Causos e Prosas de Pedro Malsartes

 

A garagem de casa era praticamente um palco, tinha até cobertura. O lençol furado era perfeito para o cenário. Panela, cesto, guarda-chuva, vassoura, colher de pau, o que viesse. A brincadeira era ensaiar, ensaiar e ensaiar. Depois era só recrutar o resto da molecada para ter público.

Teatro do nosso Bairro: todo mundo sentado no piso da garagem.

Um livro foi muito importante para nós da “Companhia Pé Descalço” (dei o nome agora, mas é bem parecido com a cena real). Eu comprei o livro na revista do Círculo, alguns sabem bem como era. A história, Romeu e Julieta, vinha escrita certinha como peça de teatro. Tinha a fala do narrador e dos personagens, tudo separado em atos. Era um documento oficial para quem queria fazer teatro de bairro.

Por esses dias, vem parar nas minhas mãos o livro  “Dez Causos de Pedro Malasartes e sua Amiga Dona Veia” e quando eu começo a leitura, ai que coisa “dimais di boa”, meu pensamento vai lá longe, nos dias de ensaio na garagem.

O livro vem prontinho para imaginar as cenas vividas pelos dois personagens e há também um narrador que conta como se passa a história.

Mostrei para minha filha e ela logo disse:

– Ai mãe, isso é muito legal, é o livro do Pedro Malasartes com a Dona Veia, eu conheço as histórias deles.

E eu sempre não dou conta de tudo que essa menina já capturou no auge de seus sete aninhos.

– É mesmo, filha, e de onde “ocê” conhece esses dois?

– Mãe, conheço sim, do Baú de Histórias que eu vejo na televisão…

Eita. Pela primeira vez fiquei satisfeita por garantir algumas horas de televisão para meus filhos. Aqui em casa a tal tela vive apagada, mas, ao que parece, quando está acesa é porque a meninada já sabe o que procurar.

Fui perguntar ao youtube e não é que o baú também estava lá? Tá qui o link “pá mó d’ocê“ conferir: 

 

Mas minha filha continuou:

– Olha aqui no livro, mãe, tem até a história do “cabrito que era cachorro” que eu vou contar pra você agora.

Eu que não sou boba nem nada, escutei a história da menina, depois, juntas fomos “bizoiá” Cris Miguel e Sergio Serrano no youtube com o livro em mãos.

O personagem Pedro Malasartes ganhou o cinema nos anos 60 com Mazzaropi no papel principal. Mas o danadinho do Pedro não era criação nova naquela época não, seus feitos vinham de longe e de muito antes.

Pedro Malasartes aparece em trovas ibéricas datadas do ano de 1132, ora pasme, o sapeca é mesmo internacional, e a Biblioteca do Alentejo abra os arquivos aos interessados na peraltice da amável figura, aqui, no Cancioneiro da Vaticana: http://www.bdalentejo.net/BDAObra/obras/310/BlocosPDF/bloco29-279_288.pdf (demora um pouco para carregar o link, mas ao final tudo dá certo).

Nosso escritor Mário de Andrade também não resistiu aos causos de Malasartes (ou Malazartes) e tratou de fazer ópera com os malabarismos cômicos, cuja estreia se deu em 1952, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro.

– Mãe, presta atenção, o livro do Pedro Malasartes é para fazer teatro mas não um teatro sério, é uma comédia, entende?

– Ah é? Eu gosto de comédia.

– Eu também, porque comédia é assim, se você está de mau humor, você começa a rir tanto que no final fica tudo bem.

Bom, então quero ler e ouvir os causos de Pedro Malasartes e Dona Veia, afinal de contas, bem dito está o ditado: rir é o melhor remédio.

 

Nota: Dia 23 de novembro, sábado, às 10 horas, a Editora Giramundo convida a todos para o lançamento do livro “Dez Causos de Pedro Malasartes e sua Amiga Dona Veia”, com Cris Miguel e Sergio Serrano. A festa vai acontecer na Casa de Livros, Rua Capitão Otávio Machado, 259, Chácara Santo Antônio, São Paulo.

 

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