Alice

 

“… não vai adiantar nada eles enfiarem as suas cabeças aqui e me chamarem: “Suba de volta, queridinha”, pois vou olhar para cima e dizer: “Quem sou eu então? Digam primeiro quem sou eu”. E daí, se eu gostar de ser essa pessoa, eu subo; se não, vou ficar é bem aqui, até que eu vire outra pessoa.”

Quem seria a dona desta voz impetuosa que segue o senhor coelho e interroga dona lagarta sobre o que ela mesma deveria saber? Quem?

O escritor Charles Lutwidge Dogson, conhecido por seu pseudônimo Lewis Carrol, criou a história da menina que se metia embaixo da terra para entreter as três filhas de um amigo que o visitava; uma delas se chamava Alice e possivelmente foi inspiração para o início da jornada no País das Maravilhas.

Desde 1865, já são muitas as edições da história de Lewis Carrol, Alice no País das Maravilhas, sem contar com a produção do desenho pela Walt Disney em 1951 e o filme que estreou em 2010 dirigido pelo não menos visionário Tim Burton. Vale comentar que a história escrita originalmente pelo autor em 1862, foi reescrita e ganhou novo título para despertar interesse editorial e obter sucesso nas prateleiras das livrarias. Primeiramente, Lewis Carrol chamou a história de “Alice embaixo da terra”.

“Alice” não é uma história para crianças. Certamente é uma obra que pode se desdobrar em incríveis percepções para todas as idades; não é a toa ser tema de tantas pesquisas científicas.

O mergulho na toca se dá na fração de tempo que não é contada pelo relógio, num espaço que não nos tira do lugar. Mergulhado em si mesmo, transbordando a sopa de tudo que nos faz, surgem perguntas tolas que são essenciais para a compreensão do ser quem sou.

De quebra vem uma porção de elementos fantásticos e tão bem descritos que é impossível não celebrar o chá e cantar um bom desaniversário para todos nós (confesso que aqui em casa isso sempre acontece).

É claro que esta receita só poderia agradar a nós que somos crianças; tanto tememos, tanto para aprender, tantas coisas para enfrentar no dia a dia.

Misture agora um pouco de chá, dois cubos de açúcar, uma colher de geléia e complete com uma boa martelada. Não se esqueça de dar passos largos sobre a mesa, esmigalhando a louça. E… voilá! Eis aqui um bom livro para ler e ter e ler e ter e ler e ter e … opa, cortem minha cabeça!!!

Possuo duas distintas edições, mas já cedi outras duas para leitores que jamais me devolveram os exemplares (posso lamentar, mas compreendo o porquê). Uma das edições que guardo comigo é recente, editada pela Cosac Naify, com tradução espetacular de Nicolau Sevcenko e ilustrações deslumbrantes de Luiz Zerbini. Uma caixa de baralho porta o livro. Linda, perfeita, vale muito conferir – ver, folhear, cheirar, escutar, espiar – este livro objeto de arte.

A outra edição que tenho é um cordel publicado pela Editora Nova Alexandria, com gostinho brasileiro. A obra, publicada em 2010, escrita pelo cordelista João Gomes de Sá, pode ser lida com o tom da música de embolada nordestina:

“Esse chapeleiro louco

Falava igual a um tufão.

O seu chapéu reluzia

Como as noites do sertão,

Pois o dito era enfeitado

Como o céu estrelado

Do chapéu de Lampião.”

As ilustrações são delicadas e, assim como a concepção original da obra de Carrol, mistura de tudo no mundo avesso de Alice. Podemos identificar caminhos de carimbos, decalques antigos, estampas florais, xilogravuras e colagens de objetos docemente deslocados de seus postos tradicionais para que os olhos embarquem na magia da história. O ilustrador que brinca com o texto é Marcos Garuti.

“Alice no País das Maravilhas”, de Lewis Carrol, pode ser encontrado com selo de diversas editoras, contém todo o esplendor da boa literatura e espera ser visitada por nós, lida e relida. Sempre uma indiscutível surpresa!

Leia e comente no site do Jornal ABCD Maior
http://www.abcdmaior.com.br/noticia_exibir.php?noticia=35814

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