subversivo carnaval

Quando eu era menina, junto das meninas do bairro, brincava de ser outra. Minha amiga era a típica mulher maravilha: esperta, alta, forte e com longos cabelos negros. Eu não me encaixava na força, nos quadris, nem nos cabelos negros. Também não queria ser boazinha.

Minha mãe tinha um par de luvas com pontinhas que pareciam garras. Eu vestia as luvas e calçava as botas de salto alto. É claro que minha mãe não sabia, não até que eu partisse os saltos da bota. Lembro que foi bem difícil superarmos o episódio.

Mas, enfim, eram essas as pequenas subversões artísticas da mulher gato.

A menina loirinha não quer ser a fada madrinha?

Não, minha gente, a menina quer ser vilã, e não aceita não como resposta.

Meu filho passou bem uns quatro anos se vestindo de homem aranha. Era uma baita economia de roupas. As vezes, o pai dele ralhava comigo.

– Parece que esse menino não tem mais nada pra vestir.

E eu respondia, perguntando:

– Você não vai querer seu filho vestido de homem aranha aos 30 anos, atirando teias nas pessoas durante as filas de supermercado. Ou vai?

André era super herói, afinal. Estávamos a salvo.

Pensando bem, Aranha é mais um daqueles heróis incompreendidos que adotam o anonimato e vivem enfrentando problemas com os tiras. Mais um subversivo na família.

Esta semana foi a vez da Clara se rebelar (mais um pouco, para quem a conhece).

– Mãe, quero uma fantasia de gata, todinha preta.

Se filho de peixe, peixinho é, imagino que a filha da mulher gato salte 7 andares por um prato de sardinhas frescas.

Não encontrei a fantasia completa, tivemos que recorrer às adaptações. Com tiara de orelhas, rabo, colant preto, sandalinhas mais charmosas do que botas de vovó, Clara vai subverter no bloco das princesas.

Minhas pesquisas, camelando por uma fantasia de gata para uma menina de 9 anos, resultou no seguinte: as meninas estão condenadas a viver como Bela, Cinderela, Sininho, Rapunzel, e uma outra do polo norte que quase não sabe como se portar nesse calor brasileiro. Sem contar na fantasia de Minnie Mouse.

Com sorte, algumas lojas sugerem vestidos de joaninha e abelinha. Combinam com o clima tropical. Melindrosas também retornam nessa época do ano. As garotas nem sabem o que é isso, nem suas mães.

Mas Clara gosta de gatos e gatos não gostam de marchinhas. A música de carnaval, qual será?

Olha, não me estranha nada passar o sábado inteiro ouvindo o Bruno Mars. Não precisa nem me espremer, confesso que canto junto com a filha. Se a gente não pode vencê-los…

Por via das dúvidas, tenho uma carta na manga: a tuba do Serafim.

Afinal, carnaval é subversivo, vale juntar pop, rock, fox trote e marchinha. Vale tudo pra brincar, de princesa, vilão, rei, bobo. Vale pular, dançar até ficar tonto.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s