h’ e outros bichos inteligentes

Letra escreve ou letra desenha? Palavra ilustra ou palavra conta (opa, quem conta também é número)?

Não adianta franzir a testa como se minhas perguntinhas fossem óbvias demais para vossa ilustre inteligência. A questão é capciosa, por isso é recomendável dose cavalar de atenção e pitadelas de cautela (canja de h’ não faz mal a ninguém).

Silvia me aborda na livraria com um cartão branco, nele um imenso h com um sinal de apóstrofe está gravado:

– O que você vê aqui? – Diz Silvia.

h

Fiquei sem jeito em responder o que de pronto me bicou as ideias. Poxa, pode ser algo mais sagaz e eu aqui pensando em galinhas… Mesmo assim respondi:

– Silvia, eu vejo ‘a galinha’.

Silvia empolgada me conta que este é o título do novo lançamento da Editora Dedo de Prosa, obra que reúne os poemas de Ronald Polito e Guto Lacaz.

Nota de rodapé no meio do texto: Para quem não sabe, Silvia é editora na Dedo de Prosa e parece que ela faz seu trabalho com a mesma empolgação que eu competia estourar a maior bola de goma de mascar sem grudar nos cabelos. Aquilo era emocionante mesmo.

Dentro do livro tem toda espécie de bicho sabido e pensante: desde uma pulga revoltada chamada Olga, até um imenso elefante. No caso do elefante, vale dizer, ele não aparece nas páginas do livro porque tem pavor de rato.

O mosquito, que mora em Quito e tem faniquito, tem parentesco direto com tatu-bola, bicho que naturalmente se enrola.

A sempre trabalhadeira formiga não tem tempo para arranjar nenhuma amiga. Sem tempo para ócio e levando essa vida sofrida, a formiga só saber pensar em rechear o formigueiro de comida. Até que entra na história uma cigarra para liderar a grande farra!

Tem mais bicho inteligente. Tem bicho pescoçudo e bicho que esguicha. Tem até bicho pregu… Tanta moleza que a palavra desenhada não escreveu a preguiça inteira.

a pulga

Para quem adora boa rima e projetos singulares, o livro da galinha é para nunca desgrudar.

E embora o livro esteja intitulado “h’ e outros bichos inteligentes”, é bom reforçar que não se trata de uma pegadinha irritante para nos convencer que alguém pensou mais longe do que a gente. A inteligência dessa leitura estão em sorrir com a percepção de algo simples, singelo, como uma centopeia atravessando o papel linda e pernudinha:

cennnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnnntopeia.

Os poemas se apoderam desse universo de sons e imagens conhecidas por nós para criar um diálogo dinâmico e envolvente, altamente recomendável para leitores de todas as idades.

Antes do fim, uma pergunta que nos faz os autores:

“Afinal, toda garrafa

É parente da girafa?”

 

* Em tempo, Editora Dedo de Prosa convida os leitores para o brincar com “ h’ – A galinha e outros bichos inteligentes” juntos com os autores Guto Lacaz e Ronald Polito.

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