Canções para Brincar

Lembro-me de certa viagem às terras de Minas Gerais; roupas quarando no gramado, lençóis brancos bailarinos que embalavam os olhos da gente. Havia lá o balanço pendurado numa enorme árvore.

Um balanço? Não só! Cordas grossas tramadas a segurar a velha tábua de madeira, também formigas: subindo e descendo: grande escala de trabalho.Dentro da casa, a vitrola fazia tocar o disco colorido da Arca de Noé, para embalar minha preguiça em boas melodias.

Vinícius de Moraes e Toquinho fizeram três musicais para televisão, todos com gravações disponíveis atualmente e completamente imprescindíveis para o divertimento geral da nação! (Depois, quiçá, serventias para cultura e educação, mas isso não importa diante do patrimônio da bem aventurança no humor).

Formiga, leão, foca, abelha, gato, pinguim, coruja e mais, todos animais dispostos para brincadeira e sempre interpretados por grandes nomes da música brasileira, em “Arca de Noé” em volumes 1 e 2.

Depois, Vinícius e Toquinho vieram de bicicleta, espingarda de rolha, bola, robô e mais, também com grandes intérpretes na “Casa de Brinquedo”.

É inevitável gostar de poesia para quem gosta de boas canções. Ao menos foi assim que eu me apaixonei pela literatura, com olhos vidrados nos encartes dos discos. “Arca de Noé”, publicado no formato livro em 1970, depois de uma década surgiu em disco e estreou como musical para programa de televisão, hoje disponível até download. Em todas as formas, a obra é imperdível.

Vinícius de Moraes tinha tantas facetas quanto à própria Arca que criou: poeta, prosador, letrista, dos mais conhecidos, e sambista inveterado. Entre tantas aventuras, Vinícius foi amigo e até gravou com Amália Rodrigues, a voz do fado. De Amália, levo comigo a formiga trabalhadeira na dualidade de cigarra cantora: Formiga Bossa Nova. 

“Minuciosa formiga,

não tem o que se lhe diga

leva a tua palhinha,

asinha, asinha.

Assim devera eu ser

e não esta cigarra que se põe a cantar

e me deita a perder.

Assim devera eu ser

de patinhas no chão,

formiguinha ao trabalho

e ao tostão.

Assim devera eu ser,

 se não fora não querer”*

Adriana Calcanhoto também se enamorou da canção e fez versão para a “Formiga Bossa Nova”, canção que transcrevi acima, em um dos álbuns de Partimpim, ambos super bacanas.

Reforço o entusiasmo em toda história de Vinícius e Toquinho na televisão hoje reforçadas pela obra Partimpim. Adriana Calcanhoto conseguiu alcançar qualidade impecável no repertório para os pequenos ouvintes.

Então basta procurar a dica musical de hoje começando pelo começo: Arca de Noé, o livro, atualmente com selo da Cia das Letrinhas; CDs Arca de Noé 1 e 2, Casa dos Brinquedos e, por fim, numa versão contemporânea para as canções: Partimpim 1 e 2, de Adriana Calcanhoto com algumas canções de Vinícius de Moraes e outros compositores. Cereja do bolo: Amália Rodrigues cantando a formiga bossa-nova, fácil de encontrar no youtube.

E bora ouvir tudo isso cantarolando no balanço!

 

* melodia construída sobre poema de Alexandre O’Neill 

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