Roedores de Livros

Uma professora oficineira da história para formar professores contou de ponto em ponto o trabalho durante dez anos.

Mas quem vai de ponto em ponto não sossega fácil. Era preciso saber do pequeno leitor, conversar com ele sobre a história. E onde está o leitor que anseia a figura do mediador de leitura? Ou será que o leitor nem imagina que existe o mediador de leitura… Será?

“Primeiro você cativa, depois você mostra o caminho…”

A voz doce de Ana Paula Bernardes já embala o sonho de democratizar a leitura e formar leitores, pensadores autônomos de mentes capazes.

ana paula

 

 

Em nossa entrevista com mil e uma traquitanas tecnológicas para aproximar Santo André, São Paulo, de Brasília, Ana Paula conta que muitas dificuldades existiram (e existem) no caminho desta fiel roedora de livros, muitas portas fechadas, muito descaso, muita falta de compromisso.

O objetivo de Ana Paula Bernardes e seus amigos é fazer acontecer com perenidade o clube de leitura para crianças e jovens “Roedores de Livros”, projeto que envolve acervo literário, jogos e materiais de apoio, local e demais elementos de estrutura, mas, creio que primordialmente, com a presença de mediadores de leitura que fomentem o prazer de ler para que seja construído um novo leitor.

Ana Paula é aquela que vai de ponto em ponto, devagar e sempre, no “água mole em pedra dura tanto bate até…” que invade.

Esperançosa, mas com olho afiado em todas as pontas do processo: política pública para o livro, gestão de biblioteca, mediação de leitura, construção do leitor, formação de educadores.

Ana Paula Bernardes é a alma vibrante do “Roedores de Livros”, uma história de amor ao ideal de transformar o livro em amigo da criança.

Os roedores começaram as mediações de leituras na rua, salvos pelo único bem que possuíam: o tapete vermelho que abrigava contador de história e crianças. O tapete vermelho da real realeza guarda o melhor ouro: o conhecimento.

Atualmente, todo sábado de manhã, em uma “bibliotoca” preparada no shopping popular da Ceilândia, os roedores recebem trinta crianças que podem brincar, ler, ouvir histórias e emprestar livros do acervo. O lugar talvez não seja ainda o ideal, mas já está lá. Todavia, não existem recursos para que o clube dos Roedores possa receber seus leitores durante a semana.

O espaço é um espaço comum, as normas de convivência são debatidas entre os frequentadores; lugar “nosso” no melhor sentido possível, pois todos estão ali com a liberdade de ir e vir, mas também de ficar. Os leitores se comprometem com o espaço que é deles.

“Primeiro você cativa, depois você mostra o caminho” – já me disse Ana Paula outro tempo de nossa conversa, lá no começo.

Outra coisa bacana, os roedores mantém um livro de registro que conta a história de cada leitor. Dentro do livro a gente pode descobrir o que cada leitor leu e daí tirar o percurso da formação, o gosto literário desse leitor.

A manutenção do trabalho fica por conta dos envolvidos, sempre lembrando que quem lida com criança lida com a hora do lanchinho, com a necessidade de um local que seja limpo, prateleiras que precisam ser trocadas, paredes que muitas das vezes precisam de pintura. E de onde pode vir ajuda? Amigos, amigos dos amigos dos amigos…

Muita gente espalhada por aí fazendo a mesma coisa: lutando para propagar o bem.

Eu pergunto para Ana Paula o que é bom para ler? Ela me responde: “Eu comecei a adolescência lendo a coleção “Júlia”, hoje fico pensando como é que eu gostei disso, mas não importa, “Júlia” me levou ao livro “Olhai os lírios do campo”, porque minha visão era romântica e meus olhos se fixaram naquele novo horizonte. Daquele momento em diante, li todos do Érico Veríssimo. Os gostos mudaram, mas começou lá atrás com os romances açucarados, simples, que me ajudaram a aprender a ler sozinha no canto. Era muito fácil comprar “Júlia”, era só ir na banca de jornal. Leitor tem que ter acesso…”

Preciso dizer mais? Ser roedor de livros é isso: ter intimidade com o livro.

anapaula

Registro meu abraço comovido para esta figura queridíssima – Ana Paula Bernardes – e todos os seus pares em Brasília que só fazem semear e colher sonhos!

Daqui de Santo André, São Paulo, ou de qualquer lugar do Brasil, conheça os Roedores em Brasília para abraçarmos este trabalho de dedicação na formação de gente que brilha!

Roedores de Livros

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