Lendas da Índia

Há muito tempo aprendi a cantarolar “tudo é uma questão de manter: a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo”, música de Walter Franco.

Espinha ereta já não é tarefa da mais fácil, mas mente quieta e coração tranquilo são certamente árduos desafios para uma vida inteira.

Descobri algumas possibilidades para este mantra quando iniciei minha jornada no hatha yoga. O yoga, assim como outras sabedorias indianas, é transmitido com histórias. Cada ásana ou postura conta a história de um guerreiro, um sábio ou mesmo um animal da natureza.

Na história do mundo, histórias sempre educaram pessoas. Na Índia há uma tradição milenar de contar histórias para transmitir conhecimento, com a peculiaridade que na mitologia hindu e nos contos indianos há uma mágica atmosfera de personagens, lugares e situações incríveis.

Minha busca por livros interessantes sobre o tema para crianças fez encontrar “As 14 pérolas da Índia”, de Ilan Brenman, com ilustrações de Ionit Zilberman (Editora Brinque-Book). A obra é uma boa jornada de histórias para modificar a mente e o coração (sem esquecer a espinha ereta, é claro).

Livro apaixonante. Os contos são bem selecionados, escritos com linguagem clara, sutileza e humor.

Leio e releio para meus filhos.

É possível discutir as histórias, traçar novos exemplos para o que estava sendo falado ali e muito mais. Criar desenhos para os contos é uma deliciosa brincadeira.

“As 14 Pérolas da Índia” é daqueles livros que conquistam um lugar cativo na estante do bom leitor.

Mais tarde, descobri um segundo volume da mesma coleção, “As 14 Pérolas do Budismo”, uma viagem de meditação e descoberta com muita doçura.

Uma dessas histórias budistas narradas por Ilan Brenman, recentemente serviram para uma ótima conversa entre eu e minha querida vovó, Dona Laura.

Trata-se de uma história de um ancião muito inteligente que passava o dia estudando conceitos budistas e para ele, todas as manhãs, uma camponesa atravessava o rio levando um jarro de leite de sua cabra. Cobrada pela repetição de atrasos, a camponesa explicou ao mestre que o barqueiro estava sempre demorando a chegar.

Nesse momento o mestre perguntou se a camponesa não conhecia o mantra tibetano om mani padme hum, tão poderoso que invocado com intenso amor e fé poderia fazê-la caminhar sobre as águas.

O final do conto é surpreendente.

Fé inabalável: capacidade para enfrentar toda dificuldade. Minha avó se emocionou repetindo para mim:

– Que linda história essa… Sim, é mesmo preciso muita fé para viver.

Meu último momento com vovó ficou registrado com a leitura, comentários, abraços e beijos que sempre foram do nosso costume. Dona Laura já completou sua maravilhosa trajetória de carinho e dedicação, somando mais de 81 anos e nove bisnetos.

Sempre levarei comigo esta pérola.

Tomara que Ilan Brenman continue a coleção com outras culturas, inspirando-nos a manter “a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo” (fica assim registrado meu pedido).

Para quem deseja ler e sentir, “As 14 pérolas da Índia” e “As 14 pérolas do Budismo”, ambos com belíssimas ilustrações de Ionit Ziberman, publicados pela Editora Brinque-Book, são obras completamente indicadas para todas as idades de leitores dispostos a investigar os segredos da existência.

Leia a coluna no site do Jornal ABCD Maior:

http://www.abcdmaior.com.br/noticia_exibir.php?noticia=35992

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