Lendas de dar medo!!!!!

ana jansen

Um pedaço da minha infância e juventude passei em São Luis no Maranhão.  Parte da minha família ainda mora por lá e é o destino preferido de férias das minhas filhas.  Lugar de andar descalço, comer fruta no pé, brincar na praia, e passar o dia de biquini.  Nos últimos dias, as principais manchetes de jornais estão focadas em São Luis, pena que seja por motivos tão chocantes. Mas este é um blog de literatura, então deixarei os problemas políticos de lado e vou me ater a um pedacinho da literatura maranhense.

Alguns autores maranhenses são bem conhecidos pelos Brasileiros como, Ferreira Gullar, Gonçalves Dias, Aluizio Azevedo, Josué Montello, porém pouco se conhece da literatura infantil deste estado.

Em uma de minhas idas à casa dos meus pais, procurei pelas livrarias obras infantis referentes a lendas maranhenses e conheci os livros de Wilson Marques.  Wilson lançou pela editora Casa do autor maranhense, uma coleção infantil sobre as lendas mais conhecidas da região, como a serpente encantada, o Bumba-meu-boi e a mais assustadora de todas (em minha opinião), as histórias de Ana Jansen.  Em seu livro Quem tem medo de Ana Jansen?,  Wilson escreve sobre esta  história que passa de geração a geração e continua a assustar as crianças e muitos adultos da região.

Donana, como era conhecida Ana Jansen, era uma mulher muito rica e poderosa que viveu em São Luis no século XIX.  Era uma senhora de escravos e, como tal, os tratava com extrema crueldade.  Conta-se, que no fundo dos poços de sua casa havia lanças, onde os escravos desobedientes eram jogados e morriam espetados e, para não sujar seus sapatos, Donana mandava seus escravos deitarem ao chão e passava por cima deles, como se fosse um tapete. Isto é somente parte das maldades creditadas à Donana.  Até hoje algumas pessoas acreditam ver na madrugada de quinta para sexta-feira uma carruagem saindo do Cemitério do Gavião, puxada por um cavalo sem cabeça, conduzida por um escravo também decapitado e dentro vai a alma penada de Donana gritando, estalando chicotes e carregando uma vela acesa para entregar ao primeiro que encontrar.  Uma vela que, pela manhã, se transforma em osso de defunto.

Sempre que passava pela casa de Ana Jansen, eu sentia um arrepio e minha mãe falava que os escravos mortos eram emparedados naquela casa e que seus corpos continuam lá até hoje.

Não sei se estas histórias são verídicas ou não, porém, por via das dúvidas, peço que ao visitarem São Luis, evitem passar perto do Cemitério do Gavião na Rua do Passeio nas madrugadas de quinta-feira, pois Donana não perdoa ninguém…  Mas não deixem de conhecer aqueles que escrevem para fazer uma São Luis mais digna e merecedora do título de Atenas Brasileira.

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