Ler os Clássicos

ilustra de Rosana Urbes para “O Mágico de Oz”

 

Outro dia no metrô eu pensava sobre a fragilidade das coisas. Não nas coisas cotidianas, repetidas metodicamente por sua necessidade, mas nas coisas às quais dedicamos nosso intenso trabalho, das quais depende nossa satisfação e pelas quais embarcamos em verdadeiras odisseias. Ah sim, o termo odisseia pode ter sido o fator que me conduziu daquele sentimento de pequenez ao sabor do eterno.

Mais de 2.000 anos se passaram para que Brad Pitt estrelasse no filme “Tróia” como o jovem Semi Deus Aquiles na defesa da honra de Menelau que teve sua esposa Helena sequestrada por Pares, jovem e sedutor. Foi Ulisses, grande articulador de guerra, que cedeu as muralhas de Tróia com ardil de um grande cavalo de madeira com o qual presenteou seus inimigos.

Provavelmente todos já sabem de qual história eu estou falando. Provavelmente todos já perceberam o renascer das minhas esperanças naquela viagem de metrô quando pensei em Homero, poeta da guerra de Tróia que levou Ulisses em temerosas aventuras até seu retorno aos braços da esposa Penélope.

O poder de um clássico é vencer os limites do tempo, transcender culturas, identificar pessoas no liame de sua trama pela importância dos conflitos impingidos aos seres humanos ou, de per si, por sermos humanos.

De repente aquela história escrita por um americano sobre a menina que morava no Kansas e foi arrastada para um mundo mágico juntamente de seu cão, o simpático Totó, pode se tornar uma história importante para brasileiros que falam português; portugueses que, apesar de falarem português, estão lá do outro lado do Oceano Atlântico; chineses que não falam português, nem inglês e que nem têm o mesmo alfabeto que os ocidentais; etc, etc, etc.

Aliás, o próprio Totó emprestou nome aos mais diversos tipos de cachorrinhos pelo mundo depois de se aventurar com Dorothy pelo caminho das esmeraldas.

A eternidade é alcançada no clássico.

Mas qual a importância de conhecermos os clássicos? Ora, todas as referências que conduzem nossos imaginários estão neles, sem contar na capacidade de unicidade com a nossa espécie motivada pela leitura daquele conflito com identificação nos nossos próprios conflitos, nas nossas próprias características.

Angariando leitores ao passar dos anos, o clássico literário se torna um marco, um ponto de referência para as próximas gerações.

Pronto! Aquela fragilidade que me agonizou na dita viagem de metrô deu um salto literário a tantas outras viagens já contadas, recontadas, adaptadas para versões simplificadas, roteiros, cinema, tevê.

Recentemente reli o clássico “O Mágico de Oz” adaptado por Eliana Martins e ilustrado por minha amiga Rosana Urbes, publicado pela Escala Educacional.

Claro que já abri o livro com entusiasmo de encontrar possíveis maravilhas no trabalho de ilustração de Rosana Urbes e, como haveria de ser, mais uma vez fui pega pelos olhos até o coração.

Apetite ainda mais aguçado quando pesquisei o restante dos títulos que compõem a Coleção Recontar: Aladim e a Lâmpada Maravilhosa, Vinte Mil Léguas Submarinas, Sonho de uma Noite de Verão, Os Lusíadas, Alice no país das Maravilhas, A Ilíada, As Aventuras de Tom Sawyer, As Fábulas de Esopo, Pinóquio, O Conde de Monte Cristo, A Ilha do Tesouro, A princesinha, Dom Quixote, As Viagens de Gulliver, Moby Dick, Kachtanka, Poliana, Rei Artur, Romeu e Julieta, Robinson Crusoé, Volta ao Mundo em 80 Dias, Peter Pan, Os Três Mosqueteiros, Oliver Twist, Odisséia, Os 12 Trabalhos de Hércules.

Ao final de cada volume, informações adicionais no “Conta Mais” contemplam o leitor da adaptação com o caminho para leitura da obra original, infelizmente muitas vezes disponível em outro idioma, como no caso de “O Mágico de Oz” que pode ser lido em inglês no site www.gutenberg.org/catalog/world/readfile?fk_files=1441307. 

Das boas viagens que nos esperam nos livros, o gosto de viver por séculos e séculos nos trazem os clássicos…

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