o dia em que troquei meu pai por dois peixinhos dourados

A história começa no dia em que troquei meu pai por dois peixinhos dourados.

Antes de me julgar dizendo que sou insensível e que não respeito meus pais e que não dou valor à família e que fui cruel e até fui cínico (embora eu não saiba o que significa cínico), uma pergunta:

– Você já teve um aquário com dois peixinhos dourados? É irresistível, não é?

“Um dia minha mãe saiu e me deixou em casa com minha irmãzinha e meu pai.

Papai se sentou em frente à televisão, lendo jornal. Meu pai não presta atenção em mais nada quando está lendo o jornal.”

Acontece que o amigo Nathan passou pela casa trazendo uma novidade consigo: um aquário redondo. Dentro, dois peixinhos perfeitamente dourados, Sawney e Beaney eles se chamavam.

Incrível.

” – Quer trocar? – sugeri.

– Trocar pelo quê? – perguntou Nathan.”

Os amigos nem sempre facilitam as coisas. Ofereci para Nathan os robôs que se transformam em outras coisas, a flauta irlandesa, os cartões de beisebol e até o palhaço que dorme comigo desde não sei quando – faz um tempão mesmo.

Nathan parecia irredutível, não queria nada para fazer a troca até que eu tive uma baita ideia genial: trocar os peixinhos pelo meu pai.

Meu pai sabe nadar, é bom que se diga. Meu pai é muito maior do que um peixe, por isso pode valer por dois. Era uma troca justa.

É claro que minha irmãzinha veio atrapalhar dizendo que seria ridículo trocar o pai pelos dois peixinhos, mas meu pai lendo jornal nem se importou com a troca e foi para a casa do Nathan.

São formidáveis os peixinhos dourados.

Diz um ditado que ‘tudo que é bom dura pouco’. Assim foi com o caso dos peixinhos dourados. Minha mãe chegou em casa e logo perguntou onde estava o meu pai.

Tem tanta coisa para se fazer numa casa, nem sei porque a mãe logo perguntou pelo pai que estaria lendo jornal o tempo todo e nem olharia para a porta no virar de chaves.

Enfim, a coisa não caminhou tão bem como eu tinha imaginado. A troca do pai pelos dois peixinhos dourados rendeu uma confusão tremenda até porque, como já foi dito e re-dito (tem isso?), o Nathan não achou divertido ficar com o pai que só lia o jornal, sabe?

Quando fui procurar Nathan para destrocar os dois peixinhos formidáveis pelo meu pai porque minha mãe tinha mandado com todas as letras, já era tarde demais… Nathan tinha trocado o pai por uma guitarra… E a coisa só estava começando.

Bem, a história é longa e terminal mal porque fiquei sem o aquário redondo e os dois pexinhos dourados.

Quem quiser saber os detalhes procure “O DIA EM QUE TROQUEI MEU PAI POR DOIS PEIXINHOS DOURADOS”, texto de Neil Gaiman, ilustrações de Dave Mckean, tradução para o português de Viviane Diniz, com selo da editora Rocco, do Rio de Janeiro.

E fim.

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