quero sim

Não é fácil saber o que se quer, já dizia em poesia Cecília Meireles quando fez valer Ou Isto Ou Aquilo; ou se tem sol e não se tem chuva, ou ponho anel ou calço a luva, e a gente vive escolhendo sem saber o que escolher.

Aprendi que dizer sim é uma questão de apurar bem o dizer não. Assim ao menos a escolha fica limitada ao que se gosta mais.

Eu sei que não gosto de comer jiló, nem refogado, nem em salada. Jiló é amargo de dar dó e eu não gosto de amargar coisa nenhuma.

Eu sei que não vou em muvuca porque das vezes que fui não resultou bem, obrigada pelo convite mas vou ter que declinar a honra.

Eu sei que não falo mentira porque me ensinaram que ela tem pernas curtas e tropeça com facilidade. Sem contar que eu tenho memória curta e boca grande.

No mais das vezes prefiro dizer sim. São só três letrinhas, como disse Moraes Moreira, fácil de dizer. Aprecio improviso, recomponho agenda, mudo de última hora o cardápio sem fazer cara feia. Tudo por um sim. Porque o sim tem maior capacidade de ser feliz (ao menos lá em casa com as crianças). E depois tem outra coisa, quando a gente diz não tem que ser não a sério.

Para reforçar a ideia, sou diferente do jabuti que não lê gibi porque eu sempre li e sempre achei bom demais da conta.

Com mico que não usa penico guardo certa semelhança. Não é por acaso, pois se a gente tem parentesco com macaco.

De não em não descobri que o jacaré não tem chulé, pois ao contrário do Zé, ele sempre lava o pé. Decepcionei-me muito com isso, afinal de contas toda princesa tem seus momentos de chulé posterior ao uso de sandálias plásticas. Vai me dizer que você não?

Toda conta de bicho sabe o que quer pelo que não gosta e não faz. A minhoca não come pipoca, não gosta de paçoca, nem de mandioca. O urubu não come chuchu mas adora bauru com suco de caju. Chuchu não tem gosto de nada mesmo.

Para dizer sim é preciso saber ao que dizer não. Até para os bichos funciona, ao menos foi o que Alessandra Roscoe me contou nas rimas da coleção “BICHO NÃO”.

Cinco livros que revelam a preferência do jabuti pulando para mico e fugindo do jacaré que nem conhece o urubu, pássaro grandioso que já comeu minhoca nessa vida (tomara que ela não se magoe). Livro para todo gosto e eu já disse sim para a coleção todinha, quero ver alguém escolher um e dizer não para o outro.

Surpreendente a ilustração de Anabella López  considerando que a coleção poderia ter apostado naquela fórmula dos desenhos mais explícitos que é muito utilizada para pequeninos leitores. Mas Anabella foi ousada e fez bem porque assim o projeto transpõe a limitação de idade e pode se tornar atraente para todos os leitores, com suas formas desafiadoras e elegantérrima paleta de cores.

Tudo isso para dizer SIM à leitura e a cada livro da Coleção BICHO NÃO, um de cada vez até somar os cinco. Fez muito bonito Alessandra Roscoe.

PS: Ainda continuo achando difícil por demais da conta escolher ainda bem que eu fiquei com a coleção inteira.

PS, dois e acabo por aqui: A Coleção BICHO NÃO leva selo da editora Edelbra do Rio Grande do Sul. Uma beleza.

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