Uma biblioteca não é uma biblioteca

E se a biblioteca mais próxima desaparecesse e já não houvesse mais aquele prédio com janelas fechadas e o silêncio interior fosse substituído por um ruído conhecido qualquer; e se a biblioteca não estivesse mais ali assim que a gente dobrasse a esquina, cruzasse a rua, terminasse o café, descesse do ônibus, topasse com um amigo das antigas e contasse uma história maluca sobre a crise mundial; e se a biblioteca não fosse mais uma biblioteca?

E se a biblioteca fosse lugar nenhum de ideias todas possíveis e até mesmo as impossíveis estivessem rondando por lá; e se a biblioteca pudesse conversar, sentir, chorar e sorrir e repetir versos como “vou-me embora pra Pasárgada” e “tudo vale a pena”, tantos mais, tantos mais; e se a biblioteca cheirasse a canela, bolo de chocolate morno na mesa ao lado pronto para ser devorado com os olhos e o livro; e se a biblioteca fosse cheia de redes penduradas, brancas redes penduradas, barras rendadas balançando para lá e para cá.

Os transeuntes do passeio público. As pessoas da calçada. As gentes que passeiam por lá.

Todas as histórias seriam possíveis dentro da nossa pequena biblioteca imaginária: um lugar de convivência, um lugar de estarmos juntos com tudo que foi, aquilo que é e todo mais que será.

Livros, livros, livros, os impressos em papel e os impressos em imagens que guardamos dentro de nós.

Bibliotecas de mundo.

Um livro especial reúne histórias de bibliotecas de diferentes lugares, em diferentes tempos, com diferentes paisagens, mas uma coisa em comum: a janela aberta para o mundo; a passagem oferecida para o leitor que deseja viajar…

Bibliotecas clássicas, modernas, exóticas, bibliotecas sobreviventes à guerra e às longas distâncias. Cabe biblioteca até no lombo de um burrinho que faz carregar histórias para crianças que moram nos campos, longe das cidades.

O projeto reúne um fantástico grupo de ilustradores para narrar as histórias com seus jeitos peculiares, cada qual com seu traço, com seu estilo.

Daí é fácil reunir mais elementos para a Biblioteca do Tudo Pode, basta sentar no almofadão de casa, com uma xícara de chá e um pedaço de bolo que a gente pula da Alexandria para a Antiguidade, da Biblioteca Nacional para a jornada do Biblioburro, da Biblioteca-Parque até a Biblioteca de Basra e mais…

Novos mundos, novos leitores, todos juntos naquela biblioteca que não existe ali na esquina, nem tem prédio, nem janelas, nem faz silêncio dentro. A biblioteca está aqui nas mãos, na ponta da língua, na palavra, no contar de histórias.

Visite também: Bibliotecas do Mundo Todo, de Daniela Chindler, editora Casa da Palavra.

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Também vale a pena ler o artigo do Professor Valter José Morigi sobre as transformações no conceito de Biblioteca, no link: http://revista.acbsc.org.br/racb/article/view/432/551, sem esquecer que os suportes para informação são os mais variados, mas o principal integrante nesta rede é o ser humano: só ele faz história, só ele conta história, só ele forma, informa, reforma, deforma e reinventa formas.

Boa viagem!

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