O mar que banha a ilha de Goré

Mais uma vez, Kiusam de Oliveira entoa canções para os corações dos pequenos viajantes deste Mundo.

Em ‘O mar que banha a ilha de Goré’, a menina Kika parte para a Ilha de Goré, na direção de Dakar, a capital da República do Senegal, lugar que, no passado, serviu como entreposto no comércio ilegal de africanos escravizados para o Brasil.

Kika fará o caminho inverso: uma busca ao passado, uma visita ao cenário que causou imenso sofrimento e ainda reflete sinais.

Durante a viagem, Kika  tem a companhia da Mãe Mar, a voz que conta a história dos seus filhos acorrentados. E Kika vai reconhecendo a si mesma na história do seu povo.

A autora do texto, Kiusam de Oliveira, mantém narrativa contundente sem afastar a doçura. O ambiente fica semeado por velhas histórias que afastam as sombras da ignorância para trazer o diálogo entre as culturas, valorizar nosso poder de reflexão e apostar na reconstrução das relações a partir do conhecimento.

A autora das imagens, Taisa Borges, desperta nosso olhar com grafismos e cores que compõem o legado africano e que expressam sem dúvida alguma o imagético brasileiro, capturando na obra o entrelaçar íntimo das culturas.

O mar que banha a ilha de Goré leva o selo da Editora Peirópolis de São Paulo.

No ano passado, contei para uma turma de crianças outra história das mesmas autoras, O mundo no black power de Tayó. Durante a narração, alguém expressou que o nariz da menina Tayó era ‘feio’ demais. Parei a narração para tentar perguntar aonde estava o feio, mas, antes de mim e com olhos atentos no amigo, outra criança disse:

– Feio é achar que tudo igual é que é bonito. Tayó é linda, o nariz grande dela é lindo e o black power é lindo, anos 70. Eu sei tudo sobre black power porque minha mãe me contou.

De repente, as crianças foram levadas para outros rumos da história. Quase não terminamos o livro, mas é certo que começamos algo…

Kika, personagem de O mar que que banha a ilha de Goré, certamente trará novos pensamentos sobre velhos assuntos. Velhos assuntos ainda cercados de velhas manias que carecem de vozes contundentes e doces para melhor contar a história.

Para quem não conhece, Kiusam de Oliveira é professora de danças afro-brasileiras, coreógrafa, pedagoga com habilitações em Orientação Educacional, Administração Escolar e Deficiência Intelectual e também doutora em Educação e mestre em Psicologia pela Universidade de São Paulo.

Para quem deseja saber mais sobre a autora das imagens do livro em outros trabalhos surpreendentes, pode aproveitar o dia e mergulhar no site de Taisa Borges.

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