Contar, cantar histórias

Ontem à noite, antes de dormir, a hora da história no colinho da mamãe. A menina traz sua manta cor-de-rosa e dois ursinhos, Ted e Bláu, que sempre a acompanham.

– Você quer uma boa história? – pergunta a mãe para a cabecinha a repetir tantos sins sejam necessários para fazer dançar um pescoço de criança agitada.

– Gostaria de uma história de amor que seja cômica? Sabe o que é uma comédia?

Uma comédia faz rir e, como é sabido por todos, não há criança que evite histórias de riso solto.

Pois então, havia uma mocinha que já não tinha seus pais e que para protegê-la, assim como aos seus bens, precisava de um tutor. O nome dela era Rosina. O tutor era um homem muito espertalhão que já estava de olho na mocinha, que era muito bela por sinal, queria se casar com ela e também ficar dono de toda sua riqueza. A mocinha não queria isso não, é claro. A mocinha queria se apaixonar de verdade por um jovem que também a amasse loucamente, porque amar “loucamente” faz cantar, sorrir, dançar, pular e até dizer umas bobagens. Azar do tutor, porque a mocinha conseguiu o que queria: tal Conde chamado Almaviva se apaixonou loucamente por ela (pausa: “mas, o que é ‘conde’? – pergunta a menina; e a mãe responde que ele é um homem importante daqueles que era amigo do rei e da rainha e blá blá blá da nobreza; então já se pode história continuar). Pois o Conde que se apaixonou loucamente pela mocinha da nossa história e a mocinha também se apaixonou e os dois teriam que dar um jeito para se livrarem daquele tutor espertalhão que jamais permitiria que eles ficassem juntos. Tentar pular a janela? Fugir no meio da noite? Colocar um bigode falso para se disfarçar? Cacarejar como uma galinha só para fazer escândalo? Ai, como era difícil ter um plano. O tutor ficou muito zangado quando percebeu que os dois pombinhos estavam armando uma fuga, daí ele trancou Rosina no quarto com uma chave grande e pesada daquela que ninguém consegue abrir!

E pronto!

– Mãe, o que aconteceu com Rosina; ela conseguiu escapar? – perguntou a menina – se fosse comigo, eu pulava a janela e saia correndo.

– Ah, pensei que essa história já estava cansando… Quer que continue? – disse a mãe.

– Sim, claro, preciso saber Rosina vai fazer.

Pois então, havia um barbeiro que estava passando pela Cidade de Sevilha. O tal barbeiro era um tipo muito inteligente, sabia mesmo das coisas. O melhor de tudo é que o barbeiro ficou amigo do Conde e começou a pensar numa estratégia, meio atrapalhada, de unir o casal de pombinhos apaixonados.

Antes do final da história é melhor sabermos um pouco mais daquele barbeiro de grande qualidade, de qualidade. Tantas boas especialidades ele tinha, nosso querido Barbeiro de Sevilha, tudo ele fazia, cortava cabelos, fazia perucas e penteados para festas, com navalha afiada acertava as barbas dos homens e fazia a sangria dos doentes, por isso toda a gente chamava seu nome: Fígaro! Fígaro! Fígaro. Fígaro respondia: “Por caridade, um de cada vez”, ele adora seu trabalho de barbeiro viajando de cidade em cidade para atender a todos.

A ópera de Rossini, “O Barbeiro de Sevilha”, rendeu uma boa contação cantada de história, com direito a ouvir a ária do barbeiro Fígaro e as declarações de amor dos pombinhos Rosina e Conde Almaviva. É claro que a história agitou o ambiente e todo mundo foi dormir mais tarde, mas também é certo que a música rende boa companhia.

Ao final, depois de muita confusão, casaram-se os apaixonados.

Parece que além de tudo o barbeiro era bom cupido.

Fica um link para cantarolar com Fígaro (com legendas em português)  http://www.youtube.com/watch?v=k9ZddMufCxk . Depois, para se divertir, tem lá no canal youtube uma versão com o pássaro amalucado pica-pau na personagem de barbeiro: http://www.youtube.com/watch?v=NR_IeTnMYwo.

Nas livrarias e bibliotecas, procurem pela coleção preciosa “Óperas para Crianças”, da Editora Callis, com autoria de Ruth Rocha para a ópera de Rossini, para despertar atenção dos pequenos para os cantos que cantam histórias.

Divirtam-se!

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