Carmela Caramelo

Doces lembranças eu trago da minha avó querida e é claro, que com a invenção do dia das mães a saudade fica ainda triste. Foi uma verdadeira choradeira no domingo passado pela ausência de Dona Laura. Onde ela estará neste exato momento? Por onde caminha Laura, por onde marcam suas pegadas? Para quem ela dirige aquele olhar doce que me embalou na infância?
Minha avó era uma mulher de mil e um talentos, fazia muitíssimo bem os trabalhos manuais e desde cedo me incentivou a praticá-los. Aprendi a tricotar aos sete anos e vovó dizia que aquilo era pura matemática; o balbuciar das agulhas na varanda que se estendia frente à pequena sala de estar.
Lembro demais da minha Vovó fazendo aprontices na cozinha. E toda a disposição que ela tinha para me deixar mexer na comida, lidar com os utensílios e me sentir responsável no ambiente, fez com que eu gostasse da alquimia culinária.
Até hoje, tudo o que faço em forno e fogão, não é nada mais do que uma versão da minha observação contínua entre o caldeirão e a colher de pau que vovó administrava com tanta segurança (e muita beleza). Surpreendo-me quando posso reproduzir um sabor da comida da vovó e, no pensamento, procuro sempre a aprovação dela.
 Sou uma tola emotiva (choro, choro, choro sempre de saudades e de alegria por tantos momentos que vivemos juntas) e tenho certo orgulho por isso.
Caramelo, por exemplo, lembra ao dia em que vovó foi me mostrar como fazer balas. Bom, fazer balas é bem melhor do que comprá-las porque, primeiro, podemos fazer quantas quisermos; segundo, podemos comer quantas conseguirmos (assim eu imaginava plena de gulodice).
Derreteu o açúcar e derramou sobre a pedra fria da pia… Esticou e esticou, cortou em pedacinhos e deixou lá para esfriar…
Ah, vovó quanta doçura.
Acho que nunca esgotarão minhas histórias com esta deliciosa mulher. As mãos pequeninas e delicadas eram verdadeiros tratores para o trabalho: costurava, tricotava, cozinhava, limpava, trançava, lavava, engomava, plantava, acariciava.
Histórias desenrolam outras histórias. Histórias rompem distâncias, tornam eternas as lembranças. Histórias são como os abraços, nunca em exagero.
Talvez tenha sido a lembrança de doçuras da infância que fez com que Cris Rogério escrevesse a história de “Carmela Caramelo”, uma menina “muito engraçada” que “gosta de brincar de trocar tudo” e que também “combina coisa com coisa” assim mesmo me disse minha filhotinha, Clarinha, que aos seis anos apresenta devoção por livros.
Carmela Caramelo é um livro de fazer cócegas na gente. Passeia e perde o passo, ri do próprio tropeço, deixa-se acompanhar por um gato sinuoso que baila com borboletas e sempre está rodeada de objetos interessantes.


Novelos de lã, pequenos carretéis, casquinhas de sorvete, colheres de doce, botões, telas de bordado, cataventos, estampas floridas, pincéis e baguncinhas… Além de ser uma pessoa interessada na versatilidade dos guarda-chuvas.
Parênteses: guarda-chuvas sorriem ao céu e abrigam os nossos pensamentos. Eu também tenho isso em comum com Carmela, aprecio a companhia de um guarda-chuva. Na verdade tenho alguns e um deles, o meu preferido e também o mais velho, é estampado por gatos num cesto de palha.
Com todo o resto que faz Carmela se divertir, bordado, pincéis, botões e caramelos, bom, principalmente os caramelos, eu nem preciso dizer o quanto me afino com a história da Cris Rogério.
É uma tradição transmitida pela avó: as mãos laboriosas.
Para completar a delícia, o livro de Cris Rogério foi ilustrado por André Neves, um artista com extremo bom gosto na escolha dos elementos e das cores. André Neves constrói narrativa própria para a ilustração e conta com ela tantas outras histórias.
Essa é a magia do livro ilustrado, cada visita a ele é uma nova surpresa entre as palavras e as imagens.
Cris Rogério está muitíssimo bem acompanhada nas aventuras do seu primeiro livro infantil: Carmela Caramelo. A obra foi editada pela Editora Cortez de São Paulo, já está à disposição nas livrarias e, em tempo, este final de semana Cris e André recebem os leitores como convidados na Livraria Cortez, no Bairro de Perdizes, Rua Monte Alegre, 1074, telefone (11) 3873.7111, com direito à contação de história e autógrafo.
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