brincadeira, de Nara Vidal

 

Otaciano Arantes (Brasil, RS, 1931)

 

 

Quando a vida é azulzinha feito o sol amarelo, rosinha feito um morangão vermelho, colorida que nem um canteiro de margaridas brancas é tempo de infância. Ninguém vê o queijo que é partido. Não tem de fato, nem polícia e nem ladrão. O desenho no cimento não é amarelinho. E quando chega-se ao céu é o fim da linha. Só quem brinca sabe. Estátua que ri pode. Fazer língua pode. Só não pode mexer o dedo, nem o resto do corpo inteiro. E quem disse que a cobra é cega? Não vê aquele buraquinho entre o nariz e o pano? Ledo engano: quem é cego é quem está brincando. O que é o que é que cai em pé e corre deitado? Não posso contar, senão é vaca amarela na certa. Afinal, em boca fechado não entra mosquito. Esse ou aquele? Unidunitê cai mesmo naquele que eu escolher. Televisão? Não conheço não. A não ser quando é hora da Emília. E ontem mesmo a minha filha arrebentou meu coração. Perguntou-me quem era a boneca e nunca tinha ouvido falar em peteca.

 

– Nara Vidal –

* Acompanhe o ‘Lugar Comum’ página da rede social em que Nara Vidal conta um bocado de prosa – clique no link: https://www.facebook.com/pages/Lugar-Comum/1384765125096438?fref=photo

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s