Piratas no Atlântico Sul, de Ernesto Reis

 

Quem não sabe o que é pirataria no mundo de hoje, quem? De certo que as nossas criancinhas já estão acostumadas em repetir as advertências dos filmes reproduzidos em DVD reforçando a proteção aos direitos autorais. Filme pirata não pode, nem jogo de videogame pirata; e o que dizer sobre as cópias de livros.

Mas, então, aonde se ancoram os navios desta gente toda e por quais mares andam fazendo suas indústrias prosperar?

Não, camarada, não se trata disso o pirata original, figura perdida nas histórias mais empoeiradas das estantes de bibliotecas por sorte resgatados, de temos em tempos, pelo cinema (com a esperança de não sumirem do nosso imaginário).

O pirata de verdade era homem destemido marginal às leis e com espírito faminto de grandes aventuras.

Tantas viagens bem sucedidas reluziram prata, ouro, esmeraldas, rubis e mais pedras que eu nem saberia citar. E os formatos? Ah, do ouro das taças, das espadas cravadas por pedras preciosas, das magníficas coroas roubadas dos grandes reis, braceletes, colares, anéis e moedas (muitas moedas, sacos e sacos de moedas…), riquezas que nos fazem sonhar ser pirata também.

Os tesouros apontados pelos mapas com um grande X fizeram conhecidos os baús imensos de madeira com tiras de couro, sempre trancados por chaves brutas.

Da vida dura no mar, barba, camisa rota, perna amputada e no lugar um espeto de pau. Chapéu amplo com plumas indicava o Senhor Capitão, o mais malvado de todos no navio. Homens perigosos prontos para disputar olhares de mulheres, riquezas ou uma coxa de frango assada para o jantar: sempre com a mesma disposição à violência.

Nunca devemos esquecer dos barris que faziam festas para canecas de rum, porque é o rum a bebida dos piratas.

Piratas existiram sim (e existem!, embora talvez tenham dispensado o gancho na mão esquerda), e há quem diga que um dos piores e mais cruéis botou os pés em terras brasileiras deixando tesouros na costa do litoral paulista. Será?

Para contar a história, Ernesto Reis se dedicou a pesquisa sobre a presença de piratas na costa do litoral brasileiro, busca determinada pelas fronteiras entre a realidade e as lendas (não menos reais).

O livro “Piratas do Atlântico Sul”, lançado na última Bienal do Livro em São Paulo, esgotou em vendas na feira e já promete uma versão ilustrada para os leitores mais pequeninos. Que venha!

Ernesto tem coragem admirável para escrever a história, não se deixa envolver pela dúvida do que pode não ter sido e leva o leitor a considerar todos os detalhes como verossímeis.

O livro vem acompanhado da bibliografia da pesquisa realizada pelo autor, reforçando ainda mais o convencimento da obra.

Distinto, elegante, primoroso nos detalhes, “Piratas no Atlântico Sul” resgata o prazer em leituras históricas e dá um salto em favor do conhecimento na exploração dos mares.

No mais, bom reforçar a figura dos verdadeiros piratas que, apesar do alto grau de periculosidade sabiam deter boa fatia da nossa admiração (diferentemente dos piratas atuais, tão previsíveis, tão banais e tão covardes).

Em tempo, o livro “Piratas do Atlântico Sul”, de Ernesto Reis, publicado pela Editora Giostri, creio poder ser adquirido nas melhores livrarias.

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