Texto sem pretexto

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Hoje em dia já não é mais estranho ser um(a) Contador(a) de histórias.  As pessoas acostumaram a encontrar os contadores em bibliotecas, livrarias, praças, eventos literários e até em festa infantil.  Sou um estilo de contadora mais low profile, gosto de estar no mesmo nível das crianças, todo mundo junto e misturado.  Mas esta é a minha escolha e cada um tem a sua, o que faz da contação de história algo único onde um não é melhor que o outro, são somente diferentes.

Costumo contar muito em escolas e as professoras normalmente comentam que gostariam de aprender a contar como eu.  Então partiremos do princípio. Como disse anteriormente, cada um tem o seu jeito porém podemos aprimorá-lo para que se torne mais atrativo aos alunos.

Por esta razão me baseei no livro do Celso Sisto, Textos & Pretextos sobre a arte de contar histórias (Editora Aletria) e me foquei no capítulo 8: Contação de Histórias: para jovem gostar de ler.

Em primeiro lugar, o professor para incentivar a leitura de um texto dando valor à escrita do autor tem que ser um leitor.   Conversar com o aluno sobre a sua experiência literária, sobre os livros que gostou ou não gostou, tentando encontrar juntos o porquê das diferenças, coloca todos no mesmo nível, sem hierarquias e a conversa flui e liberta a voz do jovem.

Outro fato que concordo plenamente com o Celso Sisto é: Prepare a história com antecedência, isto é, leia, releia, pense nos gestos, na voz, no olhar, nos silêncios (que são imprescindíveis a uma boa contação). Não é uma tarefa simples pois durante o processo colocamos todas as emoções para fora o que torna o momento mágico mas também extremamente desgastante para quem conta.

Prepare a história mesmo quando utilizar o livro, isto é, nunca leia para os alunos sem antes conhecer o texto para não tornar a leitura mecânica.  Com a leitura preparada, saberá o momento das pausas, o momento para deixar a dúvida no ar e estimular a curiosidade do ouvinte, e, principalmente, dar ênfase às partes mais importantes e ao grand finale.

Outro ponto que o livro Textos & Pretextos toca e que para mim é essencial: Você tem que gostar da história. Isto faz muita diferença.  Já fui contratada para contar uma história específica da qual não gostava e sei que a qualidade foi bem diferente da que planejei.  Eu não alcancei o ritmo da história, por isso tive que treiná-la muito mais do que o normal e foi um grande desafio.  Fiquei feliz por ter conseguido mas poderia ter sido bem melhor.

A leitura e o treino valorizam o seu trabalho porém, mais importante ainda, valorizam a história.  O aluno percebe a paixão que você empregou e, intuitivamente se interessa pelo texto.

Por isso, normalmente, quando termino de contar uma história e as crianças ou os  jovens e adultos me pedem “eu quero ver o livro”, sinto meu trabalho recompensado.

 

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