina é desses livros que nos trazem a sensação de ter o autor ali, contando a história, conversando com a gente. A história começa com simplicidade de ambiente familiar e acaba por amarrar o leitor numa sútil trama de física quântica. E os ponteiros de um velho relógio… O tempo que é, por vezes já foi.

Manuel Filho me fez lembrar do cine Hawaí, da minha relação com a Biblioteca Municipal da Cidade onde eu morava quando criança, até da rua do meu antigo colégio e as pessoas todas que me acompanharam naquele tempo. Você também teve um cinema de rua predileto? E uma biblioteca?

sala restaurada do Cine Marabá, no Centro de São Paulo

Agora, Manuel está finalizando outro livro sobre a história dos bancos da Praça Lauro Gomes, certamente será outro filhote querido do autor.

Quem quiser saber mais sobre Manuel Filho, pode passear no site: http://manuelfilho.wix.com/manuel-filho, também pode procurar pelos livros nas bibliotecas e livrarias. Alguns títulos são  A MENINA QUE PERDEU O TREM, Editora Besouro Box, SENSOR, O GAME, Editora do Brasil, DESATANDO OS NÓS, Melhoramentos, DESAFIO NAS MISSÕES, Saraiva, ALÉM DA PAREDE MÁGICA, Editora Baobá, e, claro, o delicioso VOVÔ NÃO GOSTA DE GELATINA, com selo da editora Panda Books.

E pra juntar livro, cinema, gelatina, vovô contador de histórias, um filme convida para a história:

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