O elefante-marinho de Jacques Prévert

elefante-marinho

Aquele é o elefante-marinho, mas ele não quer nem saber. Elefante-marinho ou escargot de Borgonha, isso não tem a menor diferença: ele não está nem aí para essas coisas, não faz questão de ser ninguém.

Ele está sentado de barriga pra baixo porque se sente bem desse jeito:

TODO MUNDO TEM O DIREITO DE SE SENTAR COMO QUISER.
Ele está muito contente porque o zelador lhe dá peixes, peixes vivos.
Todo dia, ele come quilos e quilos de peixes vivos, é chato para os peixes vivos, porque depois disso eles ficam mortos, mas TODO MUNDO TEM O DIREITO DE COMER COMO QUISER…

Ele come sem cerimônia, bem depressa, ao passo que o homem, quando come uma truta, primeiro a joga na água fervente e, depois de ter comido, ainda fala sobre ela durante dias, dias e anos.

“Ah, aquela truta, meu caro, lembra que delícia?!” etc, etc.

Ele, o elefante-marinho, apenas come.  Ele tem um olhinho muito bom, mas quando está com raiva, o nariz dele, em forma de tromba, se dilata e dá medo em todo mundo.

O tratador cuida muito bem dele….Mas nunca se sabe o que pode acontecer….

Se todos os bichos se zangassem, a história seria bem diferente.

Imaginem vocês agora o seguinte, meus pequenos amigos: o exército de elefantes da terra e do mar chegando em Paris. Que confusão…

O elefante-marinho só saber comer peixe, mas isso é uma coisa que ele sabe fazer muito bem.  Antigamente, parece que havia elefantes-marinhos que faziam malabarismos com cristaleiras mas não dá para saber se é verdade…ninguém quer emprestar a cristaleira!

A cristaleira poderia cair, o vidro poderia quebrar, gerando despesas; o homem gosta dos animais, mas prefere seus móveis…

… Quando ninguém incomoda o elefante-marinho, ele fica feliz como um rei; muito mais feliz do que um rei, porque pode sentar de barriga pra baixo quando bem entender, enquanto o rei, mesmo no trono, está sempre sobre o próprio traseiro.

* Contos para Crianças Impossíveis de Jacques Prévert, Ilustração do Fernando Vilela. Editora COSACNAIFY

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