Há algum sonho de criança que te custe muito ter abandonado?, por Rodrigo Ferrão

Hoje fiz esta pergunta. Não vou dizer a quem. Apenas digo que foi a uma “anónima” como eu. Apenas mais uma escritora sem livro… Que trago do anonimato para o meu mundo das palavras. E para aqueles que, realmente, abrem esta página e partilham esta emoção comigo.
– “Há algum sonho de criança que te custe muito ter abandonado?”- resposta:

“No fundo, não concretizei nenhum, e vou tendo pedacinhos deles todos… Quis ser escritora, quis ser astrofísica, quis viver nos telhados de Paris, sonhei, sonhava, fui sonhando… Fui sendo, fui aprendendo que a arte da vida é manter o sentimento onírico e não um sonho concreto. Quis ser pianista e aprendi a tocar piano sozinha, e a dada altura percebi que queria ser muita coisa e fui tentando ser um bocadinho de tudo, um pedacinho de sonho aqui, um pedacinho de sonho ali. E vivo no mundo desses sonhos, na soma dos bocadinhos concretos que fui realizando. Sonho ainda em escrever um livro, um único. Mas a verdade é que fui sempre atrás do sonho que me batia à porta e cedo, mesmo cedo, percebi que a perfeição, o ideal, o idílico não tem expressão. Daí ter abraçado o gerúndio. Não sou nada em concreto do que queria ser, vou sendo um bocadinho de tudo e do todo que ainda tenha para sonhar… porque o sonho não esgota…”

* Rodrigo Ferrão é nosso escritor correspondente no link Ora Pois! com o Clube de Leitores
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