uma lista de bons planos,

Uma lista de bons planos é só uma lista de bons planos se ela servir somente a listar os planos (bons ou não). A vida acontece lá fora, dizem alguns e eu, que gosto muito de estar viva, concordo e acompanho. A tempestade nunca seria temida se ela fosse para sempre um plano das nuvens. Exemplo estapafúrdio, eu sei, até por isso fica mais fácil de saber o que eu pretendo falar aqui nesta coluna de histórias.

Tenho falado sobre livros lidos e livros que são bacanas de brincar, contar, interagir, refletir etc e etc. Eu tenho grande simpatia pelos livros. Gosto de pensar que algumas pessoas se dão ao trabalho de registrar palavras para servir de diálogos em diversos tempos, extrapolando os espaços onde surgiram. “Os livros são objetos transcendentes”, disse Caetano Veloso na canção,  “mas podemos amá-los do amor táctil”.

Pra lá do mundo das ideias, os livros nos permitem tocar, cheirar, abraçar, jogar na parede ou transformar em coisa outra.

Não tenho dúvida de que vivemos melhor com os livros por perto. Livros são catalisadores do pensar.

Por isso tudo é que eu cultivo livros na minha casa. Alguns deles são reservados em pequenos relicários, fé e amor.

Minha filha, ainda bem ‘piquitita’, me pediu que eu lesse um livro da minha estante azul. Deixei que ela escolhesse, mas perguntei qual o motivo da escolha ‘um livro da estante azul’. Ela respondeu prontamente que aqueles livros eram os mais especiais para mim e por isso ela queria saber deles. Como a fiz perceber a predileção?

A menina escolheu Flores do Mal do poeta Baudelaire. Achei que a leitura seria breve, antes do sono, mas ficamos horas e horas lendo os poemas juntas: a filha intercalando olhares no livro e na mãe. Os poemas tomando som, coração, espaço.

O final daquela história foi a crítica ao título. “Não existe flor do mal, mamãe.”

A estante azul permanece, sobre ela uma Iemanjá reinando o azul inteiro. Converso com aqueles livros e levo deles a conversa com pessoas.

O fascinante encontro entre livros e pessoas reafirmam o que eu disse inicialmente: uma lista é só uma lista.

Alguns pais e professores me perguntam como fazer suas crianças lerem mais. Eu sempre respondo com tempestade: se quer fazer chover, chova. Mas as pessoas parecem temer a chuva…

A biblioteca metodicamente organizada na sala silenciosa, pode ser bom começo se alguém ousar tomar para si a ideia de pensar e viver a vida que acontece lá fora.

Ousem.

PS. Da estante azul, para os curiosos, posso mencionar de memória com amplas possibilidades de leitura: Modelos Vivos e Mundo Palavreado, de Ricardo Aleixo; Aguardados, de Ayssa Bastos; Cinco Breves Momentos de Maio, de Alice Vieira; Toda a Poesia, de Leminski; Pequenos Poemas em Prosa, de Baudelaire; Viagem, de Cecília Meireles; Haikais para Pais e Filhos, de Leo Cunha.

* não encontrei a autoria da fotografia que acompanha o post. quem souber, por favor, compartilhe a informação nos comentários.

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