conte para mim sua história, com Kiara Terra

Pleno feriado e a gente arrumando o que fazer para contar história. Ontem encontrei Kiara Terra na Vila Madalena para um café na padoca, embalando muitas histórias sobre contar histórias e provocar narrativas nas pessoas.

Kiara é atriz e, já na escola de teatro, recebeu uma proposta para contar histórias em apresentações dentro de uma editora. As outras meninas do curso estavam querendo “vedetear” na televisão, mas Kiara adorou a oportunidade de estar entre crianças dando voz aos livros da editora.

Kiara tem um jeito Kiara de contar histórias; ela monta um roteiro do livro e caminha para as perguntas que estão morando na narrativa ainda sem respostas. “A História Aberta” é a brincadeira que Kiara faz com seu público, com perguntas provocativas e sugestões, para que eles apontem para onde vai aquela narrativa.

“O que mais me importa é ouvir das pessoas ‘eu também’”; assim mesmo Kiara me descreveu sua busca durante as apresentações da sua jornada “A História Aberta”. Uma sensação de pertencer aquele grupo naquele momento, se identificar com o outro, olhar nos olhos e se sentir 100% presente; este é o caminho procurado por esta menina contadora de histórias.

Kiara começa suas apresentações falando sobre o começo das histórias – onde começa a sua história? – e naquele momento tantas pessoas viajam no tempo, tantas pessoas buscam o fio da imaginação. O ápice é ver que o começo é a gente que aponta como início, daquele instante em diante tudo pode ser contado da maneira que quisermos.

Durante a contação de história tem adulto que vira criança, tem adulto que fica adulto, tem criança que é criança, tem criança que pensa adulto. O público é eclético e todo ele compartilha segredos durante a exploração da narrativa.

“O que a gente viveu até aqui é o que faz sermos quem somos”, segue Kiara, “na brincadeira as pessoas compartilham esse ‘eu’ sem frear tanto, sem ter medo”. Foi assim que Kiara se formou como contadora de histórias, recontando suas peripécias de infância com uma dose de exagero para emocionar.

Kiara desenvolveu vários projetos para formação de educadores, com objetivo de despertar a oralidade da narrativa e estimular os profissionais para que eles estimulem suas crianças no pensar criativo, na capacidade de contar histórias.

Creio que este é o primeiro passo para formar um leitor capaz de produzir histórias também: ouvir o outro, afinar a voz do pensamento. Contar histórias é voltar ao passado remoto na roda do compartilhar, nas noites ao redor da fogueira em que a avó espalhava seu conhecimento para as novas gerações.

Contar histórias é criar vínculos.

Kiara brinca com a imagem de uma renda quando fala da história. Uma renda tem buracos que nunca serão preenchidos. Perguntas que nunca serão respondidas também aparecem nas histórias; sempre tão complicado lidar com elas…

Pois então, assim como os buracos da renda deixam ver a imagem formada, as perguntas difíceis são ótimas oportunidades para reformularmos a história, para olharmos para ela de uma forma diferente, exagerando as coisas ruins para que fiquem engraçadas, diminuindo as coisas sensacionais para que elas apareçam no cotidiano: inesperadamente.

Se a gente pretende que uma criança seja leitora, antes disso precisamos formar com ela um vínculo de afeto na história.

Conte uma história e experimente exageros, cantos, vozes, objetos. É impossível evitar a diversão nessas alturas.

Quem quiser um pouco de Kiara em vídeo, basta colocar o nome dela no youtube. Segue aqui um link do programa Quintal do canal de tevê Cultura:  

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