Pipi da meia longa, por Karin Krogh

Muitas são as viagens pelo universo literário, mas uma das mais belas é a de fazer amigos leitores. No meu caso, sortuda que sou e sem modéstia neste assunto, tenho uma amiga leitora que também é escrivinhadora (assim gosto de me nomear) e, além de tudo, contadora de histórias. Uma amizade especial que rende bons papos e papinhos, troca de dicas e arremedos de versos, prosas incontáveis, personagens e tals: amizade daquelas que faz brotar florzinhas na gente.

Karin já esteve aqui comigo na coluna e eu pedi para que ela voltasse com mais uma história… E Karin veio de malas prontas para nos dar outra viagem:

“Você conhece a Pipi da meia longa ou Pippi Långstrump para os suecos?  Pipi é a menina mais forte e mais rica do mundo, com suas tranças vermelhas e meias coloridas, vive completamente livre, faz tudo sozinha e à sua maneira: toma banho quando bem entende, come deitada na mesa com o prato na cadeira, dorme com os pés no travesseiro e consegue carregar um cavalo!  Passei a minha infância ouvindo as aventuras de Pipi na Vila Villekulla.  Quarenta e um anos depois ganho de presente do meu pai uma viagem à Suécia, terra dele, da Pipi e da Astrid Lindgren sua criadora.  Astrid criou Pipi quando sua filha Karin (minha xará) ficou adoentada e de cama, mas esta história acabou escapando das mãos de sua dona e se espalhando praticamente pelo mundo todo (suas obras foram traduzidas em aproximadamente 100 idiomas).

Durante a minha estada em Estocolmo, conheci o museu Junibacken,um museu dedicado à literatura infantil sueca e, especialmente, à Astrid Lindgren. Situado na ilha de Djurgården foi inaugurado oficialmente pela família real sueca em 1996 e está hoje entre as atrações turísticas mais visitadas de Estocolmo. Além de passear na Vila Villekulla em miniatura pude relembrar outras obras desta escritora. Há quanto tempo não via o Emil, protagonista de histórias muito divertidas que Astrid contava para seu neto de três anos.

Emil é um menino de apenas 5 anos, loirinho de olhos azuis, com cara de anjo, mas que apronta as maiores travessuras. As aventuras de Emil nunca terminam, galinhas, cães, irmãs – e adultos – todos fogem do seu caminho. Mas isso não quer dizer que ele seja ruim, somente que os problemas e a diversão o seguem aonde quer que vá.

E por fim, a maior emoção de todas, passear de trem por uma das mais belas histórias de Astrid Lindgren:“ Os Irmãos Coração de Leão” (Bröderna Lejonhjärta).  Uma aventura fantástica, sobre os irmãos Jonathan e Karl Coração de Leão que trata de temas difíceis, como a doença, a morte, traição e ao mesmo tempo nos esquenta mostrando sentimentos como o amor entre os irmãos, a lealdade, esperança e a coragem.

Enquanto o trem passa pelo cenário feito em maquetes ricamente trabalhadas, a história é narrada com muitos efeitos de iluminação e de som, fazendo com que você entre na fantasia e compartilhe com Jonatha n a tristeza da morte de seu irmão Karl e as aventuras em outro mundo chamado Nangijala, uma terra além das estrelas, onde eles recebem seu novo sobrenome e, juntamente com outros amigos travam a eterna luta do bem contra o mal.

Porém, nem só de Astrid Lindgren vivem as crianças suecas, tive a oportunidade de conhecer outros autores e outras histórias maravilhosas, mas deixo pra próxima, tá?”

406506_10150520213187398_104337189_nKarin Krogh é farmacêutica, cientista, contadora de histórias, mediadora de leitura e escritora.

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