POR QUE CONTAR HISTÓRIAS?

“Percebi, com o tempo e a maturidade, que tenho alma de artista. Antigamente, achava petulante propagar isso e até assumir, para mim mesma, que isso era um fato real. A visão que a sociedade estereotipou do artista é de muito glamour e ponto final. Acho que a verdade passa longe disso. Hoje, depois de fazer tantas coisas no decorrer da minha vida, muitas das quais um grande número de pessoas se estapearia para poder ter uma oportunidade de estar no meu lugar, percebo que nada daquilo me preenchia. Eu não conseguia vibrar como os outros vibravam. Eu seguia a vida sentindo-me triste, sem bem entender o porquê. Sempre gostei de cantar, sempre gostei de brincar, sempre fui meio moleca. Não sabia que era contadora. Acho que nós, contadores, já nascemos contadores. Por ser uma profissão que, infelizmente, não tem muita cara de profissão, não tínhamos ninguém na nossa infância para ajudar, como fazem com médicos, engenheiros e advogados: ‘- essa menina nasceu pra ser contadora de histórias!’. Quem dera! Sou inquieta, desorganizada e sensível. Ao ler um bom texto, sinto uma ânsia em propagá-lo, em mostrar para todos o quanto aquilo é interessante, o quanto pode nos fazer aprender, sorrir, refletir. É mais ou menos assim que acontece: ‘Opa! Nessa parte aqui, hummm, é isso! Já sei como farei. Eita! Também posso cantar aqui, acho que eles vão adorar.’ A contação de histórias me dá possibilidades de criar. A contação de histórias me ajuda a crescer. Ver o rostinho de crianças, seres transparentes e verdadeiros, mudar de semblante ao ouvir uma frase impactante e receber um abraço de obrigado no final de uma apresentação, me deixa completamente extasiada. Demoro a dormir depois que conto. Acho que cheguei então a uma conclusão. Conto histórias por amor.”

O mês de setembro começa com comemorações: minha centésima coluna para os leitores do ABCD MAIOR.

Comecei minha coluna da mesma forma que faço até hoje, despretensiosa de elaborar qualquer tipo de tratado sobre a leitura ou crítica detalhada sobre alguma obra literária. Nesta coluna eu só faço contar histórias. Sou uma narradora de histórias, uma proseadora, uma contadora de causous como se diz na roça. Cada vez que redijo uma coluna, imagino que a tela do computador são meus olhos olhando fundo nos olhos do outro que me lê.

Neste tempo todo de coluna – não se chega a CEM de um dia para o outro – tenho organizado todos os escritos no meu blog “Toda Hora Tem História”, juntamente com outros itens para composição deste farto “menu” literário.  Um dos grandes achados para brilhar no blog, foi Carol Levy, a contadora de história que abre a coluna de hoje respondendo a minha pergunta: – Por que contar histórias?

Carol Levy é uma espécie de fada faladora: conta as coisas com tanta emoção que a gente se contamina da alegria dela. Carol Levy faz até vaca botar ovo: 

Para nossa sorte, Carol Levy é generosa e partilha um monte de coisas bacanas em site próprio e também no canal youtube, sem aquele medo de alguns não-artistas de ser “copiada”, porque Carol é, como eu já disse, fada faladora contadora de histórias legítima (!) o que significa que ela se alimenta da arte de contar histórias, além do que, não sei se vocês sabem, mas para contar histórias nada se pode temer, é preciso arriscar, ousar, encarar de frente o dragão, sacar a espada, assustar o lobo-mau, botar para correr a bruxa maquiavélica que cozinha criancinhas para fazer biscoito de gengibre, etc etc etc.

O lado bom de contar histórias é que a voz encorpa a palavra e imprime nela jeitos diferentes de dizer a mesma coisa. Encontrei os vídeos de Carol, fiz contato com ela para que nós nos encontrássemos, ela com sotaque adocicado de bolo de rolo, melhor moda de Recife, Nordeste do Brasil, eu com sotaque de macarrão com queijo no jeito paulista, Sudeste do mapa. A gente tem se encontrado no mesmo bosque virtual e, recentemente, Carol Levy me presenteou com o DVDContarola que acaba de sair, fresquinho-fresquinho, cobiçado como sonho de padaria. O DVD reúne histórias cantaroladas por Carol Levy e transborda encantamento.

Mas por que contar histórias? Para ver gente e ser mais gente. Contar histórias lembra o tempo em que nos reuníamos ao redor do fogo para nos aquecer e, enquanto lá, a palavra invadia o ar como um bálsamo de esperança, como uma grande tela em que se via todo o Universo.

A gente conta história para fazer amigos, para ser feliz. História com H porque o real e o imaginário tecem a mais singela verdade. Só e tudo isso.

Em tempo, não deixe de visitar: Carol Levycarollevy

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