uma vergonha

Uma noite, um ladrão entrou na casa de Nasreddin. Visitou o primeiro cômodo, depois o segundo, sem encontrar coisa nenhuma para roubar.

No segundo cômodo, entretanto, percebeu um cofre e o abriu na esperança de alguma presa. No interior, viu o próprio Nasreddin, encolhido no cofre vazio, levantando os olhos para ele.

– O que faz aí? – perguntou o ladrão.

– Escondo minha vergonha – disse Nasreddin.

– De que tem vergonha?

– De que não encontre nada para roubar na minha casa. Acredite em mim, eu morro de vergonha.

– Jean-Claude Carrière –

* conto extraído do Capítulo 4 – O eu tenaz, obscuro, detestável e, talvez, até mesmo inexistente, do livro Contos Filosóficos do Mundo Inteiro. Editora Ediouro.

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